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09 dezembro 2008

Do imortal Romero Azevedo


Romero Azevedo e Rômulo, seu irmão gêmeo, são os mais novos imortais da Academia Paraibana de Cinema como membros fundadores. Romero, paraibano da gema, de Campina Grande, onde é professor de cinema, cineclubista das antigas, conheci-o no já distante ano de 1976 (há medonhos e estarrecedores 32 anos), quando veio a Salvador participar de um curso de cinema promovido pelo Instituto Goethe e o Grupo Experimental de Cinema (de Guido Araújo). O curso, que se queria profissional, com um ano de duração, teve um excelente corpo docente: Jean-Claude Bernardet, Jurandyr Passos de Noronha, José (Zequinha) Mauro (filho do consagrado Humberto), José Abade, Peter Przygodda (sim, o montador preferido de Wim Wenders e de notáveis outros diretores alemães), entre outros que não me vêm à lembrança no momento. Peter dava aulas de montagem na moviola do Goethe (também conhecido como Icba) a beber garrafas de cerveja Antarctica 600ml no gargalo. Pois bem! Romero veio fazer o curso, que fiz também e vim, por isso, a conhecê-lo melhor, pois fomos colegas. A dizer a verdade, já o conhecia de vista e de chapéu de jornadas passadas, mas sempre en passant. A memória registra que quase toda noite, à saída do Jardim do Icba, que tinha um bar e restaurante, point obrigatório nos anos 70, espichávamos ao Avalanche, um bar que ficava no bairro do Canela - e que também fez história nessa época. A cerveja corria solta - e gelada. Ficava impressionado com os conhecimentos de Romero sobre cinema. Detalhista, sabia de tudo. Era um prazer conversar com ele, apesar de suas botas texanas que somente as tirava para dormir. Nestes bons tempos, já escrevia sobre cinema no jornal Tribuna da Bahia e ia semanalmente às distribuidoras pegar material de divulgação dos filmes que iam ser lançados. O escritório da Embrafilme vivia os seus dias de glória e arranjei muitos cartazes de filmes brasileiros para o acervo de Romero. O fato é que Romero é um fenômeno de conhecimento, de inteligência e, mais importante de tudo, possui excelente senso de humor. Talvez agora, imortal, não venha mais a falar comigo, pobre mortal que sou!
E por que não se funda aqui também uma Academia Baiana de Cinema?

4 comentários:

Romero Azevêdo disse...

Caro Setaro, este post é consagrador. Não o mereço mas agradeço do fundo do coração sua generosidade para com esse seu amigo de mais de três décadas.
Você, na modéstia de sempre, não disse que sua presença no curso do ICBA valorizava sobremaneira o corpo discente pois, já naquela época, tratava-se do mais importante crítico de cinema de Salvdor, inconteste continuador( em gênero, número e grau) da obra de Walter da Silveira, com a vantagem do momento presente.O curso para você era um passatempo pois chegou ali já sabendo de tudo, cobra criada nos mistérios de luz e sombras.
Muito obrigado Grande André Setaro.

Jonga Olivieri disse...

Parabéns Romero. O conheço através deste blogue, mas fiquei feliz com a notícia.

Romero Azevêdo disse...

Obrigado Jonga.

Rui Luis Lima disse...

Caro André Setaro
Obrigado pelo seu comentário no "paixões e Desejos". A net possibilita esta comunicação maravilhosa entre cinéfilos, com um oceano a navegar entre os continentes, tenho pena que o cinema brasileiro não chegue até nós com a regularidade desejada. Já os livros de cinema editados por aí, vão aparecendo por cá, embora os preços não sejam muito convidativos, temos descoberto autores que nos merecem o prazer da leitura cinematográfica.
Abraço cinéfilo e continuação de excelentes posts, na sua divulgação da Sétima Arte.
Rui Luís Lima