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08 setembro 2011

Mostra Vincente Minnelli

A grande retrospectiva de Vincente Minnelli ficou, infelizmente, restrita ao eixo Rio-São Paulo.
O seu curador, Luis Carlos de Oliveira Jr, escreveu, na página home do site, um texto primoroso sobre a obra desse estilísta maior do cinema. Não resisto a transcrever um trecho:

"Minnelli, a priori, não distingue entre um assunto nobre e um assunto menor. Qualquer coisa lhe parece digna da mais alta representação artística. Ele não necessariamente dá ao público dito intelectual um tema rico e profundo para refletir após a sessão (embora filmes como Paixões sem Freios e Papai Precisa Casar possam render conversas densas e intermináveis). Se muita gente relutou em considerá-lo um grande cineasta e não apenas um embelezador de espaços, foi porque se prendeu a um caduco pressuposto de que a grande arte só se faz a partir de um grande assunto. Ora, isso relegaria a um segundo plano uma parcela considerável das obras-primas da pintura. As maçãs de Cézanne ou as bailarinas de Degas não são geniais porque representam maçãs ou bailarinas, mas antes por conta do traço peculiar que as vivifica na tela. As botas de um camponês, num quadro de Van Gogh, condensam um mundo. O que dá o tamanho de uma obra é menos o objeto escolhido pelo artista do que a forma como ele o representa. Os filmes de Minnelli, assim como as pinturas de Van Gogh, só fazem sentido pela cor, pela composição, pela textura dos materiais, pelo arranjo dos corpos e dos elementos plásticos no interior do quadro. O “touch” minnelliano é o motivo pelo qual vemos seus filmes. Se todo grande autor possui um tema recorrente, que ele explora sistematicamente no decorrer de sua obra, o de Minnelli foi a própria função da arte – e, mais especificamente, do cinema – enquanto transformação estética do mundo. Algo que ele deixa bastante claro em seus dois filmes plantados no universo do cinema: Assim Estava Escrito (1952) e A Cidade dos Desiludidos (1962). Neste último, que é certamente o precursor imediato de O Desprezo (Godard, 1963), Minnelli enfatiza alguns detalhes que, no set de filmagem, são responsáveis pelo sentido geral da obra. Uma mudança de ângulo da câmera, um objeto acrescido ou subtraído ao quadro, e a cena será outra – para melhor ou pior."

3 comentários:

Carlos Natálio disse...

Olá de Portugal! Não conhecia o seu blog, gostei muito.

Karla Hack dos Santos disse...

Esta construção estética de Vincent Minnelli é irreprensível!
Adoraria ter aproveitado desta Mostra.. Mas, moro um tantinho longe!

;D

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Caríssimo, venha participar do nosso novo teste cinematográfico. Katharine Hepburn é o tema.

O Falcão Maltês