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14 março 2006

"Jade", de Friedkin: força e impacto


Jade, quando lançado nos cinemas, na segunda metade dos anos 90, passou batido. Mas o filme me causou um grande impacto, registrando-o na época, como uma voz a clamar no deserto, na minha coluna em jornal local. Se houve alguma manifestação favorável da crítica, não a vi pela imprensa. Creio que Jade foi exibido em brancas nuvens. E há, inclusive, um certo preconceito em relação a William Friedkin, seu autor, por causa do obscurantismo de se achar que todo filme de ação é uma mixórdia oriunda de Hollywood. Poucos os diretores que sabem usar e determinar o tempo cinematográfico como William Friedkin, mais conhecido por causa de filmes como Operação França e O exorcista. Há poucos dias, revendo Bullit, alguém comentou que o que importa realmente neste filme é o tempo. Jade envolve o espectador de tal maneira, mas um envolvimento, por assim dizer, estético, pela sua delirante mise-en-scène. Com roteiro de Joe Eszterhas (o mesmo de Instinto selvagem, de Paul Verhoeven), Jade é um filme brilhante. Quando o vi na tela grande, retornei três vezes, mas ontem, localizando-o numa locadora, aluguei-o na hora sem olhar e ler se estava íntegro no seu enquadramento. Colocado no aparelho, eis que vejo, horrorizado, que Jade está sendo lançado (como Menina de ouro, de Clint Eastwood) em abominável full frame ou full screen ou seja lá que denominação possa ter um filme quando é ceifado, arruinado, destruído na sua integridade para se moldar ao gosto de um público débil mental, que prefere a tela cheia ao cinemascope. Retirei o disco, não revi Jade. Devolvi à locadora e não o joguei fora porque teria prejuízo. No elenco, David Caruso, a sensualíssima Linda Fiorentino, Chazz Palminteri, Richard Crenna, entre outros. A iluminação é de um artista da luz: Andrzej Bartkowiak. E a música de James Horner fica no ouvido.

Um comentário:

Tobey disse...

Não revi, mas na época do lançamento devo ter visto umas duas ou três vezes. Maravilhoso.