Seguidores

24 fevereiro 2008

O mais belo animal do mundo



Ava Gardner foi considerada o "mais belo animal do mundo". Era uma mulher belíssima, mas aproveitou pouco da vida (1922/1990), pois no final, alcóolatra, mas ainda em boa idade, já demonstrava no rosto os sinais exteriores da decadência, como se pode ver em 55 dias em Pequim, de Nicholas Ray. Sua beleza foi fulgurante, abateu duramente Frank Sinatra, que, abandonado por ela, tentou o suicídio. Aqui ao lado a vemos ainda no auge, em 1954, como Maria Vargas, em A condessa descalça (The barefoot contessa), de Joseph L. Mankiewicz. Grande cineasta, talvez o mais intelectual dos realizadores americanos, um mestre nos diálogos. Um de seus filmes mais famosos, A malvada (All about Eve, 1950) está sendo exibido pelo híbrido Telecine Cult em versão colorizada, e, na página da programação, ainda se tem a desfaçatez de colocar que o filme é "colorido". Há possibilidade de se processar o canal? Não, Marcelo Janot, você não tem nada com isso. Mas Mankiewicz, que tem muitos filmes bons, tem um meio esquecido, um western, que considero magnífico: Ninho de cobras (The was a crocked man, 1970), que reúne, pela primeira vez, Henry Fonda (soberbo!) e Kirk Dougas. Antológia a seqüência na qual os dois tomam banho em banheiras de madeira. Creio que não existe DVD deste filme. Cineasta dos diálogos e dos espaços fechados, a exemplo de Jogo mortal (Sleuth, 1972), sua despedida do cinema com chave de ouro, a reunir dois monstros, Laurence Olivier e Michael Caine, quando anunciou que iria fazer um western, achou-se que não seria o gênero, como se diz agora, sua praia. Mas se saiu com elegância e perfeito equilíbrio em Ninho de cobras. Há filmes que, exibidos, desaparecem da memória. Ontem, de repente, vi a parte final de O último tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, que tanto escândalo causou nos anos 70. O canal MGM, no entanto, cortou a cena da dança final na qual Marlon Brando baixa as calças. Uma intromissão que abala profundamente a integridade da obra cinematográfica. Além do mais, a MGM passa muito filme dublado e tem o péssimo hábito de fazer intervalos durante a exibição dos filmes, o que afasta sobremaneira a possibilidade de um contato cinéfilo.

2 comentários:

Jonga Olivieri disse...

Ava Gardner foi uma das mulheres mais bonitas e sensuais do cinema enm todos os tempos.
Tenho um amigo (ilustrador publicitário) que sempre dizia: "... quando quero desenhar uma mulher bonita... muito bonita, sem querer desenho a Ava Gardner!"
Uma declaração contundente.

Anônimo disse...

Faço o que posso, caro Setaro. E me foi informado que os filmes passam assim porque os estúdios mandam as fitas desta maneira, não é o canal que as vulgariza para contemplar uma audiência mais ampla.

saudações coenianas
Janot