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23 setembro 2008

"Mon oncle" cinquentão

Escrevi sábado passado, no suplemento cultural de A Tarde, um artigo sobre Jacques Tati, cuja obra-prima, Meu Tio (Mon Oncle, 1958) está a fazer, no ano em curso, cinqüenta anos. Tati, um dos grandes comediógrafos do cinema em toda a sua história, parece, hoje, esquecido, pouco citado, pouco amado. Vi, pela primeira vez, Mon Oncle, aos 9, 10 anos de idade, e suas imagens me ficaram na memória (aqueles cachorros no terreno baldio, a casa funcional que não funcionava, exceto para a aparência e para fazer vista para as visitas pernósticas, as engenhocas inventadas por Tati...). O fato é que quero, aqui, neste blog, homenagear, ainda que modestamente, este grande cômico. Playtime, filmado em 70mm, vi-o neste formato no cinema Tupy, quando esta sala somente programava filmes nesta bitola (acredito que com toda a tecnologia de hoje nunca vi projeção mais impactante, mais perfeita). De repente, recebo uma mensagem tatiana do tatiano Tuna Espinheira, que veio a servir como uma luva para a homenagem que queria fazer. Abrindo as devidas aspas:
“Humor sempre foi coisa séria. Jacques Tati é um do raros heróis do gênero cômico. O personagem: Monsieur Hulot fez fama e se deitou em berço esplendido na história da sétima arte. Viveu quase um século, realizou pouquíssimos filmes (em relação à sua abençoada longevidade). Exatamente o número bastante para garantir vida eterna ao seu legado cinematográfico, que tanto encantou, buliu, alumbrou, apascentou, corações e mentes e povoou para sempre o imaginário de todos nos, macacos e macacas de auditório. Viva as comemorações dos cinqüenta anos deste filme emblemático: Mon Oncle (Meu Tio), concebido e dirigido por este iluminado e original, metteur-en-scene, Jacques Tati, irmão corso de Monsieur Hulot.” Assina Tuna Espinheira.

5 comentários:

Jonga Olivieri disse...

Sem dúvida "Meu tio" é um filme muito bom. Você inclusive pontuou as características mais engraçadas dele.
Mas tem um outro que considero uma obra prima. Trata-se de "As férias de Monsier Hulot". Simplesmente impagável e praticamente uma comédia muda. As situações quase não precisam de diálogo. É algo como a piada sem legendas. E este estilo foi uma característica de Tati.
Pena que de fato morreu praticamente esquecido. Uma injustiça para quem contribuiu tanto para o cinema.

André Setaro disse...

Sim, sem dúvida, "Les vacances de Mr. Hulot" (1953) é, também, uma comédia extraordinária, assim como 'Playtime'. Vi todos os filmes de Tati, exceção se faça a seus curtas. O último, 'Traffic', assisti no Leblon, já na década de 70.

Saymon Nascimento disse...

PLaytime também é meu preferido.

Armando Maynard disse...

André, muito me honra sua visita ao meu blog.Seu comentário vem enriquece-lo com mais informações,alimentando nosso Fetiche de Cinéfilo.Volte sempre,obrigado e um abraço,Armando(Veja postagem sobre os cinemas de rua de Aracaju, no blog www.lygiaprudente.blogspot.com )

Álvaro Andrade disse...

Conheci há pouco Tati e seu "Mon Oncle". Realmente, merece ser lembrado pela crítica lúdica, o humor leve e as engonhocas cinematográficas de seu gênio.