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06 junho 2009

Mostra imperdível de Marguerite Duras

A Sala Walter da Silveira, desde que Adolfo Gomes, profundo conhecedor de cinema, assumiu o controle de sua programação, tem se revelado uma verdadeira cinemateca graças à parceria que faz com embaixadas e consulados. A rigor, é a única sala verdadeiramente alternativa da cidade, porque o Circuito Baiano de há muito abandonou o seu projeto inicial de filmes especiais, quando de sua época de ouro, quando a Perini (loja de delicatessens) ainda não tinha engolido a Sala de Arte do Bahiano. A mostra dedicada a Marguerite Duras (autora do roteiro de Hiroshima, mon amour, de Alain Resnais, e, depois, diretora de muitos filmes) é uma oportunidade única e raríssima de se ver algumas preciosidades realizadas por ela através das imagens em movimento. O texto abaixo é de Adolfo Gomes:
" Muita gente não sabe que a francesa Marguerite Duras - autora de “O amante”, “O deslumbramento”, “Uma barragem contra o Pacífico” e “Moderato Cantabile”, falecida em 1996 - também “escrevia” suas histórias com câmera e microfones. A autora realizou filmes durante as décadas de 60, 70 e 80 que representam ainda hoje, passados mais de 30 ou 40 anos, realizações de grande ousadia e inventividade de linguagem. Em 1980, em número duplo totalmente dedicado a Duras da famosa revista francesa Cahiers du Cinéma, ela define o cinema que faz: é um "outro cinema", não aquele que "conta seus espectadores aos quilos", em que as pessoas vão para perder-se, para esquecer do mundo lá fora e ser engolidas pelo filme; seu cinema é feito com a participação do espectador, que precisa então estar totalmente presente – em corpo e espírito – para criar o filme junto com a autora.É um cinema que inventa uma relação totalmente nova entre o "áudio" e o "visual". Sons e imagens não apenas se confirmam numa narrativa, mas criam situações de disjunção, com relações inusitadas cujo sentido cabe ao espectador solucionar.As imagens de Duras são de intensa beleza fotográfica, e investigam os espaços como num documentário. No áudio, a presença marcante de vozes, da voz de Marguerite com sua entonação precisa e pausada. A atual mostra, complementada por uma palestra do curador do evento, professor Maurício Ayer, no dia 6/06, às 15h30, na Sala Walter da Silveira, pretende não apenas refletir sobre essa produção tão pouco conhecida no Brasil, como contemplar as relações entre cinema e literatura e o processo em si da criação artística em diferentes formas de expressão.
Em cartaz de 5 a 11 de junho, a Mostra “Marguerite Duras: Escrever Imagens” se insere no contexto das atividades audiovisuais do Ano da França no Brasil, facultando ao público que acompanhar a mostra e participar da palestra a oportunidade de se dar conta de como a cada filme a artista realizava uma proeza de invenção. Com recursos técnicos mínimos, ela foi capaz de ir sempre mais longe no trabalho com a dramaturgia, na ideia de seus filmes, e pisou onde ninguém tinha estado antes. Quem imaginaria um filme em que vemos a diretora e o ator lendo um roteiro, transformando a leitura no seu evento central, e que consegue – além de romper toda fronteira entre ficção e documentário – criar toda uma atmosfera ritualística que faz do filme uma experiência absolutamente singular?"


