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22 janeiro 2008

Graça, beleza e estilo: Shirley MacLaine


Revi, há poucos dias, a extraordinária comédia Se meu apartamento falasse (The apartment, 1960), de Billy Wilder, que me fascina há décadas, e me lembrei que Shirley MacLaine era uma das minhas atrizes preferidas, pois uma comediante total, que atua bem, dança, canta, uma profissional completa, além de sua graça e beleza particulares, encantadoras.Dando um busca no maior banco de dados de cinema do planeta, o IMDB, vim a verificar que a minha musa já se encontra com severos 73 anos (nasceu em 1934, 24 de abril).Acompanhei sua carreira com o andar de minha carruagem existencial, e o primeiro filme que vi com ela foi A volta ao mundo em 80 dias (Around the world in eighty days, 1956), superprodução de Michael Todd dirigida por Michael Andreson (soube que Oscarito foi convidado para o papel de Passpartourt, mas o grande e genial artista brasileiro se recusou porque não queria viajar, largar a sua feijoada aos domingos, na Penha, onde morava, e foi substituído por Cantiflas). Um filme naquela época demorava muito para ser lançado no Brasil. A volta ao mundo em 80 dias, por exemplo, produzido em 1956, somente dois anos depois teve sua estréia na Bahia. O mais demorado de todos, Os dez mandamentos, de Cecil B. De Mille, que também produzido em 1956 somente veio a ser lançado em Salvador em 1960. Quatro anos de atraso!

Ainda que menino de calças curtas, apaixonei-me logo pela Princesa Aoura, o seu personagem no filme de Michael Tood. Antes, no entanto, MacLaine já tinha participado de outros filmes - que somente pude vê-los depois nas reprises: Artistas e modelos (Artists and models, 1955), de Frank Tashlin, comédia acima da média onde já se pode encontrar os sinais da genialidade de Jerry Lewis, e O terceiro tiro (The trouble with Harry, 1955), de Alfred Hitchcock.

A verdadeira persona de MacLaine ainda estava por vir.E aparece em Deus sabe quanto amei (Some came running, 1958), drama áspero de Vincente Minnelli que o tenho entre os meus favoritos. No mesmo ano de The apartment, 1960, carreira consolidada, trabalha em mais dois filmes Onze homens e um segredo (Ocean' eleven), de Lewis Millestone (que Soderbergh se inspirou para três filmes, mas todos inferiores ao original), e Can Can, de Walter Lang, musical com Maurice Chevalier, Louis Jordan, Frank Sinatra, que passou há algum tempo no Cult mas que não pude ver, porque deformado na abominável tela cheia (full screen), quando o filme é orignariamente em cinemascope.

William Wyler convida a esfuziante MacLaine para um papel contido em filme sério sobre lesbianismo, que desagradou os padrões morais da época: Infâmia (The children' hour, 1961), onde divide o elenco com Audrey Hepburn. Tenho uma relação afetiva com Minha doce gueixa (My Geisha, 1962), de Jack Cardiff, diretor inglês bissexto mas um grande diretor de fotografia, porque o vi adolescente e a minha memória lhe foi seletiva. Vi lançado em DVD. Será que ainda tem a capacidade de encantar? O seu par, neste comédia romântica, é Yves Montand na sua fase americana depois do sucesso de Adorável pecadora (Let's make love, 1960), de George Cukor.

Não pretendo aqui esmiuçar a filmografia dessa grande atriz, mas citar apenas alguns filmes encantadores nos quais ela participou, a exemplo de Irma, la douce (1963), de Billy Wilder, Um marido de reserva (The bliss of Mrs. Blossom,1968), de Joseph MacGrath, Sweet Charity (1969), de Bob Fosse, Os abutres têm fome (Two mules for sister Sara, 1970), western com Clint Eastwood dirigido por Don Siegel, Laços de ternura (Terms of endearment, 1983), com Jack Nicholson, Madame Sousatzka (1988), de John Schlesinger.

