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29 maio 2007

Adeus cigarro velho de guerra!



O bloguista (será blogueiro?) antes do enfarte agudo e das pontes de safena a fumar seu inesquecível cigarro Hollywood, um dos prazeres da vida. Parei de fumar, é verdade, mas nunca entrarei para o bloco dos neuróticos antitabagistas. Sempre que alguém quiser fumar perto de mim terei imenso prazer e, se for o caso, vou procurar fósforo ou isqueiro para acendar o cigarro do próximo, caso ele não tenha fogo. O cigarro foi meu amigo por quarenta anos, considerando que comecei a botar nicotina nos pulmões aos 16. Assim, 40 mais 16 é igual a 56, minha idade atual. Nos últimos anos, fumante, já me senti marginalizado por causa da psicose antitabagista. Gostava, por exemplo, de tomar um chopinho num restaurante árabe num shopping perto de minha casa, mas, ano passado, houve proibição expressa de fumar. Mudei de bar. As pessoas olham de soslaio e de esguelha para aqueles que fumam como se fossem marginais ou estivessem fazendo alguma coisa feia. Mas, pensando bem, verifiquei que está a fazer meio ano que não coloco um cigarro na boca. Consegui me ver livre do coitado. E preciso não tocá-lo, pois me faz mal e pode ser o meu fio condutor para a sepultura. Mas, contrariando médicos, creio que meu insulto cardíaco se deveu à minha herança genética, coadjuvado, lógico, pelo cigarro, pelo álcool, pela vida sedentária, pela alimentação com ingestão de gorduras colasteróicas e trigricéricas. Passou recentemente, domingo passado, no modernoso GNT, um filme sobre o cigarro. Há pessoas com fervor religioso que militam contra o cigarro. Na China, um de seus habitantes, procura pelas ruas quem está a fumar para que apague o cigarro em troca de uma cédula de dinheiro. Há loucos por toda a parte. O cigarro, por seu lado, acompanha o indivíduo nos momentos solitários, fá-lo ficar mais concentrado. Inclusive, no filme da GNT, um intelectual americano disse que é impossível haver hoje uma geração de grandes escritores, por causa dessa mania de não fumar. Segundo ele, os grandes escritores do século XX gostavam muito de fumar. Pode-se imaginar Humphrey Bogart sem o seu cigarrinho? Acho melhor parar por aqui porque senão, terminando de digitar este post, vou ali, na esquina, comprar uma carteira de Hollywood (o vermelho, o vermelho).
Comecei a fumar Continental sem filtro e passei pouco tempo depois para o Hollywood, cuja carteira, vermelha, com o H gótico, lembro-me muito bem. Era também sem filtro. Creio que foi em 1966 que chegou, com grande estardalhaço, e deslumbramento para os amantes de Hollywood, o Hollywood com filtro. Foi uma novidade, mas alguns, mais conservadores, mais tradicionalistas, na sua ânsia de ter a melhor fumaça, diziam que nunca iriam aderir ao com filtro. Mas a própria Souza Cruz acabou com o Hollywood sem filtro, obrigando todos os hollywoodimaníacos, como eu, a adotar o com filtro, que era companhia inseparável. Onde estivesse, dentro de meu bolso, lado esquerdo da camisa, em cima do coração, a carteira de Hollywood, aberta pelo meio, parede e meia com a minha esfereográfica. Naquela época se falava muito na excelência do cigarro importado, que era vendido no contrabando. E nenhuma casa deixava de ter seus cinzeiros de vidro (alguns de cristal), grandes, que faziam vista àquele que chegava de visita a uma residência naqueles anos dourados. Fumava-se em qualquer lugar e havia beleza nisso. Não havia os naturebas, os eco-chatos, entre muitos outros, a desgraça do politicamente correto ainda não imperava para mediocrizar a vida do homem contemporâneo. Era bonito se tomar um porre, vomitar bílis, ficar embriagado, beber todas. Eu, por exemplo, ainda que não fume para não morrer, adoro o cigarro, acho bonito uma pessoa que fuma. E gosto muito de carne vermelha, sangrando, para fazer, com o sangue, uma farofa vermelha.

5 comentários:

Á. disse...

o "continental" eu só peguei com filtro... uma pena!

grande abraço, lindo blog e se cuide.

Jonga Olivieri disse...

Dizem alguns registros que a primeira ação anti-tabagista surgiu na Alemanha naziata.
Considero o atual movimento contra o cigarro da forma que é como uma atitude fascista.
A desculpa de "fumante passivo" para mim é uma grande farsa. E a poluição de monóxido de carbonoo (e outras coisas piores) que a gente respira?
Não fumo cigarro há mais de 20 anos. Passei pro meu cachimbo, que aliás, só fumo em casa e lugares reservados.
Mas também me porto desta maneira: permissivo. Acho que as pessoas têm o direito de fumar. É uma opção.
P.S - boa foto...

mare de maio disse...

Setaro e Jonga aqui pontificam. Em sua inabalavel posição de grandes próceres do cinema nacional e quiça internacional, emitem opinioes abalizadas sobre tudo. Sabem. Onde aprenderam? Nao importa. O que importa é que sabem, ou melhor, dizem que sabem (mas qual a diferenca, nestes dias de axézismo exarcebado?). Não só cinema, mas tudo. Realmente nada escapa a percepcao aguçada, conhecimento ao mesmo tempo profundo e abrangente, e a sapiencia destes dois grandes bachareis de porra-nenhuma. A Bahia agradece a existencia destes verdadeiros medalhoes de nossa cultura.

Joana disse...

queria ajudar o meu namorado a parar de fumar...

claudiamendes disse...

TENHO UMA COISINHA MARAVILHOSA ATÉ PARA QUEM CINTINUA FUMANDO!!!!

CLAUDINHA MENDES!!!