Apoio: Cinemateca da Embaixada da França no Rio de Janeiro e Klaxon Cultura Audiovisual
Ingresso: R$ 4,00 (Estudantes e maiores de 60 anos pagam meia-entrada)
Formato: 35mm

Programação
Dia 5/06
17h30
Destruir, disse ela (Détruire, dit-elle, Fra,1969) Duração:90 min, p&b
Direção: Marguerite Duras
Duração:90 min
Elenco: Atores: Nicole Hiss, Catherine Sellers, Michael Lonsdale e Henri Garcin.
Censura 14 anos
Sinopse - Dois homens se encontram e conversam todos os dias num hotel de campo. Um deles, Max Thor, que está “em vias de se tornar um escritor”, observa Elizabeth Alione, uma mulher que se recupera de um aborto, e todos os dias se deita ao sol no gramado, com um livro que nunca lê. Quando Alissa, a esposa de Thor, chega ao hotel, encontra Stein e inicia com ele uma relação adúltera, consentida pelo marido. O grupo aproxima-se de Elizabeth, e ela vive simultaneamente atração e pavor por Alissa, que quer levá-la à floresta, onde os limites e convenções sociais estão suspensos. A loucura se infiltra nos diálogos, que passam a insinuar sentidos compreensíveis apenas aos personagens, mas inacessíveis ao espectador, criando uma atmosfera de angústia, em que a qualquer momento algo terrível pode acontecer.
O filme é uma resposta direta de Marguerite Duras às experiências vividas em Maio de 1968. Questionada sobre ser esta uma obra política, ela respondeu: “[Michel] Foucault acha que sim”. Entende-se então que a política aqui é aquela que o filósofo francês apresenta como micropolítica, esses vetores de poder e resistência que atravessam os corpos, a incorporação da loucura pela razão, a ruína dos valores morais, a ética do desejo. Duras descreve os eventos de maio em Paris como uma loucura coletiva, que se traduz nesse desejo de destruição, e a iminência de que o mundo, a cultura, o cinema, tudo venha abaixo: “o amor corria pelas ruas”, “não sabemos pra onde vamos, mas vamos”.

20hO homem atlântico (L’homme atlantique, Fra, 1981)
Direção: Marguerite Duras
Duração: 42 min
Voz: Marguerite Duras
Ator: Yann Andréa
Censura: 14 anos
Sinopse - A voz de Marguerite Duras fala a alguém, indica-lhe como num roteiro os gestos que deve cumprir, e assim quando percebe, fez-se o cinema. Diante de nossos olhos, a tela negra. Duras busca acessar aquilo que chama de “voz interior da leitura”, e evidenciar diante dos nossos olhos algo que é anterior à própria visão de um filme: sua criação interna, a imaginação antes da imagem.
Cerca de dois terços da duração do filme se passam com a tela negra, entrecortada por inserções de planos gravados na casa de Duras, na Normandia, diante do mar. Essas imagens, com simples mas ardilosos jogos de espelho ou o movimento perpétuo das ondas no mar.
Trata-se, portanto, de uma das obras mais radicais de Marguerite Duras em sua desconstrução do cinema. É quase uma instalação audiovisual que invade a sala de projeção, sua tela, um limite além do qual não é possível ultrapassar sem eliminar completamente o cinema do cinema.

Dia 6/06
17h30As crianças (Les enfants, Fra,1984)
Direção: Marguerite Duras, Jean Mascolo, Jean-Marc TurineDuração: 90 min.
Elenco: Axel Bougosslavsky, Daniel Gélin, Tatiana Moukhine, Martine Chevalier e André Dussollier.
Censura: 14 anos
Sinopse - Ernesto é um menino, filho de imigrantes (mãe russa e pai italiano), que mora num subúrbio pobre de Paris. Seu desenvolvimento incomum (aos 12 anos tem o aspecto de um homem de 40) a princípio não chama a atenção. Ele encontra um livro com um furo redondo no meio e, sem nunca ter aprendido, o lê – é a história de reis judeus. Um dia diz a seus pais que não voltará à escola, pois ali “ensinam coisas que ele não sabe”. Temendo as penas legais por não manter o filho na escola, os pais vão conversar com o diretor, que ainda não havia notado o tamanho incomum de Ernesto. A fala do diretor é precisa: “nenhuma criança quer ir à escola, elas são forçadas”. Ao conversar com Ernesto, no entanto, surpreende-se, não consegue convencê-lo com seus argumentos, e se torna quase um discípulo dele.
Ernesto desenvolve então seu método peculiar para saber as coisas. Ele espera na saída dos colégios para ouvir o que dizem os estudantes. Algum tempo depois: ele sabe. Esgotado o conhecimento escolar, começa a explorar as saídas de universidades, até que um dia ele consegue completar o conhecimento acumulado pela humanidade. Torna-se famoso, e um jornalista o procura, para ouvir o que ele, que tudo sabe, tem a dizer. Ele então cita o Eclesiastes: “Tudo é vaidade de vaidade” e sumariamente sentencia sobre as coisas do mundo: “Não vale a pena”.

