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23 julho 2009

"Alguém morreu em meu lugar", com Bette Davis

Exemplar típico do filme de suspense e terror do cinema americano dos anos 60, antes dos efeitos especiais, dos monstros, das sextas-feiras e dos aliens, e das gosmas repelentes, Alguém morreu em meu lugar (Dead ringer, 1964), de Paul Henreid, segue a trilha aberta por O que teria acontecido a Baby Jane? de Robert Aldrich, quando Bette Davis, já envelhecida, com o sucesso deste filme, ficou a repetir papéis de mulher má e severa em fitas de terror. Mas Dead ringer é uma produção bem cuidada, dirigida com competência artesanal, apuro visual, e, descobri, agora, que David Cronenberg tirou o título original de seu Gêmeos, mórbida semelhança, com Jeromy Irons, do filme em questão, que no original é o mesmo: Dead ringer. E há ainda a coincidência de se tratar, ambos os filmes, de obras sobre gêmeos.


Bette Davis, em papel duplo, faz as duas irmãs gêmeas, uma pobre, dona de um bar em local meio suspeito, e outra milionária, casada com um aristocrata riquíssimo, mas que vem a morrer. O filme começa no seu enterro, quando a menos aquinhoada pela sorte comparece a ele e é convidada pela irmã rica para uma visita a sua mansão. De volta a seu bar, vê-se às voltas com o despejo do local por falta de pagamento (onde mora em cima). A rica conta a ela que teve um filho com o marido, mas que morreu. No carro de volta, o motorista lhe revela que nunca teve conhecimento de tal criança. Em sua casa, quando retorna, telefona para a irmã e lhe pede que se encontre com ela no bar. A pobre resolve matar a rica e se fazer passar por ela já que são idênticas. O filme se desenvolve a partir do momento em que uma assume o papel da outra e as surpresas vão se sucedendo até o aparecimento de um amante da irmã milionária interpretado por Peter Lawford. Karl Marden comparece como um delegado que gostava da irmã assassinada e que ajuda a complicar o plano perfeito.


Não há, em Alguém morreu em meu lugar, uma sucessão de sustos como sói acontecer em filmes mais chamativos e apelativos. O desenvolvimento da narrativa tem o vagar necessário para que o espectador possa entrar na história. O diretor Paul Henreid, austríaco, que trabalhou no cinema americano, é aquele ator de Casablanca que fez o papel de Victor Lazlo, o sortudo que fica, no final, com Ingrid Bergman. Antes de chegar aos Estados Unidos, trabalhou em teatro com o expressionista Max Reinhardt.

3 comentários:

Jonga Olivieri disse...

Não sabia que o Victor Lazlo,aliás, Paul Henreid, tinha sequer feito outros fimes (fez?), muito menos que dirigiu algum!

Stela B. de Almeida disse...

Bette Davis ( 1908-1988) morre aos 81 anos com mais de uma centena de filmes realizados, realmente uma vida dedicada ao cinema. Lendo sua postagem lembrei-me que nunca encontrei nenhuma referência a algo como Retrospectiva Bette Davis, ou mesmo, Os melhores filmes de suspense e terror com Bette Davis, ou Filmes inesquecíveis de Bette Davis. Entretanto, os filmes de suepense e terror mais recentes, os aliens da vida gosmentos,como você diz, estes tem (de)formado um público cativo. Paradoxos, muitos paradoxos.

André Setaro disse...

É um horror gótico, meio expressionista, com acentos de filme 'noir', um trabalho que se encontra cada vez mais raro no cinema contemporâneo.