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03 julho 2009

De crimes contra o cinema



Sempre estou a escrever sobre os atentados que sofrem os filmes originariamente feitos no formato Cinemascope e nunca ninguém (e falo de pessoas que gostam de cinema) deu bola para isso. Bato no Telecine Cult (perdão Marcelo Janot você nada tem a ver com isso), que apresenta estes filmes em tela cheia (full screen), com exceções. Nos últimos meses, verdade seja dita, o Cult tem tido mais respeito pelos filmes em CinemaScope.

Mas encontro, no excelente blog de Inácio Araújo, um artigo assinado por Juliano Tosi que explica didaticamente o prejuízo que os filmes originariamente em CinemaScope sofrem quando exibidos na televisão. Não se pode deixar de ler e recomendo que se faça uma reflexão sobre o assunto. O endereço do blog é: http://inacio-a.blog.uol.com.br/
Uma pessoa que se diz cinéfila não pode entender de cinema se não presta atenção para a questão dos formatos danificados e estupidamente deformados. Há, entre os cinéfilos, noto, e a palavra é esta, uma certa ignorância em relação aos formatos. Modéstia à parte, vejo, de imediato, se um filme, mesmo que o não conheça, está deformado ou sendo exibido em seu formato correto. Se é em CinemaScope, vê -se cortes nos rostos dos personagens ou uma composição do quadro deformada. E o pior é que certas distribuidoras, que se querem conceituadas, como a Europa - não me refiro a outras mais comerciais e sem nenhuma preocupação a não ser dar o espetáculo de qualquer maneira, estão a colocar na praça filmes em CinemaScope em tela cheia, como é o caso de Menina de ouro, de Clint Eastwood. Um crime que foi praticado pela Europa. Quem não viu Menina de ouro nos cinemas perdeu a oportunidade de revê-lo na sua integridade (talvez em cópia importada, porque a Europa massacrou-o).

Quando sei que um determinado filme é em tela larga, e quero vê-lo em DVD, tenho que pedir à atendente da locadora para passá-lo na televisão a fim de verificar a sua integridade. A Coleção Folha também foi criminosa ao lançar Gigi, de Vincente Minnelli, belo musical, canto de cisne do gênero na sua fase áurea, em full screen. Já havia, há alguns anos, sido lançado em DVD em tela cheia - comprei o DVD e, quando vi o absurdo, quebrei-o em mil pedacinhos com um martelo.

É leitura imprescindível, para elucidação e esclarecimento, o que Juliano Tosi escreveu no blog do crítico Inácio Araújo da Folha de S.Paulo. Roubei as duas fotos que ilustram este post, que mostram como o full screen deforma o enquadramento original de um filme. No caso, as imagens são de Vestida para matar, de Brian De Palma, exibido recentemente no Cult, vestida em tela cheia (arghhhhh!!!) para matar o excelente thriller do autor de Os intocáveis.

6 comentários:

Francisco de Oliveira disse...

Pois é. E está havendo outra sacanagem feita recentemente, que é transformar filmes mais largos em fullscreen para TVs widescreen, ou seja, um filme em 2,35:1, por exemplo, passa a ser 16:9. Acontece com DVD, com Blu-Ray e com certos filmes tanto nos 5 canais Telecine (que, além de editar os créditos finais, ainda exibem intervalos de 2 minutos no meio em alguns dos canais(!!!!)), quanto nos 10 HBO.
Ou seja, um filme widescreen, no Brasil, nem sempre está no formato original.

André Setaro disse...

Cuidado quando for ver um filme digital, pois há quase sempre uma alteração no formato original. Francisco de Oliveira tem razão: um filme em widescreen nem sempre significa o formato original. O DVD de 'Os doze condenados', ainda que em widescreen não é em cinemascope. Apesar das tirinhas, há um aumento da tela larga no sentido de comprimento para "ficar mais aberta" e, com isso, satisfazer mais aos ignorantes.

Jonga Olivieri disse...

Outro crime que os Telecines estão a fazer é a aceleração dos créditos finais.
É o tal negócio, cada dis que passa o $istema Globo mostra que o seu interesse é apenas comercial e o telespectador que se dane.
É um desreipeito completo a quem assiste um filme com seriedade e interesse.
Coisas do $istema Globo!

Janot disse...

Grande Setaro

Mais do que ninguém sou um defensor da preservação da integridade da obra como concebida por seu criador. Já havia comentado sobre isso com os programadores do Telecine, mas o que eles argumentam é que os filmes já são enviados pelos estúdios nesse formato, portanto eles não podem fazer nada.

Mas na página do Telecine na web há o Fale Conosco, para quem quiser enviar sua reclamação sobre isso e sobre os créditos acelerados.

abraços
Janot

abraços
Janot

André Setaro disse...

Grande idéia, Janot, vou acessar o 'fale conosco' para reclamar, ainda que acredite que não vai ser tomada nenhuma providência. A verdade é que o assinante não se importa. Quer seguir a história. Apenas.

Armando Maynard disse...

Setaro, acho que na televisão brasileira, somente no sistema PPV (pay-per-view) do Cine Sky, os formatos dos filmes são respeitados. Além da imagem digital ser perfeita, o Cine Sky é um multiplex em casa.