20hDestruir, disse ela (Détruire, dit-elle, Fra,1969) Duração:90 min, p&b
Direção: Marguerite Duras
Duração:90 min
Elenco: Atores: Nicole Hiss, Catherine Sellers, Michael Lonsdale e Henri Garcin.

Dia 7/06
17h30
Césarée (Fra,1979)
Direção: Marguerite Duras
Duração:11 min
Voz: Marguerite Duras

Aurélia Steiner – Melbourne (Fra,1979)
Direção: Marguerite Duras
Duração: 35 min.
Voz: Marguerite Duras
Censura 14 anos

Aurélia Steiner - Vancouver (Fra, 1979)
Direção: Marguerite Duras
Duração: 48 min
Voz: Marguerite Duras

As mãos negativas (Les mains négatives, Fra,1979)
Direção: Marguerite Duras
Duração: 18 min
Voz: Marguerite Duras

Sinopse - Estes quatro curtas-metragens foram realizados com “sobras” das filmagens realizadas para Le navire Night e Agatha ou les lectures illimités. Cada um deles define um território audiovisual próprio, embora todos mantenham uma característica estruturante comum: a disjunção da imagem e do som, este caracterizado pela voz recitativa da própria Marguerite Duras. Se as imagens resultam da exploração quase documental de espaços cotidianos, a palavra enunciada pela voz estabelece um contato com uma outra dimensão temporal, o mito narrado a atritar com a banalidade da paisagem urbana ou litorânea.
Em Césarée, vemos as estátuas do jardim das Tuilerias, diante do palácio do Louvre, em Paris. A voz de Marguerite Duras entoa a história, ou uma espécie de recitativo em alusão à história do amor impossível do imperador romano e da rainha dos judeus.
O povo judeu é, de fato, uma presença constante nos livros e filmes de Marguerite Duras. Em primeiro lugar, é o povo da palavra, das sagradas escrituras, do Velho Testamento, que Duras considera como o “Texto dos textos”. Em segundo lugar, é o povo do sofrimento, de uma dor sagrada que o torna digno de um respeito quase religioso. Se em Césarée os judeus são situados no tempo de opressão pelo Império Romano, Aurélia Steiner (Melbourne) (1979) e Aurélia Steiner (Vancouver) (1979) têm lugar no tempo contemporâneo, do holocausto imposto pelos nazistas aos judeus.
Aurélia Steiner é uma menina judia que nasce num campo de concentração. A mãe morre no parto, o pai, ao ser pego roubando um prato de sopa para sua filha. Aurélia Steiner será então o símbolo da marca deixada pelo holocausto na pele de cada judeu, que se dispersa pelo mundo antes, durante e após a guerra. Duras escreveu três textos intitulados Aurélia Steiner, acompanhados dos nomes de três cidades: Melbourne, Vancouver e Paris – e com os dois primeiros produziu filmes.
Aurélia Steiner (Melbourne) é constituído basicamente de travellings capturados ao longo do rio Sena, em Paris. Os ritmos da geometria das pontes, as texturas da luz nas águas e planos da catedral de Notre-Dame criam uma série de jogos visuais.
As mãos negativas resulta de uma "reação química" entre o impacto da beleza de sua fotografia, a força e delicadeza de sua poesia e a crueza rústica de sua música. O que vemos na tela é uma Paris filmada quase sem luz, no alvorecer, em que um azul negro banha as ruas e calçadas e é perfurado apenas pelo fogo vermelho dos semáforos.


