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24 fevereiro 2008

Chaplin: o tempo, implacável, o esqueceu

Antes de falar de Chaplin, motivo deste post, um parentesis:
Este negócio de chamar Tropa de elite de fascista não tá com nada. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o realizador Walter Salles, que há 10 anos atrás recebeu o mesmo urso dourado dado ao filme de José Padilha, com Central do Brasil, assim respondeu (o que concordo em gênero, número e grau).
Folha - O filme foi acusado de "fascista". Você achou surpreendente que um festival presidido por um cineasta de esquerda, como Costa-Gavras, premiasse "Tropa"?
Salles - Uma das características mais interessantes do filme é justamente a de embaralhar esses conceitos. Um exemplo: dois críticos tão respeitados quanto Cássio Starling Carlos, da Folha, e Thomas Sotinel, do "Le Monde", leram o mesmo filme de forma inteiramente diferente.
Mais mudando de alhos para bugalhos, o fato é que o velho e bom Charles Chaplin anda mesmo muito esquecido. Fiz ligeira pesquisa em locadoras e verifiquei que o grande artista, ícone do século XX, não é procurado pela nova geração. Chaplin é conhecido pela sua figura estampada em camisetas, posters, citações, mas seus filmes não são vistos, estão esquecidos. O relançamento, há alguns anos, de O grande ditador, na tela grande do cinema, não foi bem no box office. Poucos aqueles que se atreveram a sair de casa para ver esta obra-prima. E todos os filmes do clown foram lançados em excelentes cópias em DVD patrocinadas pelo espólio do cineasta e vigiadas pelos seus descendentes. Cada filme tem extras fantásticos com um grande realizador a proceder uma análise cuidadosa de cada obra. Bernardo Bertolucci, a falar de Luzes da ribalta (Limelight, 1953), por ocasião de sua apresentação em uma cidade italiana, quando fez, em 2003, 50 anos desde a sua realização, chega a chorar. Claude Chabrol faz observações bem instigantes a respeito da maestria de Monsieur Verdoux. Emir Kusturica fala de O circo. E mais, muito mais. Vou fazer a próxima pesquisa, para os gatos pingados que ainda têm coragem de ler este blog, sobre Chaplin. Desde já, porém, devo dizer que o meu Chaplin favorito é Luzes da cidade (City lights, 1930), embora goste muito de todos. Segundo os historiadores, o mais cotado é Em busca do ouro (The gold rush, 1925) por se constituir, talvez, na mais emblemático, um modelo clássico da comédia chapliniana. Mas fico ainda estarrecido pela poesia de Luzes da ribalta e pelo humor negro de Monsieur Verdoux, o Chaplin pelo avesso no dizer de Walter da Silveira em seu imprescindível Imagem e roteiro de Charles Chaplin. Se não me engano, foi Jonga Olivieri quem viu mais de dez vezes Tempos modernos. Talvez esteja enganado.
Chaplin, assim como Kubrick, levava muitos anos entre um filme e outro. Lançado Luzes da cidade, em 1930, somente seis anos depois, em 1936, veio a apresentar Tempos modernos (Modern times). E O grande ditador somente foi dado ao público em 1941. Cinco anos se passaram para a emergência de Monsieur Verdoux, em 1946, e mais sete para o aparecimento de Luzes da ribalta. Centenas de livros foram escritos pelos mais gabaritos intelectuais do século sobre o fenômeno chapliniano, a se destacar, entre muitos, os de George Sadoul e Elie Faure. O público ficava ansioso a aguardar "o próximo Chaplin". Impressionante se constatar, num documentário que faz parte dos extras de Limelight, as filas quilométricas para a sua avant-première londrina (com a presença da recém-empossada Rainha Elizabeth). Chaplin tinha acesso direto aos maiores estadistas da época para refletir, com eles, os destinos da humanidade.

5 comentários:

Jonga Olivieri disse...

É, de fato uma pena que a obra de Chaplin esteja aos poucos sendo relegada a um plano de esquecimento.
Mas existem alguns fatores como a distância entre a realidade do mundo em que viveu, suas temáticas e preopcupações com a de hoje, no cenário da "ideologia" alienante do capitalismo pós-moderno.
Questionamentos de raízes sociais, que foi o tema marcante em Chaplin incomodam muito o pensamento oficial de nossos dias.
O "vagabundo", um personagem tão comum em nossos tempos não está mais sendo compreendido em toda a sua dimensão.
Seus filmes, no entanto são profundos. "Tempos modernos" (que ralmente assisti muitas vezes), não sei precisar quantas, pois tinha a cópia VHS dele e constantemente assistia a trechos imperdíveis, eu realmente considero sua obra mais expressiva.
Não que outras não o sejam. "Luzes da cidade" é de fato uma obra-prima. E sua trilhas sonoras exemplares.
Como todo gênio, um dia será entendido novamente.

cris_souza disse...

É realmente lamentável que algo de tal magnitude ocorra, ainda mais num momento em que seria precioso que as atuais gerações conhecessem o adorável Carlitos, como tantas outras personalidades, ficcionais ou não, que deveriam ser conhecidas por essa meninada.Não poderiam estar num contexto de "pós-modernidade" sem antes ter conhecido "Tempos Modernos", por exemplo.
Um abraço professor!

Anônimo disse...

CHAPLIN SEMPRE SERÁ "GENIO".
NO BRASIL VIRGINIA DE MAURO "A LULLY" DE BETO CARRERO É O EXEMPLO DE LANÇAMENTO DE OUTRO GÊNIO QUE LUTOU E MONTOU A NOVA ROTA TURISTICA E O MAIOR PARQUE DE DIVERSÕES DA AMERICA DO SUL.
CHAPLIN E BETO CARRERO NÃO MORREM VIRAM JÓIAS NO NOSSO PENSAMENTO E EXEMPLO PARA HISTÓRIA E PARABENS PELO BLOG. VOU RECOMENDAR.

Anônimo disse...

CHAPLIN SERA SEMPRE GÊNIO SEM DUVIDA.
COMO VIRGINIA DE MAURO QUE FOI DESCOBERTA POR OUTRO GÊNIO: BETO CARRERO.
EXEMPLOS DE MUDANÇA NA HISÓRIA MUNDIAL E SERÃO LEMBRADOS ETERNAMENTE.
PARABENS PELO BLOG.

Karina disse...

Chaplin é inquestionavelmente o maior gênio do cinema de todos os tempos. Fiquei surpreso com sua postagem, pois é realmente difícil encontrar na web pessoas que se interessam pelo grande cineasta que é Charles Chaplin. Tenho um Blog que dediquei exclusivamente ao Carlitos, aguardo sua visita.
Parabéns pelo Blog.

Hallyson

http://charliechaplin.wordpress.com