Seguidores

29 janeiro 2009

Ir ao cinema é missão quase impossível



Recebo muitas mensagens que apoiam o meu comentário sobre os débeis mentais que atropelam os cinéfilos no Multiplex. Vejam, por exemplo, a quantidade de comentários no post dedicado ao assunto. O fato é que é impossível, hoje, assistir-se a um filme em paz e sossego. Devo confessar que ando a perder filmes importantes, esperando-os em dvds, por causa do comportamento selvagem dos débeis mentais que assolam os complexos multiiplex ou cinemark. É verdade que faço muito esforço para ver os lançamentos mais importantes, a procurar os horários mais suaves, isto é, aqueles situados nas últimas sessões, que são mais calmas e menos concorridas. A julgar pelo comportamento da platéia, será que a sociedade atual está apenas composta por débeis mentais?

Para não achar que estou sozinho nesta situação de aflição, vou transcrever aqui o que disse Marcelo Janot em seu blog do Telecine, o Blog Cult, sob o título Ir ao cinema: missão (quase vez mais) impossível: "Assim como muitos de vocês, eu também hoje penso duas vezes antes de ir ao cinema. Nem tanto pelo alto preço dos ingressos, já que como crítico tenho acesso livre em alguns circuitos exibidores e nos outros pago meia por causa do cartão de crédito e da operadora de celular. O problema maior é a fonte de estresse que se tornou ir ao cinema, por conta da falta de educação da platéia. Gente que fica olhando o celular de 5 em 5 minutos e acendendo aquela luz irritante (sem contar os que atendem), gente que fica conversando o filme inteiro com o companheiro(a) como se estivessem no sofá de casa. Jovens baderneiros, adultos estúpidos (já viram como tem gente que não entende as coisas mais óbvias de certos filmes?) e velhinhos tagarelas...tá difícil ver cinema em silêncio, se concentrando no filme. É triste, porque eu gosto da tela grande. Acho que semana que vem eu consigo ver o “Benjamin Button”, talvez as salas já estejam um pouco mais vazias."

Luis Carlos Merten conta, em seu blog, que, em Lisboa (encontra-se por lá neste seu novo giro europeu), os cinemas fazem intervalo de 6 minutos para que os porutugueses possam comprar pipocas e ir ao banheiro. Com esta, literalmente, caí do cavalo. Não somente o Brasil, mas a sociedade contemporânea, em todas as partes do mundo, parece mesmo infestada de débeis mentais.

13 comentários:

Rui Luis Lima disse...

Caro André Setaro!
O que conta aqui é verdade, sobre os intervalos para se comprar pipocas. Embora isso seja apenas prática de uma distribuidora e dos multiplexes. Por enquanto ainda há bastantes salas de cinema em Lisboa, onde se pode ver um filme descansado, porque é proibido comer na sala e não existe intervalo, nessas salas é possível ver a totalidade dos filmes em cartaz. O problema reside nos Multiplex, a esses não vamos... já lá vão longos anos. Um caso curioso é que a questão da educação, por aquilo que vimos, não escolhe idade, nem sexo.
Abraço cinéfilo
Rui Luís Lima

Jonga Olivieri disse...

Ia mesmo falar sobre o hábito dos portugueses nos intervalos de cinema.
Quando morei lá, de 1990 a 1993, existia esta tradição. Ou seja, todos os cinemas tinham intervalos onde, naquele tempo, tomava-se um café ou um refrigerante, comprava-se balas, etc. Quer dizer, é culturalmente inserido nos hábitos locais.
No tocante às pessoas que ficam conversando nas salas de exibição, vamos considerar que pelo fato de assistirem DVDs em casa, pensam que no cinema estão na sala deles.
Não é desculpa nem se justifica, mas é apenas para pensarmos um pouco em como as coisas mudam com o tempo. Em outras palavras, nós que somos de uma geração em que o cinema era um ato pensado, já nos defrontamos com pessoas que vão ao shopping e estendem o programa em um cinema qualquer... outra loja, outro consumo. E com o agravante de que pensam que estão no seu ambiente exclusivo.
É demais!

Rodrigo Carreiro disse...

