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25 julho 2009

Saudades do cinema Pathé (Rio)

Jonga Olivieri, nos seus périplos pelos antigos cinemas do Rio, fotografou o Pathé, uma sala que tem muita história e, pela sua tela, foram exibidas muitas preciosidades da arte cinematográfica. Os velhos cinemas, para a geração que se iniciou a ver as imagens em movimento nas salas de projeções, fazem parte da memória afetiva e, muitas vezes, associa-se a sala com o filme visto. Assim, quando se falava em Ben-Hur (ou outro filme qualquer) vinha logo à mente, para o carioca, o Metro Copacabana (ou outro Metro do Rio). Com o advento dos complexos de shoppings, as salas são indiferenciadas, iguais, e perdeu-se a atmosfera, o clima característico de cada cinema em particular. Encontrei na internet, sem assinatura, este histórico do Pathé, que vai transcrito abaixo:
"Características físicas: embora o Cinematographo Pathé, inaugurado em 18 de setembro de 1907, seja o cinema existente mais antigo do Rio de Janeiro, poucas informações foram colhidas a respeito do prédio onde se instalara, sabendo-se, pelos comentários de sua inauguração que era “muito amplo, havendo também uma confortável sala de espera”. (6) As projeções animadas que exibiam eram anunciadas como sendo “isentas de trepidação, claras e perfeitas”. (5)

Mudando-se para novo prédio, que ficava ao lado do edifício do Jornal do Brasil, ”possuía um pequeno palco para a realização de conferências” (M. Nunes, v.1. p. 76). E com a formação de uma pequena companhia teatral, organizada por Leopoldo Fróes, as instalações da casa sofreram modificações. “Foi ampliado, apropriado a representações teatrais e construídos camarins, que eram gaiolas de madeira, umas sobre as outras”. (21).

Foi somente na mudança para o prédio da Av. Central 151/153 que, por poucos meses, o Pathé apresentou espetáculos teatrais. A estréia em 12 de maio de 1915 foi com a peça “Mulheres nervosas”, de Blun e Touché, traduzida por Jaime Vitor. Elenco do espetáculo: Lucília Peres, Leopoldo Fróes, Tina Vale, Montani, Julia Vidal, Eduardo Leite, Comendador Matos, Átila Morais, Manoel Pinto e José Castro.

A peça apreentada em duas sessões, com a casa repleta, “fora montada com elegância e a representação tivera um cunho de alta distinção”. (21)

A companhia de Leopoldo Fróes permaneceu até 01 de setembro e o Pathé passou a exibir programas exclusivamente cinematográficos, não se encontrando mais nenhuma notícia a respeito de outros espetáculos de palco.

A inauguração do Pathé, em 1907, exibiu vários filmes, relacionados aqui a título de curiosidade: “Estréia de um patinador; Guarda-chuva fantástico; As duas irmãs; O homem de palha; A caverna da feiticeira; Passeio no campo; Pena de Talião; Clown médico; Danças cosmopolitas e Aprendizagem de Sanchery”. (6). Durante a exibição e nos intervalos apresentava-se um sexteto sob a direção do maestro C. Noli.

O último cinema Pathé, inaugurado em 1928, constituiu “produto do diligente esforço dos irmãos Marc Ferrez, Julio e Luciano” (21). Trata-se de um edifício com as características arquitetônicas comuns aos demais cinemas da Cinelândia, com sua fachada principal voltada para a Praça Marechal Floriano. Seu interior, de amplas proporções, apresentava bela decoração e iluminação, assemelhando-se ao Capitólio e ao Império.

Vinculação: de propriedade particular da família Marc Ferrez, era administrado pela Empreza Arnaldo & Cia."

6 comentários:

Jonga Olivieri disse...

Como pode ver, todo este histórico toda a sua trajetória, quem diria, acabou... Não no Irajá, mas nas mãos do bispo Macedo...

Stela B. de Almeida disse...

Importante e necessária a reconstrução histórica desta memória afetiva. O livro recém lançado do jornalista Gay Talese, Vida de Escritor( 2009,Cia das Letras)traz no capitulo nove, a reconstrução do edifício Frederic J. Schillinger, empresa de embalagem e guarda de peças monumentais da antiguidade. Êle faz referência ao enigma Rosebud ( assisti o filme no casarão da esquina e lembro dos comentários do Professor repetindo a palavra mágica, Rosebud, Rosebud).
As fotografias esmaecidas de Schillinger, em sépia, ajudaram na reconstrução. O Jonga sabe melhor destas histórias, sorte sua!

André Setaro disse...

Jonga virou agora repórter fotográfico do 'Setaro' Blog'. Brincadeirinha nem, por isso, 'menas' verdade, como gostava de enfatizar Sua Excelência.

Romero Azevêdo disse...

Outra grande foto do grande Jonga !
Vibramos pois a série continua.

Jonga Olivieri disse...

É um prazer ser o "repórter fotográfico" do Setaro's.
Entretanto, penso que os cinemas vão acabando.
A não ser que tenhamos uma imagem comparativa, tendo em vista que em muitos casos, existem novos prédios que os substituiram.

André Setaro disse...

O Setaro' Blog, Romero, paga em dólares. Jonga recebe U$5.000 (dólares, dólares!) por sua generosa disponibilidade em ser o fotógrafo oficial do blog e ter apenas a incumbência de, uma vez por mês, e, mesmo assim, quando tem algo a fazer na cidade, dar uns cliques em sua portentosa máquina fotográfica.