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30 junho 2010

"Limite": obra-prima e filme-mito

Hoje, 30 de junho, os leitores deste blog podem apreciar os dez primeiros minutos de uma obra-prima incontestável do cinema brasileiro: Limite (1931), de Mário Peixoto. Filme que se tornou um mito, após a sua estréia, o seu realizador guardou-o e a película se deteriorou a tal ponto que permaneceu por décadas desconhecida. Diz a lenda que Sergei Eisenstein a viu e ficou estupefato. Mas nada se sabe ao certo. Em fins dos anos 70, graças aos esforços de Saulo Pereira de Mello e Plínio Susseking, que levaram décadas para recuperar Limite fotograma por fotograma, o filme afinal pôde ser apresentado. Walter da Silveira, quando solicitado a fornecer sua lista dos melhores filmes nacionais para uma enquete da revista Filme/Cultura, faz a observação de nunca ter visto Limite - e, ao que parece, pois morreu em 1970, nunca o viu. Também o grande historiador francês Georges Sadoul, quando de sua visita ao Brasil, demonstrou interesse em vê-lo, mas não conseguiu.
Influenciado pela vanguarda europeia, Limite é pura estesia. Três pessoas vagam sem destino em um barco e relembram seu passado. Quando apresentado em Salvador pela primeira vez, em 1980, Mário Peixoto, ainda vivo, somente autorizou a exibição se os projetores fossem adequados para passar 16 quadros por segundo (depois do sonoro, os filmes são exibidos em 24 quadros por segundo). Limite passou na Sala Walter da Silveira, mas a Fundação Cultural do Estado, para atender Peixoto, fechou o espaço por uma semana para que fossem feitas as modificações indicadas pelo autor. Foi preciso que técnicos viessem do Rio de Janeiro.


7 comentários:

Jonga Olivieri disse...

O dia que assisti "Limite", na ainda Escola de Belas Artes (hoje Museu), no centro do Rio foi um dia que acordei, e, por já saber que à noite ia ter a oportunidade de finalmente ver a obra não consegui fazer mais nada.
E foi mesmo uma forte emoção que tomou conta de mim quando as luzes se apagaram e começou a sua exibição.
Coisas daqueles tempos em que tudo era tão difícil e único. Por isso mesmo muito mais saboroso!

Romero Azevêdo disse...

Outro dia exibia essa jóia do cinema mundial em sala de aula. Um estudante entrou atrasado na sessão sem saber o que estava passando. Ao final me perguntou se era um "video-arte" contemporâneo. Quando falei que era um filme dos anos 30 o jovem ficou deveras assombrado com a atualidade daquelas imagens.

André Setaro disse...

Glauber Rocha, em sua "Revisão crítica do cinema brasileiro", tenta desmistificar o mito de "Limite". Passei décadas e décadas (já estou velho) a ler e 'ouvir dizer' sobre o filme, mas apenas o pude contemplar em 1980 (tinha 30 anos). Lembro-me que li vários artigos de Octávio de Faria sobre "Limite", artigos que o elogiam a ponto da exaltação. Mas fiquei impressionado quando o vi. Jonga, por exemplo, conta aí em cima, que no dia programado para ver o filme, no Museu de Belas Artes (Rio), não pode fazer nada o dia todo - a sessão era à noite.

Acho que "Limite" é uma obra 'hors concurs' do cinema brasileiro. Está acima de todas as outras. O melhor filme brasileiro que vi foi "Deus e o diabo na terra do sol", de Glauber Rocha, que causou grande impacto no adolescente que eu era.

Anônimo disse...

Assisti "Limite" em 2002 em São Paulo, no cinema do Banco do Brasil. Tive a sensação que a musica é um elemento hipnotizador! Eu fechava os olhos e a musica me dava as imagens da tela. Acho que eu entrei em transe!

Ainda bem que depois da sessão, veio um professor da Faap, de nome Lúcio Agra falar da importância da musica no filme. Fiquei boca calada. Já pensou, sala cheia de paulista e uma baiana dizendo que entrou em transe?
Depois deste dia, vivo a perguntar: será por que chama sessão de cinema?

Maria

formaxima.com disse...

André passei para conhecer seu blog not°10, fantástico desejo muito sucesso em sua caminhada e objetivo no seu Hiper blog e que DEUS ilumine seus caminhos e da sua família
Um grande abraço e tudo de bom
Ass:Rodrigo Rocha

contato disse...

fantastico seu blogo o conteudo é muito interessante parabens
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Anônimo disse...

Fantastica esta materia é dificil encontrar material tão vasto na rede de computadores.
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