Setaro, eu até concordo com você em sua opinião, só não acho que devamos criar a partir disso um elitismo. É muito perigoso. Cinema tem que ser para todos, mesmo os mau-educados que muitas vezes nem percebem que estão sendo. O segreo é saber escolher os horários. Eu, pelo menos, não consigo me afetar tanto com os "vizinhos" de sala, quer dizer, nada me atrapalha numa sala de cinema, então, não sofro tanto quanto você. Ainda acho 100% melhor ver um filme no cine do que em casa, por melhor que seja seu sitema de som e sua tv.

Eduardo disse...

Sinto uma indignação semelhante. SEMPRE que vou ao Iguatemi, quem senta atrás de mim põe os pés na minha cadeira, bate o tempo inteiro, e chuta, enquanto eu, quando quero mudar a posição dos pés, faço o que posso para não tocar na cadeira da frente. É impraticável. Em cinema de shopping, tento ir o mais tarde possível pra ver se encontro salas mais vazias.

Allex Rocha disse...

A falta de educação nos cinemas é a mesma falta de educação do cotidiano. O ato de ir ao cinema, analisar roteiro, fotografia, figurino, a beleza que é um bom filme ou a diversão boa e sadia passa muito longe da massa de ignorantes que vão aos "multiplexs da vida". O problema é que a nossa educação formal e informal estão em estado de coma profundo. A ignorância impera nas mentes de jovens e adultos, em meninos e meninas. Educar o povo é caminho. Se não, nos trancaremos em nossas casas com nossos sistemas de áudio e vídeo e os DVDs ou mídias de todas as formas. Um empobrecimento cultural.

Janot disse...

Salve Setaro

O índice de comentários no meu post sobre o assunto também foi enorme, mas infelizmente somos poucos perto da massa ignorante. Quanto ao intervalo em Portugal, me parece que é um hábito antigo. Há muitos anos estive no tradicional cinema de rua São Jorge para ver "Fim de Caso", do Neil Jordan. No clímax do filme, as luzes se acenderam, todos saíram calmamente e foram para a varanda fumar um cigarro. Fiquei estupefato, mas pelo menos o filme era legendado, ao contrário da maioria dos países europeus, que dublam as fitas.
forte abraço
Janot

Stela B. de Almeida disse...

Discordo vêemente de se considerar/chamar o público de cinema de "débeis mentais", pelo comportamento transgressor que manifestam. Há um gosto bárbaro, havia me referido ao trabalho de Pierre Bourdieu no comentário anterior. Esse gosto é definido por ausência de capital cultural, de hábitus de classe, de heranças socias. Sem esse capital, é presumível que todas as manifestações já expressas por quase todos os comentarios registrados neste blog( sair do cinema antes dos créditos finais etc...etc..etc) sejam cometidos por aqueles que sequer sabem o valor/função daquelas letras em movimento no final do filme. Caro Professor, não se trata de débeis mentais, existe na sociedade do espetáculo uma infinidade de analfabetos em cinema. Isso é outra questão.

André Setaro disse...

O comportamento da platéia é mesmo um comportamento de pessoas que possuem uma débil mentalidade, cara Stela. A maneira como se comportam as pessoas que vão ao Multiplex (e também ao Cinemark e também as chamadas 'salas de arte') não pode ter outra expressão que esta: é uma maneira de comportamento de autênticos débeis mentais. Acredito que se um filme fosse projetado num hospício, os doentes, diagnosticados como débeis mentais, comportar-se-iam com mais respeito e menos barulho. O analfabetismo atual, imenso, inclusive entre 'doutores', está a determinar uma volta à barbárie. Sinto-me muito incomodado com este débeis mentais a ponto de ir ao cinema, hoje, para mim, é um sacrifício. Claro, como diz Rodrigo, que a tela de cinema é muito melhor para se ver um filme, mas nas circunstâncias atuais há a imposição do recolhimento ao DVD.
E o pior é que ando a falar muito sobre o Multiplex e assemelhados, mas nas 'salas de arte' a debilidade mental também se pronuncia, principalmente no que se refere ao atendimento em plena exibição do celular, e as conversinhas despropositadas e irritantes. E o cinema se encontra MONSTRUOSAMENTE associado à pipoca.

mara mercia disse...

