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30 abril 2007

Coisas de discos e fitas



Quando surgiu, o DVD recebeu muitos panegíricos, que ressaltavam sua durabilidade, sua excelência em relação a fita magnética, a definição da imagem, etc. É verdade que esta última característica é inegável. Quem já se acostumou com o DVD dificilmente aceita as imagens vaporosas do vídeo. Além do mais, hoje, o cartucho deste parece algo dinossáurico, pré-histórico enquanto que o disco é pequeno, leve, bom de levar. Mas há algum tempo que observo que sempre tenho problemas com os DVDs alugados em locadoras. Quando são novos, tudo bem, excetuando-se acidentes de percurso. Mas em relação a DVDs mais antigos, a coisa está feia. A conclusão que cheguei é a de que a fita magnética tinha durabilidade maior nas locadoras - nas locadoras, bem entendido. Inclusive porque fica fechada, dentro do cartucho à primeira vista inviolável. O disco não, está à disposição das ranhuras e gralhas, da mão gordurosa que o pega, dos riscos quando, por acaso, cai ao chão. Resultado: muitos DVDs que alugo não os consigo ver do meio para o fim, porque ficam pulados, quando não há paralização completa, espécie de congelamento, da imagem. Já o DVD que você compra para seu deleite a coisa é outra. Com cuidado, o disco, realmente, pode durar para sempre. Mas a coisa ainda está para estourar. Confidenciou-me um proprietário de locadora que está tendo grandes prejuízos com os DVDs estragados, que ele, consciente, tira das prateleiras. A locadora na qual alugo, perto de meu prédio, deixa nas prateleiras muitos DVDs riscados e possui, para refutar qualquer reclamação, um aparelho de DVD que lê até osso de defunto. Aconteceu comigo: fui reclamar de um DVD que não consegui ver do meio para o fim e a atendente da locadora, ouvida a minha queixa, colocou o disquinho no tal aparelho, que leu tudo do meio para o fim. E saí, ainda por cima, com fama de mentiroso. Na verdade, ela, que, no fundo, sabe que estou dizendo a verdade, com a maior desfaçatez, apoiada no DVD que lê osso de defundo, disse-me: "O problema está no aparelho do senhor!"
A imagem que se vê, inclusa neste post, é a de um cartaz japonês de Repulsa ao sexo (Repulsion, 1965), de Roman Polansky, com Catherine Deneuve, um de seus grandes momentos, produção inglesa, de um realizador que mal tinha saído de sua Varsóvia, para enfrentar a Europa e o mundo, e dá um pontapé certeiro ao alvo com Repulsion. A criação da atmosfera, a partitura pontuando as aflições da personagem, um universo opressivo e esplêndido como cinema.

Um comentário:

Hildebrando Martins disse...

Olá, André!
Compreendo perfeitamente sua revolta porque já passei por isso também. Cheguei a levar o DVD do filme Coração Valente (aquele que o Mel Gibson dirigiu), que já se iniciava uma pequena rachadura do meio do disco para fora, à loja onde havia comprado, e lá o disco funcionou perfeitamente. Detalhe: o meu aparelho é Sony, o funcionário rodou-o numa dessas marcas inferiores. Parece que quanto mais sensível for o aparelho pior na hora de usá-lo. Ou não?
Rachaduras foi um problema sério que tive com meus DVDs (isso entre 2000 até 2002, depois fiquei desempregado e não pude mais comprá-los) por causa das horríveis caixinhas onde os guardamos. Lembra-se daquela famosa caixa preta do Gladiador, que veio com a assinatura do diretor Scott? Joguei no lixo em pouco dias. Aquela saliência central onde prendemos os discos rachou dois DVDs meus. Muitos deles eu preferi guardá-los em caixas de CDs de música.
Forte abraço e bons filmes.