20h
As crianças (Les enfants, Fra,1984)
Direção: Marguerite Duras, Jean Mascolo, Jean-Marc TurineDuração: 90 min.
Elenco: Axel Bougosslavsky, Daniel Gélin, Tatiana Moukhine, Martine Chevalier e André Dussollier.
Censura: 14 anos

Dia 8/06
17h30
Césarée (Fra,1979)
Direção: Marguerite Duras
Duração:11 min
Voz: Marguerite Duras
Censura: 14 anos

Aurélia Steiner – Melbourne (Fra,1979)
Direção: Marguerite Duras
Duração: 35 min.
Voz: Marguerite Duras
Censura 14 anos

Aurélia Steiner - Vancouver (Fra, 1979)
Direção: Marguerite Duras
Duração: 48 min
Voz: Marguerite Duras
Censura: 14 anos

As mãos negativas (Les mains négatives, Fra,1979)
Direção: Marguerite Duras
Duração: 18 min
Voz: Marguerite Duras
Censura: 14 anos

Sinopse - Estes quatro curtas-metragens foram realizados com “sobras” das filmagens realizadas para Le navire Night e Agatha ou les lectures illimités. Cada um deles define um território audiovisual próprio, embora todos mantenham uma característica estruturante comum: a disjunção da imagem e do som, este caracterizado pela voz recitativa da própria Marguerite Duras. Se as imagens resultam da exploração quase documental de espaços cotidianos, a palavra enunciada pela voz estabelece um contato com uma outra dimensão temporal, o mito narrado a atritar com a banalidade da paisagem urbana ou litorânea.
Em Césarée, vemos as estátuas do jardim das Tuilerias, diante do palácio do Louvre, em Paris. A voz de Marguerite Duras entoa a história, ou uma espécie de recitativo em alusão à história do amor impossível do imperador romano e da rainha dos judeus.
O povo judeu é, de fato, uma presença constante nos livros e filmes de Marguerite Duras. Em primeiro lugar, é o povo da palavra, das sagradas escrituras, do Velho Testamento, que Duras considera como o “Texto dos textos”. Em segundo lugar, é o povo do sofrimento, de uma dor sagrada que o torna digno de um respeito quase religioso. Se em Césarée os judeus são situados no tempo de opressão pelo Império Romano, Aurélia Steiner (Melbourne) (1979) e Aurélia Steiner (Vancouver) (1979) têm lugar no tempo contemporâneo, do holocausto imposto pelos nazistas aos judeus.
Aurélia Steiner é uma menina judia que nasce num campo de concentração. A mãe morre no parto, o pai, ao ser pego roubando um prato de sopa para sua filha. Aurélia Steiner será então o símbolo da marca deixada pelo holocausto na pele de cada judeu, que se dispersa pelo mundo antes, durante e após a guerra. Duras escreveu três textos intitulados Aurélia Steiner, acompanhados dos nomes de três cidades: Melbourne, Vancouver e Paris – e com os dois primeiros produziu filmes.
Aurélia Steiner (Melbourne) é constituído basicamente de travellings capturados ao longo do rio Sena, em Paris. Os ritmos da geometria das pontes, as texturas da luz nas águas e planos da catedral de Notre-Dame criam uma série de jogos visuais.
As mãos negativas resulta de uma "reação química" entre o impacto da beleza de sua fotografia, a força e delicadeza de sua poesia e a crueza rústica de sua música. O que vemos na tela é uma Paris filmada quase sem luz, no alvorecer, em que um azul negro banha as ruas e calçadas e é perfurado apenas pelo fogo vermelho dos semáforos.