Nunca tive o privilégio, porém, habitante de província que sou, de vê-la no palco nos seus brilhantes Shirley MacLaine in concert. Mas como tudo na vida, a grande estrela não tem mais condições de cantar e dançar como antes, mas está, ainda, a trabalhar em filmes alguns com lançamentos previstos para 2009.

Tudo isso para dizer apenas isso: Eu te amo Shirley MacLaine!!
E leiam-me no Terra Magazine de hoje quando faço uma homenagem a Federico Fellini e aos 50 anos de Cabíria.

5 comentários:

Romero Azevêdo disse...

Sorte teve o durão Robert Mitchum que manteve um longo affair com a belíssima Shirley. Parece que as belas preferem mesmo os feios.Por falar na dupla, incluo na lista "Dois na gangorra".
Mas foi em 1987 que la douce MacLaine participou de um filme que mostrava mais seu lado interior(também muito belo)"Minhas Vidas", roteirizado por ela mesma(com a colaboração de Colin Higgins)e baseado em sua autobiografia.
As experiências misticas da atriz causaram polêmica( como sempre) na materialista América do Norte.

André Setaro disse...

Sim, escapou este, "Dois na gangorra" ("Two for seesaw", 1962), dirigido pelo competente Robert Wise (De "Punhos de campeão", "Quero viver", entre outros), filmado em cinemascope e preto branco, ótimos diálogos, perfeita química entre os dois intérpretes (MacLaine já deveria esta a namorar Mitchum), mas um tanto quanto teatral. Depois, ano e meio, trabalharia novamente com Mitchum em "A senhora e seus maridos" ("Whata a way to go", 1964), que tem um elenco superpovoado, a destacar Gene Kelly, Paul Newman, Dean Martin, Mitchum, Robert Cummings, Margaret Dumont (que trabalhava em quase todos os filmes dos Irmãos Marx, Dick Van Dyke, etc. O argumento é interessante, mas a direção de Thompson um pouco engessada. Vi há pouco tempo no disquinho mágico.

Jonga Olivieri disse...

Shirley é um ícone do cinema. A atriz impecável não deisxou se abater pelo tempo e manteve sua integridade profissional em tantas fases e épocas diferentes.
Valeu a homenagem...

Pedro Britto disse...

Professor, não sei se é o caso do seu, mas existem televisores que deformam eles próprios a imagem que aparece na tela. O meu, por exemplo, deforma em três formas, põe em fullscreen, põe com zoom e põe em cinemascope. Dessa forma, vc pode, como posso dizer, "desdeformar" os filmes que passam no telecine. É a solução que eu utilizo. Digo isso pela pequena investida, neste post, entre muitas no seu blog, contra o fullscreen do Cult.

Anônimo disse...

Olá.Tenho 23 anos, me chamo Marcela.Tudo bem?
Estava na interner procurando mais informaçoes sobre Shirley MacLaine e encontrei o que escreveu sobre ela.Magnifico.Adoro Shirley Maclaine!O primeiro filme que me lembro perfeitamente que a assisti foi "Dizem por aí".Amei a interpretaçao dela.Um humor fantastico, natural, solto...Depois assisti "Em seu lugar","Minha doce geisha" ,"Laços de Ternura", "Flores de Aço".
Fiquei encantada em todas suas atuaçoes, mas "Laços de Ternura" é incrivel."Minha doce Geisha" tb!!Sim,me encantou.Minha mae sempre falou sobre esse filme.Ao entrar em uma loja o encontrei em DVD.Tinham acabado de lança-ço em DVD!Comprei e dei pra minha mae!Assistimos e eu achei maravilhoso!
Espero poder assistir aos outros filmes dela.Breve quero asssistir: "Deus sabe quanto te amei"!!Muito obrigada pelas dicas dos filmes dela e tudo que escreveu sobre ela.Ela merece!Viva Shirley MacLaine!
Um beijo
Marcela