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11 janeiro 2008

Do Canal Brasil



Porque tenho assinatura da Net, vejo sempre o Canal Brasil, que exibe muitos filmes brasileiros importantes. O Canal Brasil, no entanto, já foi melhor, assim como a rede Telecine, que, ao alvorecer do ano 2000 tinha, por exemplo, o Classic, que chegou a passar uma retrospectiva de Lubtisch de importância fundamental. Foi a primeira vez que vi Ladrões de alcova (Strangers on paradise), que é uma obra-prima e de um amoralismo surpreendente, porque realizado antes do surgimento do malfadado Código Hays. O Canal Brasil, nesta época, passava muitos filmes do Cinema Novo, as grandes chanchadas, entre outras raridades. Mas atualmente, em função do maldito mercado, privilegia o clipe musical o qual é apresentado por várias horas seguidas. Há, evidente, uma preocupação em relação ao mercado e, para obter mais sucesso, o canal foi buscar programas mais chamativos, a diminuir, com isso, a qualidade. Quantidade em detrimento da qualidade. O fillet mignon do canal, exceção se faça aos filmes brasileiros, é a programação que se situa no horário nobre, sempre às 21 horas e 30 minutos de segunda a sexta. Exceção destes horários, ainda que possa omitir algum outro bom programa, há Letras Brasileiras, com Roberto Menescal e Oswaldo Montenegro, É Tudo Verdade, Retratos Brasileiros, Estúdio 66, de Roberto Silveira, e o Cine-Jornal, com a simpática e cada vez mais profissional Simone (esqueci agora seu sobrenome: Ziggolato, algo assim, Espelho, de Lázaro Ramos, etc.

Entre os programas da faixa nobre os destaques vão para Tarja Preta, de Selton Mello (sexta), Todos os homens do mundo, de Domingos de Oliveira (quarta), Espelho (segunda), e Sem Frescura, de Paulo César Pereio. Tarja Preta já se firmou pela tônica do humor e o seu apresentador sabe conduzir uma entrevista, a extrair dela informações importantes e dar o ar de sua graça. Além do bloco de entrevista, sempre uma conversa bem humorada, os sketchs de humor, o uso da partitura musical. Já o programa de Domingos de Oliveira (agora se assina Domingos Oliveira, mas, antes, tinha o "de") substituiu um outro dele, Todas as mulheres do mundo, título do filme que o consagrou. Neste d'agora é Priscilla Rozembaum, sua mulher, a condutora, embora o marido sempre apareça e é o narrador que descreve o entrevistado. Domingos tem muito talento, um humor constante, e o resultado sempre se encontra acima da média.


Paulo César Pereio é uma lenda do cinema brasileiro, principalmente do Cinema Novo. Já mais velho, desde alguns anos conduz Sem Frescura. Mas, apesar da figura do apresentador, displicente, com ar de quem não está interessado no que diz o entrevistado, há um descuido muito grande na sua dicção. Fala de um modo que não se entende direito o que está a dizer, e isto incomoda muito a quem se encontra vendo o programa. Quando intérprete, nos filmes, tinha boa voz, mas agora, tal a displicência, fala como se estivesse já tomado umas e outras numa mesa de bar. E seus entrevistados nem sempre são pessoas interessantes.


Há um outro programa, que me lembrei agora, que sofre também de problemas: Retalhão, que é apresentado por Zéu Britto. Como o nome já diz, é um colcha de retalhos (cantos gerais, clipes ruins, e o apresentador em cada programa num determinado lugar). Zéu Britto precisa, e urgentemente, parar de dar aquelas gargalhadas que além de não serem engraçadas sempre estão a incomodar o espectador.


No mais, vida longa ao Canal Brasil.

2 comentários:

Vinicius Silva disse...

Meu pacote da sky nao tem o canal brasil e nem a rede telecine, mas já estou a mudar para a Net, visto que é muito mais barato e tem um pacote ainda maior de canais.

De qualquer maneira, lembro-me apenas de um programa que passa na quinta-feira, que foi até na semana em que o Arnaldo Antunes fora convidado. Durante essa semana, o sinal do canal brasil estava aberto, por isso pude acompanhar um pouco da sua programação. E esse programa, cujo nome não me recordo, parecia ser bem interessante, uma espécie de faixa comentada do artista. Na ocasião, Arnaldo ainda cantou a música "Saiba" e "2 Perdidos". Gosto muito do trabalho que o Arnaldo Antunes desenvolve e dentro desse programa eu pude conhecer mais a paixão que ele tem pelas letras e como desenvolve isso.

Mas não é só o canal brasil que sofre deste mal Setaro, acho que a televisão como um todo. Agora mesmo começou o maldito BBB. Tem que ter muita paciência.

cris_souza disse...

0lá professor!!
Que bom que pude "encontrá-lo", mesmo sendo na net.E que bom que está bem, ainda muito ativo.estou cursando Ciências Sociais na UFBA, espero um dia encontrá-lo em algum evento (vou ficar atenta).Concordo com suas considerações sobre o Canal Brasil e realmente o que mais agrada são os filmes - tantos que não consigo ver na telona, estou conseguindo ver lá - e os poucos programas que citou.Sempre acompanho seu blog (que descobri através do jornal da FACOM).Um abraço, Cristine.