20h
India Song (Fra, 1974) Duração: 120 min
Direção: Marguerite Duras
Duração: 120 min.
Elenco: Delphine Seyrig, Michael Lonsdale, Claude Mann e Didier Flamand
Censura: 14 anos
Sinopse - “É a história de um amor, vivido nas Índias, nos anos 30, numa cidade superpopulosa às margens do Ganges. Dois dias dessa história de amor são evocados. A estação é a da monção de verão. Quatro Vozes – sem rosto – falam dessa história. As pessoas às vezes dizem que minha obra é feita como a música é feita. Se eu posso ter uma opinião, eu acho que é verdade. Pelo menos para India Song é verdade”. (Marguerite Duras)

Dia 9/06
17h30
Agatha ou as leituras ilimitadas (Agatha ou les lectures illimitées, Fra, 1981)
Direção: Marguerite Duras
Duração: 90 min.
Vozes: Marguerite Duras e Yann Adréa
Elenco: Bulle Ogier e Yann Andréa
Censura: 14 anos
Sinopse - Um homem e uma mulher, irmão e irmã, rememoram os momentos de seu amor incestuoso, antes de se separarem definitivamente. “Tudo é tão confuso”, diz ela, “sim, acho que vou embora devido à força desse amor tão terrível que temos um pelo outro” (Agatha, p. 11). No diálogo, vemos construir-se o filme de um passado irrecuperável, que se faz presente pela palavra.
O incesto é também uma forma de amor que Marguerite afirma ter vivido. Ela estava na França quando seu irmão, que permanecera na Indochina com a mãe, morreu durante a guerra, por falta de medicamentos. O desespero com que recebeu a notícia – ela conta que batia a cabeça contra a parede, queria se matar – a convenceu de que havia amado seu irmão. A partir dessa experiência, ela reflete que “o incesto é a coincidência entre o amor e o laço de parentesco. Todo amor, na realidade, busca recuperar esse laço fundamental”.

20h
India Song (Fra, 1974) Duração: 120 min
Direção: Marguerite Duras
Duração: 120 min.
Elenco: Delphine Seyrig, Michael Lonsdale, Claude Mann e Didier Flamand
Censura: 14 anos

Dia 10/06
17h30
O homem atlântico (L’homme atlantique, Fra, 1981)
Direção: Marguerite Duras
Duração: 42 min
Voz: Marguerite Duras
Ator: Yann Andréa
Censura: 14 anos

Dia 11/06
17h30
As crianças (Les enfants, Fra,1984)
Direção: Marguerite Duras, Jean Mascolo, Jean-Marc TurineDuração: 90 min.
Elenco: Axel Bougosslavsky, Daniel Gélin, Tatiana Moukhine, Martine Chevalier e André Dussollier.
Censura: 14 anos

20h
Agatha ou as leituras ilimitadas (Agatha ou les lectures illimitées, Fra, 1981)
Direção: Marguerite Duras
Duração: 90 min.
Vozes: Marguerite Duras e Yann Adréa
Elenco: Bulle Ogier e Yann Andréa
Censura: 14 anos

2 comentários:

Adolfo disse...

Caro Setaro,
O Sternberg já dizia: "não se pergunta para a galinha o gosto da canja". Mesmo assim, agradeço-lhe demais pelo espaço de divulgação e pelas sempre generosas palavras. Convém observar que o texto do release também foi baseado no catálogo do evento, escrito pelo curador da Mostra, Maurício Ayer.
Grande abraço,
Adolfo

Jonga Olivieri disse...

A programação é excelente. E Duras merece toda esta divulgação.
Aliás, "Moderato cantabile" (1960), um excelente (e pouco difundido) filme de Peter Brook com Jeanne Moreau e Jean-Paul Belmondo, e que assisti à época, nunca mais o tendo revisto é uma obra-prima no aprogundamento do sentimento humnano frente a acontecimentos do dia a dia que nos marcam.