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25 outubro 2009

"Imitação da vida", de Douglas Sirk, já está em DVD


Douglas Sirk (1900/1987) foi um diretor alemão que trabalhou como realizador cinematográfico em diversos países (França, Holanda) mas que veio a se revelar em Hollywood nos anos 50 com uma série de extraordinários melodramas, que retratam, com primorosa mise-en-scène, a sociedade americana. Rainer Werner Fassbinder, o rebelde diretor de Querelle, um dia declarou: "Os filmes de Douglas Sirk me causam estesia".

Reabilitou o melodrama com uma classe extraordinária. Há, inclusive, entre os bem pensantes, um certo preconceito em relação ao melodrama, como se fosse um gênero menor. Ledo e ivo engano. O melodrama, quando bem executado, estilizado, pode se revelar um objeto de arte, de fascinação, de estesia mesmo. Muita gente confunde melodrama com dramalhão (este, sim, um sub-melodrama, sempre apelativo e sensacionalista. E o que é Luzes da ribalta (Limelight, 1953), de Charles Chaplin, do que um belíssimo melodrama? O que é Marnie, confissões de uma ladra (1964), de Alfred Hitchcock, do que um senhor melodrama? E Assim estava escrito (The bad and the beautiful, 1953), de Vincente Minnelli, entre tantos outros? Particularmente, adoro melodramas quando realizados com classe centrado na tônica do estudo exaustivo das relações passionais.

Mas o que queria dizer nesta mensagem é que Imitação da vida (Imitation of life, 1959), último filme de Douglas Sirk, que largou o cinema quase 30 anos antes de sua morte e se retirou do cenário artístico, indo morar na sua Europa de origem, saiu recentemente em DVD. Filme difícil de ver (passou no Telecine Cult), aclamadíssimo pela crítica, é uma obra indispensável.

Entre os grandes filmes de Sirk, destaco, além de Imitation of life, que é o meu preferido, e sem ordem de importância: Desejo atroz (All I desire, 1953), com Barbara Stanwick, Tudo que o céu permite (All that heaven allows, 1956), com Rock Hudson como o jardineiro pelo qual Jane Wyman, mulher de classe alta, apaixona-se, Chamas que não se apagam (There's always tomorrow, 1956), também com Barbara Stanwick, Palavras ao vento (Written on the wind, 1956), com Rock Hudson, Dorothy Malone, Robert Stack, Lauren Bacall, Almas maculadas (The tornished angels, 1958), também com Rock Hudson e Dorothy Malone, Amar e morrer (A time for love and a time for dead, 1958), com John Gavin.

Em Imitation of life, duas mães, uma atriz famosa ( (Lana Turner) e sua empregada doméstica negra (Juliana Moore), com o crescimento de suas filhas (uma delas branca, apesar da mãe negra), começam a ter problemas com elas. Em questão, o racismo na sociedade americana da época. A sequência final é digna de um mestre de cinema. E a interpretação de Juliana Moore é magistral.

3 comentários:

Andre disse...

O que são os filme do De Sica senão melodramas maravilhosos?

Aliás,o que é Girassóis da Rússia senão um lindo novelão das oito?

Jonga Olivieri disse...

Realmente existe uma grande, até mesmo enorma diferença entre o melodrama e o dramalhão.
É o caso deste "Imitação da vida".
Lembro muito pouco dele, pois o ví há muitos anos atrás não o tendo revisto desde então.
Mas não me incomodou na ocasião. E dramahões incomodam, irritam... Dá vontade até de (ato exteemo) sair do cinema.

Julio disse...

Meu caro Setaro. Creio que voce foi traído pela memória: o nome correto da atriz do Imitation of Life é Juanita Moore (e não Juliana), como já havia sido citado corretamente no topo do mesmo post. O ato falho, além de compreensível, pela similaridade dos nomes, é revelador sobre a natureza cinéfila do blogueiro: Julianne estreou "Far from Heaven" (Longe do Paraíso) a bela homenagem que Todd Haynes prestou a Douglas Sirk e seus melodramas. Vi "Imitação" há poucos dias em DVD e é, de fato, primoroso. Como também o é "Almas Maculadas" (Tarnished Angels), outra obra-prima do mestre Sirk já disponível nas locadoras baianas.