Stella, acho que voce anda confundindo um pouco as "massas" com uma elitizinha bastarda e ignorante que pulula nos cinemas e shoppings. Nao deixe a praga do politicamente correto fazer dispensar como "um gosto bárbaro" o que na verdade e' ignorancia e desrespeito mesmo.

Rodrigo Carreiro disse...

Setaro,
analisando mais profundamente, a questão é bastante complexa, é verdade. Eu concordo com você em muitos aspectos e até proponho um desafio aos "débeis mentais": porque não se comportar nas salas de cinema igual se comportam em teatro? Sim, esse povo vai sim ao teatro - não com muita frequência, claro, mas vai - e lá fica calado e respirando devagar para não atrapalhar o espetáculo. Porque não assim no cinema? Porque não são pessoas "reais" que estão ali na frente atuando? Curioso...

Vítor Nery disse...

Muito bons os comentários de Janot. Acredito no que o professor Setaro já falou no outro post, ir ao cinema foi incorporado ao ato de shoppear. Mas realmente as "salas de arte" também estão infestadas por pessoas tão mal educadas e imbecis quanto os frequentadores dos cinemas de shopping.
Ano passado fui ao cinema assistir a Batman O Cavaleiro das Trevas (filme que adorei) mas fiquei no minimo incomodado com a falta de educação, gritos e bestialidade. O desejo que senti foi o de após o filme perguntar aos pais de algumas crianças (e adolescentes também) se haviam dado alguma educação a elas. Como alguns já afirmaram aqui a falta de educação é um problema social que se vê nítido em uma sala de cinema.
Também estou aderindo ao DVD professor. Sou grande fã de histórias em quadrinhos, mas quando quero ver uma BOA adaptação (geralmente filmes de heróis só passam nos cinemas de shopping) penso 4 vezes antes de ir ao multiplex ou cinemark. Batman foi minha exceção do ano passado e esse ano acho que será Watchmen.

Abraços

Pedrita disse...

soube do seu blog no post do marcelo janot. eu vou em geral nas primeiras sessões. canso de ler no meu blog que teatro tá caro, cinema tá caro. então p q depois desperdiçam o dinheiro dessa forma? isso pq compram pipoca e coca cola que é quase o preço de uma sessão. como disse no blog do janot, acho que o dvd acostumou mal as pessoas que podem desligar qd querem. colocar no pause, irem ao parque, jantar e voltar de onde estavam. aí não dão valor aquelas horas. e o celular é outro episódio. como se nao responder um torpedo, ou o famoso, mas eupreciso ver pelo menos quem é, como se duas horas fosse fazer muita diferença na vida de quem quer que fosse. eu chamo isso de falta de educação. sempre aprendi que o meu direito vai até quando começa o do outro. parece que ninguém percebe que celulares e bate papo nas salas não só de cinema é muita, mas muita falta de educação e derespeito não só com os colegas ao lado, mas com os produtores, artistas, que ralaram pra produzir aquele projeto. beijos, pedrita

Leo Itumbiara disse...

Caro Setaro,
realmente ir ao cinema tem ficado difícil. Quando não são os preços proibitivos, são pessoas que vivem em seus próprios mundinhos insanos e o resto que se dane. Afinal, o que uma mãe pode fazer de dentro de uma sala de cinema pelo filho que está em casa com medo do escuro? A criança está sozinha em casa? Não há uma pessoa para consolá-la? Sinto pela criança que tem uma mãe assim.

Por isso proponho a volta do “lanterninha” que nos educava com alguns “flashes”. Se continuássemos a conversar depois do aviso, a bronca era em voz alta. Lembro que quando alguns valentões o desafiavam, a exibição era interrompida, o “marginal” era posto para fora e ficava proibido de frequentar as matinês por um bom tempo. Nem preciso dizer da sonora vaia que o otário levava. Isso era no interior de Goiás nos anos 70, lugar considerado “terra sem-lei”.

Até há pouco as conversas durante um filme eram feitas ao pé do ouvido. Quase não incomodavam. Hoje em dia falam como se estivessem em suas salas de estar. Culpa do DVD Player? Não mesmo. Todos nós sabemos a diferença de comportamento, ou se preferir de convívio, numa sala de estar e num cinema. Civilidade é justamente saber como se comportar nos lugares. Isso é básico em qualquer sociedade.