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06 junho 2007

De melhores


Considero Ruy Castro um escritor de ampla erudição que não se escora nos jargões da maldita contemporaneidade. Sua escrita envolve, tem fluência, e, além do mais, conhece muito cinema - seu livro Um filme é para sempre, já o disse aqui, é imprescindível para todos aqueles que dizem gostar da arte cinematográfica. Mas, navegando pela internet, por falta do que fazer, deparei-me com um site (http://epoca.globo.com/especiais_online/2001/junho/08_filmes/juri.htm ) que tem a relação dos melhores filmes de diversas personalidades. Quem estiver interessado em ver os melhores dos outros que acesse o site indicado. Publico aqui a lista de Ruy Castro. Acho um tanto exagerada a inclusão de E Deus criou a mulher, filme de Vadim que lançou, forever, o mito BB, obra que tem sua data e sua circusntância, e não vejo também tanto valor assim, para figurar numa lista dos melhores, o musical Kiss me Kate (Dá-me um beijo), mas tudo é relativo, tudo é questão subjetiva. Castro não colocou o Kane perpétuo e vitalício de Orson Welles e, aqui para nós, A laranja mecânica é mais forte do que o Dr. Fantástico. Na minha opinião, uma lista não pode deixar de fora Fellini. Fico, numa hipotética minha lista com Oito e meio talvez no seu topo. Compreendo, por outro lado, a sua inclusão de Confidências à meia-noite (Pillow take), pois uma sophisticated comedy de alto nível esnobada pela crítica mais compenetrada, 'tonta e grave'. A lista de Castro vai aqui como curiosidade de cinéfilo e por ser a lista de um homem culto versado em cinema.


1-) O gabinete do Dr. Caligari (1919), de Robert Wiene

2-) Luzes da Cidade (1930), de Charles Chaplin

3-) Ladrão de Alcova (1932), de Ernest Lubitsch

4-) Contrastes Humanos (1942), de Preston Sturges

5-) À Beira do Abismo (1946), de Howard Hawks

6-) A Malvada (1950), de Joseph L. Mankiecwiz (grafia incorreta)

7-) Crepúsculo dos Deuses (1950), de Billy Wilder

8-) Dá-me um Beijo (1953), de George Sidney

9-) E Deus... Criou a Mulher (1956), de Roger Vadim

10-) Um Corpo que Cai (1958), de Alfred Hitchcock

11-) Confidências à Meia-Noite (1959), de Michael Gordon

12-) Uma Mulher é uma Mulher (1961), de Jean-Luc Godard

13-) O Homem que Matou o Facínora (1962), de John Ford

14-) Jules et Jim (1962), de François Truffaut

15-) Dr. Fantástico (1963), de Stanley Kubrick

7 comentários:

beatriz disse...

caro amigo desconhecido, agradeço o convite para entrar na comunidade
de Costa..., mas eu seria muito oportunista se aceitasse, não conheço quase nada deste cineasta, para falar a verdade curto muito mais livros do que filmes, e sempre que vejo um filme onde anteriormente houve um livro, fico decepcionada, assim com vc deve estar comigo por não curtir essa paixão por cinema. claro que gosto de alguns fimes, só para vc perceber minha pouca inclusão no mundo do cinema, vou citar para vc, meus filmes preferidos e nem se atreva a pedir o diretor,vamos lá : um violinista no telhado, o piano, a festa de babethe, amarelo manga, e eu não saberia continuar a enumera los pois filmes para mim são como amantes lembro de uma cena, um cheiro, de um dialogo, da fotografia do perfil, das musicas e tudo forma um caledoscópio de cores e gestos, complexo demais para separa los e classifica los. Sim, gostei do seu artigo sobre o cigarro, adoro fumar, agora mesmo que estou com um braço quebrado, estou peleando para digitar com dois dedos e segurar o cigarro ao mesmo tempo. Se puderes ter um amiga que não cultua a tua paixão com tanto discernimento, adoraria continuar a conversar com vc. Que os Bons ventos nos aproximem.

André Setaro disse...

Embora tenha deixado de fumar, se você é fumante, cara Beatriz, tenha, desde já, a minha simpatia, a minha compreensão. Gostei de saber que está digitando com dois dedos e com os outros dois a segurar o imprescindível cigarinho. Mas houve um engano: não pertenço a nenhuma comunidade de Costa Gavras.

Roberto Eliseu disse...

Acessei o link pra matéria e o que me espantou foi esta lista aqui, de um cara que ainda se diz "crítico"...

CELSO SABADIN (Crítico)

Excalibur
Os Eleitos
Fama
Cantando na Chuva
A Felicidade Não Se Compra
Reds
Na Época do Ragtime
O Iluminado
O Sexto Sentido
2001 Uma Odisséia no Espaço
Cinema Paradiso
Central do Brasil
O Trem da Vida
Tempos Modernos
Os Pássaros
Caçadores da Arca Perdida

André Setaro disse...

Destes, rio-me; dos outros, sorrio-me.

André Setaro disse...

Mas Beatriz, relendo o seu comentário, achei-o delicado e revelador de ser você pessoa sensível que sabe captar as 'essências'.

Jonga Olivieri disse...

Imperdoável de fato a não inclusão de "Cidadão Kane" de Orson Welles. E quanto a Fellini.. sem comentários.
É muito difícil (sempre) eleger os "10 mais". A inclusão de "Confidência à meia-noite" eu não concordo. É uma comédia assistível, muito boa. Mas, estar entre as 10 melhores produções de sempre! Acho um pouco forçado.
Bom. Cada cabeça, uma sentença. Também respeito o autor da lista, mas discordo nesses aspectos.
Mas, como disse -- e repito -- é muito difícil concluir uma lista da responsabilidade dessa.

André Setaro disse...

É verdade, Jonga, ao se pensar na imensidão de um Visconti, de um Fellini, de um Antonioni, de um Kurosawa, de um Jean Renoir, de um Orson Welles, entre tantos e tantos que, citados, passariam dos limites impostos em linhas ao comentário, não se pode entender a inclusão de 'Confidências à meia-noite', de Michael Gordon, ainda que comédia inteligente, sofisticada, diálogos inteligentes, timing perfeito, etc. Acredito que Ruy Castro quis fazer uma esnobação. Vi recentemente com sofreguidão 'O gabinete do Dr. Caligari' e com olhos bem abertos de arqueólogo e não de cinéfilo.