Seguidores

26 dezembro 2007

Cristo nasceu em Éboli



Para se fazer uma lista dos melhores do ano, e assim foi durante mais de três décadas, havia de se escolher entre os filmes lançados na sua capital durante o ano. Possa ser que, agora, com a revolução tecnológica, com o advento da Confraria dos Baixistas, a disponibilidade de títulos raros em DVD, a coisa tenha mudado. Homero Azevedo, professor de cinema da Paraíba, acha, inclusive, que uma lista de melhores pode absorver, a considerar as mudanças dos últimos anos, até filmes do século passado. Ele, por exemplo, por ter visto apenas em 2007 A malvada (All about Eve, 1950), de Joseph L. Mankiewicz, considerou este um dos melhores e o incluiu em sua lista.

Ainda continuo no critério secular: a lista dos melhores do ano tem que obedecer a certos critérios, isto quer dizer: escolhe-se para ela apenas os filmes que foram lançados na capital de seu estado durante o ano em questão. Há casos, por exemplo, de um filme velho se inserir numa relação. Antes da revolução (Prima della rivoluzione, 1963) estava inédito no Brasil até 1998, por algumas dessas injunções incompreensíveis do atilado mercado exibidor. Filme do grande Bernardo Bertolucci (estou a rever o seu deslumbrante e hipnótico O céu que nos protege (The sheltering sky), Prima della rivoluzione foi considerado, em várias listas, um dos melhores do ano de 1998, embora obra produzida em 1963. Assim também aconteceu com O criado (The servant, 1963), de Joseph Losey, obra de mestre, que estava inédita no Brasil até que o Cinema 1 (exibidora e distribuidora), de Alberto Shatovsky, trouxe-a para o Brasil em 75 ou 76.

Uma lista que se quer pernóstica, postada nos comentários deste blog, apresenta uma relação na qual a maioria é inédita no Brasil, a ferir, com isso, os critérios mínimos para a feitura de uma lista para ser dada à imprensa. Claro, se for uma listinha de fanático, tudo bem. Que a faça como quiser. E eu mesmo, após o esclarecimento de Saymon Nascimento, vi que troquei alhos com bugalhos. Em busca da vida é chinês e não coreano como a minha ignorância dizera. Mas o fato é que a vida é assim mesmo: com altos e baixos.

Dos nacionais, acredito que o melhor filme do ano tenha sido Santiago, de João Moreira Salles. Documentário sobre o mordomo de seus pais, mas, também, uma reflexão sobre o próprio documentário cinematográfico e o ato de fazer cinema, Santiago é surpreendente pela maneira com que Moreira Salles estabelece o seu discurso cinematográfico. E Tropa de elite, concorde-se ou não com a sua postura, constituiu-se num fenômeno ainda a ser devidamente analisado. E, também um autor sem meio termo, que se gosta ou se detesta, porque muito visceral, Cláudio Assis com O baixio das bestas dá prosseguimento a uma estética do andar de baixo.

A imagem do post não é de filme nenhum. Mas, e apenas, ilustrativa.

2 comentários:

Paulo Pacheco disse...

A lista da Carla não é pernóstica. Como bom escriba de provincia, voce esquece que a web é global e portanto ela esta dentro dos parametros. No mais, de prosseguimento ao seu baixio.

Romero Azevêdo disse...

Setaro, tudo não passa de uma mera convenção, e cada um tem a sua. Hoje sabemos que há cerca de dez anos acontece uma verdadeira revolução cinematográfica na Nigéria, país africano que não tem uma única sala de exibição mas produz( e agora exporta também) a bagatela de 1.200 filmes por ano para abastecer um mercado local composto por 17.000.000, eu disse dezessete milhões, de aparelhos de DVD. Pergunto: quantos filmes nigerianos nós vimos nos últimos dez anos ? Eu particularmente não ví nenhum. Outro ponto, depois da Nigéria vem Bollywood (que antes do fenômeno africano estava em primeiro lugar no quesito produção)com seus 1.000 (mil) filmes (em película para cinema e DVD)anuais. Alguém viu, pelo menos em 2007, algum filme indiano ? Eu não vi. Quer dizer, o repertório das tais listas é muito limitado e se restringe a uma região, um hesmifério, uma capital, um sistema distribuidor e assim por diante.Acredito que no Brasil o melhor repertório anual é o da Mostra Internacional de S. Paulo, infelizmente para poucos.