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26 novembro 2008

Vendaval de arrogância e cretinice

Sinto-me cada vez mais incomodado quando vou ao cinema por causa das conversas, do telefone celular, das risadinhas fora de hora, do comportamento debilóide da platéia. Se, antes, o incômodo se dava mais nas salas dos complexos Multiplex e Cinemark, atualmente também se aplica às chamadas salas alternativas. Canso de escrever e de falar sobre o comportamento selvagem do público que vai, hoje, ao cinema. Mas às vezes penso que sou uma voz a clamar no deserto. As pessoas vão ao cinema, como disse David Lynch em sua recente viagem ao Brasil, mais para se mostrar, para sair do anonimato, para se exibir, para ficar mais na sala de espera do que na sala de projeção. Mas leio no blog (http://olhoslivres.zip.net) do Comodoro que estou mesmo com a razão, a julgar pela nota divulgada por Carlos Reichenbach em seu reduto sobre a barbárie presenciada por ele no Festival de Brasília. Convidado como jurado oficial, o autor de Falsa loira ficou indignado com o comportamento da platéia e, diga-se de passagem, a platéia de um evento que se diz sério. Peço licença para copiar e colar o seu desabafo, que, a rigor, concordo em gênero, número e grau e assino embaixo. Ei-lo:

NOTA (DESESPERADA) DE BRASÍLIA

"Uma autêntico vendaval de arrogância e cretinice o que vem acontecendo nas salas brasileiras de cinema (e, infelizmente, também aqui no cine Brasília).

Como se não bastassem o fedor de manteiga rançosa das pipocas e o papo animado - e em voz alta - de gente estúpida durante as sessões, os idiotas resolveram agora exibir - em público e de forma acintosa - seus moderníssimos equipamentos hi-tecs (sobretudo, enormes iPhones).

Durante a exibição de O MILAGRE DE SANTA LUZIA, na quarta-feira, um babaca na fileira da frente do júri oficial da competição 35mm ficou assistindo ao jogo Brasil-Portugal, durante toda sessão, incomodando várias pessoas que acompanhavam com interesse o bonito documentário que tem o genial Domiguinhos como guia.

PIOR: o cidadão na certa devia fazer parte de alguma equipe dos curtas metragens em competição, pois estava sentado na fileira reservada aos concorrentes. Deu vontade de perguntar ao mocinho o nome do curta de que ele havia participado e sumariamente "queimar o filme" do Mané.

O procedimento, infelizmente não foi exclusivo do boçal em questão, mas vem se repetindo todos os dias, à despeito da solicitação que é feita pelos apresentadores antes das exibições (inclusive, à meu pedido). Ontem, outro Mané passou meia hora - na minha frente - lendo e-mails e consultando sites de horóscopo. Como o cara não se tocava, toquei eu, enfiando a sola do meu 46 (bico largo) em sua vasta cabeleira. Ao pedir desculpas pelo descuido de "escorregar" o pé em sua cabeça, aproveitei para "sugerir" (de forma civilizada, claro) ao camaradinha desligar o seu moderníssimo iPhone ("que está enchendo o meu saco há meia-hora").

Alguém me contou ontem, que David Lynch declarou recentemente, que cada dia que passa as pessoas estão indo ao cinema menos para ver os filmes, mas para sairem do anonimato e se exibirem."

- Carlos Reichenbach está no 41° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, como jurado dos filmes em 35 milímetros (longas e curtas)


4 comentários:

Armando Maynard disse...

Caro Setaro,há um emburrecimento espalhando-se pelo mundo.Cada dia que passa fica mais raro a EDUCAÇÃO DE BERÇO, isso é um fato notado em todos os lugares, no trânsito então,se você for atravessar uma rua e o motorista do carro que vem distante lhe avistar, ele simplesmente aumenta a velocidade para ter o prazer de dar uma buzinada em cima de você, é o fim.Um abraço,Armando - fetichedecinefilo.blogspot.com(posto também em lygiaprudente.blogspot.com)

Jonga Olivieri disse...

É É É É C A A A !

Jonga Olivieri disse...

A propósito da sua nova enquete, cravei "falta de educação", porque independente de qualquer raciocínio, quem vai a um espaço público e não respeita aquele que ali está porque gosta é um mal educado mesmo.
O resto vem a reboque...

Yan disse...

olá caro bloguista!
devo dizer que em Portugal também eu sofro, quando tenho gente perto de mim a comer pipocas e a beber colas. Devia ser proibído esta importação estado-unidense, que é comer e beber enquanto se vê um filme. Mas que raio..cada vez menos o cinema é reconhecido como arte, e cada vez mais visto como entertenimento..Fruto do nosso sistema económico, enfim..
Um abraço, deste lado do Atlântico!