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24 agosto 2008

Roteiro no Brasil fica ainda mais pobre



A mania de ser autor veio a prejudicar a feitura de filmes mais bem construídos, com um roteiro bem estruturado. Durante o boom do Cinema Novo, quase todos os cineastas queriam ser autores e desdenhavam dos roteiros. Se o Cinema Novo tem filmes importantes, revelando grandes e bons realizadores, por outro lado também foi contraproducente dado o assanhamento autoral, a querência de se ser dono do filme. Não prestaram atenção, os mais famigerados cinemanovistas, para o fato de que gênios do cinema, a exemplo de Fellini, Visconti, Billy Wilder, John Ford, entre tantos, têm em seus filmes os roteiros assinados por vários nomes, principalmente os italianos cujos roteiros são feitos, muitas vezes, a dez, doze mãos. Quem for ler a biografia de Truffaut, vai perceber o quanto ele elaborava seus roteiros, procurando escrevê-los com uma pessoa com a qual pudesse ter afinidade temática. Tudo isso para dizer que a morte de Leopoldo Serran, nesta semana, representa uma imensa perda para o cinema brasileiro, pois um dos poucos roteiristas que realmente sabiam de seu ofício. Assinou os roteiros de Dona Flor e seus dois maridos, de Bruno Barreto, Bye, bye Brasil, de Carlos Diegues, A faca de dois gumes, de Murilo Salles, entre outros. Na foto, o velho Tuna Espinheira, há alguns anos, numa das jornadas setembrinas, encontrou-se com Leopoldo Serran (à direita) e Doc Comparato. O que causa espanto é que há, na mesa, apenas um copo e parece que de água. Tudo neste mundo não pode ser perfeito.

4 comentários:

André Setaro disse...

O encontro de Tuna com Serran e Comparato foi em Fortaleza, Ceará, durante um seminário de roteiro.

Franciel Cruz-Credo disse...

Faltando a cangibrina!

Jonga Olivieri disse...

O que seria de De Sica sem Zavattini?

Equipe Vênus disse...

Olá, Setaro. Sou um (recente) admirador de seus escritos, no evidente blog e, também, no facebook (Filipe Barbosa).

Assisti "Bye Bye Brasil" essa semana e, ao procurar alguma opinião sua sobre o filme, encontrei esse texto que você afirma o ocaso de roteiros bem elaborados no Brasil, o que concordo contigo.

Porém, eu como um jovem admirador de cinema e não tão convencido de minhas constatações cinematográficas, abro aqui uma questão sobre o roteiro do filme supracitado. O filme me interessou bastante, porém, eu acho o desfecho dele um pouco nonsense, não me convencendo e não problematizando a questão do progresso excludente do Brasil, que se destaca em todo filme. O que você acha?