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28 setembro 2010

Ben-Hur



1.) "Ben-Hur", o maior espetáculo épico de todos os tempos, realizado em 1959, está a completar, neste ano, 51 anos. Exibido em cópias restauradas em Veneza e Berlim, para a comemoração da data, ano passado, surpreendeu pela sua espetaculosidade, pela artesania de sua construção dramática, e, principalmente, pela sequência da corrida de bigas - que tem uma montagem perfeita à altura de um Griffith. Há filmes que podem ser visto em DVD, mas "Ben-Hur" é um caso especial, é um espetáculo que somente pode ser plenamente apreciado na tela grande da sala exibidora. No esplendor do seu Super 70mm ou, mesmo, em cinemascope 35mm.

2) Realizado em 1959, "Ben-Hur" somente foi lançado em Salvador dois anos depois, em 1961, no cine Tupy, cinema que apresentava as superproduções da época ("Spartacus", "Os dez mandamentos"...). Naquela época, um filme estrangeiro demorava alguns anos para ser lançado no Brasil. Primeiro no eixo Rio-São Paulo, e nas outras capitais havia um atraso de mais de um ano. Era um tempo em que se ia ao sul para ver filmes, porque em Salvador somente apareciam um ano depois. Atualmente o panorama mudou muito, pois os filmes têm lançamentos simultâneos em todo o mundo.

3) O grande William Wyler é o diretor de "Ben-Hur". O filme, não se pode negar, é magnífico. Wyler é um cineasta requintado, que realizou, ao longo de sua carreira, obras fundamentais: "Os melhores anos de nossas vidas" ("The best years of our lifes", 1946), que considero um dos maiores filmes que já vi, "Jezebel", "O morro dos ventos uivantes" ("Wuthering Heights”, 1939), que é, sem dúvida, a melhor adaptação do livro de Emily Brönte, com Laurence Olivier e Merle Oberon, "Infâmia" ("The children's hour", 1961), o western "Da terra nascem os homens" ("The big country", 1955), com Charlton Heston e Jean Simmons, entre muitos outros. E não se pode deixar de fazer uma alusão a uma obra crepuscular e de inusitada importância como "O colecionador" ("The collector", 1963), com Terence Stamp.

4) A Metro Goldwyn Mayer, apesar de ter gastado uma fortuna para os padrões da época, lucrou muito, pois o filme foi um sucesso estrondoso em todo o mundo. Ganhou 11 Oscars, e, para falar a verdade, quando adolescente, época que vi o filme em seu lançamento, como já disse, em 1961, não conhecia ninguém que não tivesse visto "Ben-Hur", que teve "première" concorridíssima no dia 18 de novembro de 1958 no New York City.

5) Baseado na novela de Lew Wallace, "uma história dos tempos de Cristo", os créditos do filme dão como roteirista Karl Tunberg, mas outros tiveram muita influencia, ainda que não creditados, como Christopher Fry e Maxwell Anderson, além do escritor Gore Vidal, que tentou dar "uma alusão homossexual" ao relacionamento entre Judah Ben-Hur (Charlton Heston) e Messala (Stephen Boyd), principalmente na sequência, logo no princípio, do efusivo reencontro entre os dois.

6) A ação de "Ben-Hur" se passa em Jerusalém, no início do século I. Judah Ben-Hur (Charlton Heston), um rico mercador judeu, vive tranquilamente. Mas, com o retorno de Messala (Stephen Boyd), um amigo da juventude, que agora é o chefe das legiões romanas na cidade, um desentendimento, devido a visões políticas divergentes, faz com que Messala condene Ben-Hur a viver como escravo em uma galera romana, mesmo sabendo da inocência do ex-amigo. Mas o destino vai dar a Ben-Hur uma oportunidade de vingança que ninguém poderia imaginar.

7) O elenco é soberbo. Charlton Heston, ator sempre recrutado para os épicos ("Os dez mandamentos", "El Cid") é Ben-Hur. O inglês Jack Hawkins faz Quintus Arrius. Para o principal papel feminino foi recrutada uma atriz israelense: Haya Harareet (Esther), que, depois de "Ben-Hur", parece que desapareceu das telas. Stephen Boyd é Messala, ator que teve morte prematura (ataque cardíaco) antes de completar cinquenta anos. Mais: Hugh Griffith, Martha Scott, Cathy O'Donnell, Sam Jaffe, entre outros. A partitura, que ficou para sempre na memória, é do maestro Miklós Rózsa. "Cinematografado" por um artista da luz: Robert Surtees.

8) Apesar do Oscar de melhor diretor, Wyler não dirigiu a melhor seqüência de “Ben-Hur”, que é a corrida das bigas. Os responsáveis são os diretores da segunda unidade Yakima Kanutt, principalmente, e Mario Soldati. Não seria exagero dizer que esta seqüência pode ser inclusa nas antologias sobre a história do cinema.

9) “Ben-Hur”, lançado em DVD em edições de colecionador e de luxo, pode ser visto no disquinho. Por melhor que o cinéfilo tenha o seu ‘home-theater’, não terá a oportunidade de ter a mesma sensação daqueles que o viram na telona das salas exibidores na espetacular bitola 70mm – hoje desaparecida. A bem de ver, via-se os filmes com muito mais intensidade e as projeções ofereciam maior impacto do que atualmente quando as versões digitais, que deformam os filmes, estão a se espraiar pelos cinemas. Ver “Ben-Hur” baixado na internet e em tela de computador? Nem pensar.

10) Apesar de toda a admiração que tenho por “Ben-Hur”, meu melhor épico no cinema continua sendo “Spartacus”, de Stanley Kubrick.
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5 comentários:

Rui Luís Lima disse...

Vi ese filme ainda criança nos anos sessenta e nunca mais me esqueci dele e à medida que o revejo e a tecnologia avança no cinema, ainda mais o admiro.
Abraço cinéfilo
Rui Luís Lima

André Setaro disse...

Vi 'Ben-Hur', se não me falha a memória, meu caro Rui, em 1961, porque antigamente os filmes levavam quase dois anos para serem lançados no Brasil, considerando que este é de 1959.

Jonga Olivieri disse...

Um grande filme em que realmente a sequência da corrida de bigas é perfeita em todos os sentidos. Maa não sabia que havia sido dirigida por outros diretores.
Apesar de tudo o tenho em DVD. Claro que o espetáculo diminui, mas...

pseudo-autor disse...

Eu ficaria na dúvida entre essa e Spartacus como meu melhor épico (competir com o Kubrick é uma covardia!). Pra mim, esse é o único real vencedor dos 11 oscars, porque Titanic e O Senhor dos Anéis ganharem todas essas estatuetas, fala sério!

Cultura na web:
http://culturaexmachina.blogspot.com

Anônimo disse...

Eu não tenho duvidas nenhuma.
BEN HUR é um filme a parte na historia do cinema.É transcendental.
Para mim ele não entra em lista alguma, é muita covardia.
É como se fosse o pelé, ele não vale, estava acima dos demais jogadores.
É o maior filme épico todos os tempos e não só o maior espetáculo, mesmo porque se trata de um filme.

Espetáculo para mim é uma peça teatral, uma ópera, um concerto, um show etc.