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09 agosto 2009

O Pai Sandú

O publicitário Jonga Olivieri, bloguista (Novas Pensatas: http://novaspensatas.blogspot.com/), pintor e desenhista (http://pinturas-jonga.blogspot.com/ ) e, nas horas vagas, free-lancer como repórter fotográfico dos cinemas antigos do Rio de Janeiro, enviou-me, desta vez, para dar continuidade à serie sobre as antigas, e inesquecíveis, salas de projeção cariocas, uma montagem do Cinema Paissandú, que o mostra em seu auge e hoje, com as portas cerradas, acabado e fechado. O Pai Sandú, que resolvo chamá-lo assim porque um verdadeiro pai cinematográfico para toda uma geração de cinéfilos, constitui-se, nos anos 60, num point indispensável para todos aqueles que, cinéfilos, gostavam de assistir às últimas novidades do cinema mundial. Há um capítulo essencial sobre a Geração Paissandú em Um filme é para sempre, de Ruy Castro (Companhia das Letras), cuja leitura se faz obrigatória para todos os que gostam da arte do filme.
Após as exibições no Pai Sandú, as pessoas se reuniam em bares e pizzarias nas circunvizinhanças para discutir o último travelling de Godard. Ir ao cinema, naquela época, era uma festa (no melhor sentido). Uma festa para os sentidos, uma festa para o espírito, uma festa para a inteligência. Bebia-se muito chopp (e no Rio, o chopp é uma delícia dos deuses).

7 comentários:

Jonga Olivieri disse...

Você mandou bem. O Pai Sandú. Não um simples cinema na paisagem urbana de nossas vidas, mas algo que marcou o cinema brasileiro de toda uma época. E dizer que por acaso mandei as fotos para o seu blogue no dia dos pais.
Mas como corta o coração da gente ver aquilo fechado, vedado. Até fiz as fotos das grades como a querer dizer que o cinema estava cumprindo uma pena de detenção. Uma sala em que a pouco mais de um ano atrás estive lá e continuava inteirinho!
E dizer que a prefeitura do Rio prometeu reabri-lo! Talvez ainda o faça. Quem sabe por isso não foi ainda alugado para o bispo Macedo da famigerada Igreja “Católica” do Reino de Deus?

André Setaro disse...

O fechamento do Pai Sandú (e hoje, por ironia, é dia dos Pais) foi um tiro no coração dos amantes do bom cinema.

Romero Azevêdo disse...

Grande Reportagem Jonga! As fotos são mais que fatuais, são imagens metafóricas da realidade cinematográfica neste século XXI.
Parabéns pelo trabalho. A série sobre os cinemas cariocas fechados cresce em forma e conteúdo a cada postagem.

Caique Gonçalves disse...

A extinção dos antigos cinemas leva consigo muito mais que um espaço para assisti-los. Leva a alma de quem teve a oportunidade de vivenciar momentos únicos graças à sétima arte, assim como um espaço fértil para um debate inteligente. Reafirmo que os cinemas nos shoppings centers retiram a essência desta arte. O cheiro de pipoca e de testosterona dos garotos que enchem essas salas para afirmar sua masculinidade retira todo o tesão para se apreciar um bom filme. Boa recordação, Setaro, esse texto de Ruy Castro deixa qualquer cinéfilo arrepiado. Forte abraço

Stela B. de Almeida disse...

Esses moços são demais! Estou aqui a encontrar a foto da página 407, a sessão do Pai Sandu povoada de jovens( o primeiro sentado ao chão usa um óculos estilo Godard, o da quarta fila à direita óculos ao estilo Hitch e as moças atentíssimas, silêncio magistral, a sessão vai começar). Aos pais de hoje, Setaro e Jonga, maiores de trinta que trazem os ecos de uma geração, meu abraço.

André Setaro disse...

Nasci no Rio, mas, por forças de circunstâncias adversas, vim morar aqui em Salvador, mas sempre ia ao Rio. Todo ano passava o mês de férias na cidade do Pão de Açucar. Vi "El Cid", de Anthony Mann, por exemplo, em 1963, no Paissandú. Acompanhei de perto a sua fase áurea. De perto e de longe, melhor dizendo. De perto, quando estava no Rio, de longe, pelo 'Jornal do Brasil', principalmente, quando de longe na Bahia.

Sim, Caíque, você expressou bem o que é a perda de antigos cinemas. Stela, você deve ter visto as fotos citados no livro de Ruy Castro. Romero é cinéfilo das antigas.

Jonga Olivieri disse...

Obrigado Romero. Tenho me esforçado para pautar um trabalho de pesquisa e tradução da realidade nesta era de "multiplexes" em que os cinemas são todos iguais.
Até agora, o que mais me chocou --e provocou o início desta série-- foi o Cine Vitória, cuja decomposição lembra a de um "leproso" na antiguidade, condenado às sombras de úmidas cavernas (ambiente em que a doença se agravava) enquanto o sol é a sua melhor possibilidade de cura.
No entanto, teem mais coisas a serem mostradas.