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20 outubro 2009

Morre a bela Rossana Schiaffino

Morreu Rossana Schiaffino, mas, por incrível que pareça, nem o maior banco de dados sobre cinema no mundo, o Imdb (The Internet Movie Database) registrou o passamento da bela. Desaparece aos 70 anos, quase 71, que iria completar a 25 de novembro (nasceu em 1938). Era o tipo de mulher que fazia sucesso nos anos 50: cheia, corpulenta, no estilo de Sophia Loren, Gina Lollobrigida. Já Brigitte Bardot, a musa deste blogueiro, era mais magrinha, mais esguia. Mas tinha uma certa fascinação por Rossana Schiaffino, principalmente depois que a vi, esplendorosa, em A longa noite de loucuras (La notte brava, 1959), de Mauro Bolognini (diretor importante que está completamente esquecido). Mais adiante, em 1962, lá estava ela, num filme do príncipe Vincente Minnelli, A cidade dos desiludidos (Two weeks in another town) ao lado de Kirk Douglas. Em La notte brava, Schiaffino contracenava com outra deslumbrante mulher: Elsa Martinelli (que veio a trabalhar no cinema americano e se encontra inesquecível em Hatari!, de Howard Hawks. Com a ascenção e a ditadura das mulheres ossudas, Rossana Schiaffino saiu dos padrões da imposição de beleza ditada pelos estilistas. Mas sua saída de cena foi pelo tempo, pelo passar dos anos.

La notte brava, além das esfuziantes Schiaffino e Martinelli, também conta com Antonella Lualdi (outra formosa mulher), Mylène Demongeot (quem, de sã consciência, foi capaz de esquecê-la? - lembro-me dela no Rio de Janeiro a filmar Copacabana Palace). Baseado numa novela de Pier Paolo Pasolini, que também roteirizou o filme, La notte brava é um filme que precisa ser revisto e reavaliado.

Não pretendo fazer a filmografia desta deusa. Bastam estes dois filmes para consagrá-la. O blog está de luto fechado.

P.S: Nos anos 50, 60, havia tantos gênios no cinema italiano (Visconti, Fellini, Antonioni, Rossellini...) que alguns diretores brilhantes passaram para o segundo time, a exemplo de Mauro Bolognini (1922/2001) - e o que dizer de um Francesco Rosi, de um Dino Risi, de um Alberto Lattuada, de um Mario Monicelli, de um Pietro Germi (Divorzio all'italiana e Sedotta e abbandonata são obras-primas), de um Florestano Vancini, de um Damiano Damiani, entre tantos outros, e de um Valerio Zurlini, cujo exegeta maior no Brasil, Carlos Reichenbach, considera um dos maiores cineastas do cinema?). Mauro Bolognini, formado em arquitetura, como Antonioni, era um realizador bastante refinado. Tem filmes que não se podem esquecer assim tão facilmente. O belo Antonio (1959), à guisa de ilustração, causou frisson na época em que foi lançado, aqui no Brasil dois ou três anos depois de sua realização, como era de acontecer com os filmes. Il bell'Antonio gira em torno de Marcello Mastroianni, um personagem atormentado, que se casa com Claudia Cardinale, mas, na hora do vamos ver, brocha magnificamente. Vergonha para uma família conservadora e machista de uma cidade italiana. O pai, desesperado, para mostrar que era homem, vai a um prostíbulo e tem um enfarte em cima de uma mulher. Mas Marcello, no final, revela ter engravidado a empregada, Santina, e o plano final é de seu rosto, um plano demorado, que revela nele uma angústia desesperada. Há muito que não vejo este filme, mas várias de suas cenas ficaram na minha memória. Há outros momentos bologninianos a deter: Um dia de enlouquecer (La giornata balorba, 1960, com Jean Sorel e Lea Massari), Desejo que atormenta (Senilità, 1960, com Jean-Paul Belmondo e Claudia Cardinale), Caminho amargo (La viaccia, 1961, com Cardinale e Anthony Franciosa), um dos episódios de As bonecas (Le bamboli, 1965), Monsignor Cupido, Arabella (1967), com Virna Lisi, Aquele novembro maravilhoso (Un belissimo novembre, 1969), Metello (1970), A grande burguesia (Fatti di gente perbene, 1974, com Catherine Deneuve e Giancarlo Giannini), entre outros.

