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01 fevereiro 2012

Tom Jobim sob Tuna Espinheira



O velho Tuna Espinheira foi ver A música segundo Tom Jobim, de seu amigo Nelson Pereira dos Santos (que produziu um de seus filmes curtos) e saiu deslumbrado com a beleza do documentário. Chegando ao seu apartamento, bateu o comentário que vai abaixo e, na afobação, nem parou no bar vizinho de Seu Hermenegildo para tomar a sua cerveja acompanhada de uma rigorosa Seleta. Abro aspas para evitar desconforto textual:

"Nelson Pereira dos Santos, mestre divisor de águas, da história do cinema brasileiro, faz um gol de placa com o filme: A música segundo Tom Jobim. A opção feliz de contar a saga do compositor tão somente pelas suas próprias criações melódicas foi deveras um grande achado. A edição primorosa trás para as retinas (estas costumeiramente cansadas) dos espectadores, a impressão de estar vendo um filme com um único plano sequencia,     (embora com centenas de cortes)

A abertura do filme, nas asas da Panair, em preto e branco, dando uma visão de um Rio antigo, é deslumbrante e, sem gastar saliva, encarna o maestro iluminado na cidade do Rio de Janeiro e vice versa. Se existe o chamado carioca, com seu jeitinho de ser, seu retrato falado coincide com próprio Tom, não se pode separá-lo da Cidade Maravilhosa, assim como não se deve apartar Dorival Caymmi da Bahia.

Mesmo sendo uma mania antiga, esta de contar um filme, não cabe neste caso, é incontável, só vendo, seu enredo é puramente para ver e ouvir. Um impressionante desfile de artistas, ao nível de Ellla Fitzgerald; Frank Sinatra; Sammy Davis Jr; estas e outras e outras feras imortais, em rico material de arquivo de filmes, tocando e cantando as pérolas musicais do bruxo compositor, a quem o Chico Buarque chamou: de “Maestro Soberano”. É um revezamento de cenas antológicas de artistas nacionais e internacionais, um espetáculo de dar água na boca, para uns, e de deixar a alma lavada, para muitos.   

Sem querer comparar, mas me lembrou  O Baile, de Ettore Scolla. Talvez porque é também a música que conduz o enredo. A realização de um filme mudo, mas não silencioso, como estes dois, enfrenta o suspense do caminhar no fio da navalha. Semelhante a um jogo de armar, cada peça no seu cada qual. É tudo ou nada. É coisa é coisa de mestre.
                      
Nelson fica devendo o filme número 2, agora falado. Tem muito pano prá manga neste outro olhar necessário sobre Jobim, muitas histórias, estórias “causos”, depoimentos, coisas do arco da velha. O Diretor já provou ser um ótimo regente de conversações (vide o documentário sobre Sergio Buarque de Holanda), vai tirar de letra.

Mestre  Nelson , na plenitude dos oitenta anos, fez um gol de placa com o filme: A Música Segundo Tom Jobim."  

e-mail: tunaespinheira@terra.com.br

Cliquem na imagem para vê-la maior e mais nítida.

4 comentários:

Jonga Olivieri disse...

A mais pura verdade é que se trata de um Maestro mostrando maestralnente a obra de outro grande Maestro.
E no caso de Tuna, analisada por um outro tambem Maestro.

Ailton Monteiro disse...

Não tenho mais nada a dizer do que concordar com o entusiasmo de Tuna Espinheiro. Filme lindo de ver mesmo. Será que a continuação vai passar nos cinemas também ou será lançado direto em dvd?

Vitória Régia disse...

Li hoje no jornal A Tarde. Muito bem, Tuna... Concordo contigo... Assisti ao filme e me deleitei também. Apenas ouvi comentários no final: "por que não colocaram os nomes dos artistas famosos durante a projeção?" . Mesmo cinéfilos e fãs de Tom ficaram perdidos, com dificuldades de identificar aqueles astros.

Tati disse...

Achei esse filme incrível! Assisti ontem, aqui no Rio e se eu me encantava com cada novo artista que aparecia na tela com mais alguma música linda, uma moça do meu lado era toda lágrimas. Muito bom!