7 comentários:

Jonga Olivieri disse...

Belíssima! Como eram belas todas as Musas do cienma italiano. Incontáveis... Sobravam!
Mas você falou uma coisa muito importante sobre o cinema italiano dos anos 50/60.
Tinha tanta gente boa, mas tanta gente boa que "saia pelo ladrão", como se diz no popular.
Uma comediazinha despretenciosa era, na verdade, um grande filme.
Um exemplo: "Divórcio à italiana" de Pietro Germi (1961) em que além de Mastroianni existia uma Stefania Sandrelli (outra beleza), é inesquecível pelo seu humor fortíssimo.
Era um cinema espetacular, diretores espetaculares, atores/atrizes fora de série.

André Setaro disse...

Esqueci do grande Pietro Germi. Para mim, nada tão divertido, tão genial, tão deliciosa como a comédia que ele fez nos anos 60 "Divórcio à italiana", que, para alguns, é a interpretação definitiva de Marcello Mastroianni.

Romero Azevêdo disse...

Me associo ao luto do blog informando que hasteei, a meio pau, bandeira negra por três dias.

Andre de Paula Eduardo disse...

Belíssima lembrança, seja de Rossana, seja da "série B" com Dino Risi, Valério Zurlini, que deve ser mais inventiva que 99% do que rola no cinema hoje.

Aliás, uma vez levei um amigo italiano para ver "Os companheiros" (Il compagni), de Monicelli. Ele disse que nunca tinha ouvido falar na Italia. Veja só.
Forte abraço!

Romero Azevêdo disse...

Reví ontem( 21/10) "Quatro dias de rebelião" de Nanni Loy. Pequena jóia do cinema italano produzida em 1962. O filme, não lembrava, é todo em primeiro-plano valorizando sobremaneira a "paisagem humana"( o recurso pode ter inspirado Leone mais tarde). Os atores, entre eles Volonté, Jean Sorel e Lea Massari, não colocaram os nomes nos créditos de abertura como forma de homenagear os verdadeiros heróis da história( real): o povo de Nápoles.
Vendo hoje me pergunto como é que a censura da ditadura( salvo engano foi exibido aqui entre 66 e 67)deixou passar esse grande filme sobre a resistência civil( incluindo mulheres e crianças)à opressão nazi-fascista.
A coluna sonora é de Carlo Rusticheli e entre os roteiristas está Pasquale Festa Campanile.
Sem nenhum saudosismo, mas premido pelos fatos, sou obrigado a dizer: já não se fazem filmes italianos como antigamente.

Anônimo disse...

Prezado Setaro,

Não fosse o seu blog, o falecimento de La Schiaffino passaria desapercebido por mim.
Me lembro da bela em "Teseu e o minotauro", "Un entaro di cielo", "Os vitoriosos", Aquela comédia com o Tony curtis que eles viviam querendo acabar um com outro, "Os vickings". Uma grande estrela.
a propósito, gostaria de fazer uma ressalva com relação à grafia de seu prenome usada incorretamente por vocês: Não é Rossana, e sim Rosanna. Espero ter contribuído de alguma forma.
Grato, abçs.
Paulo/Alfenas.Mg.

Anônimo disse...

Prezado Setaro,

Não fosse o seu blog, o falecimento de La Schiaffino passaria desapercebido por mim.
Me lembro da bela em "Teseu e o minotauro", "Un entaro di cielo", "Os vitoriosos", Aquela comédia com o Tony curtis que eles viviam querendo acabar um com outro, "Os vickings". Uma grande estrela.
a propósito, gostaria de fazer uma ressalva com relação à grafia de seu prenome usada incorretamente por vocês: Não é Rossana, e sim Rosanna. Espero ter contribuído de alguma forma.
Grato, abçs.
Paulo/Alfenas.Mg.