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02 dezembro 2008

Cinéfilo agônico

Fico impressionado com a pintura de Edward Hooper como esta que se encontra aqui neste post. Soube, como pouco, refletir a "América profunda" e, por isso, é um pintor admirado por cineastas on the road como Wim Wenders, entre tantos outros. Mas devo confessar que fui ver Queime depois de ler (Burn after reading, 2008), de Joel e Ethan Coen na sexta de tarde numa das salas do complexo Iguatemi. Mas tive que sair da sala por causa de um complexo de coisas, ruídos no processo da comunicação: pessoas que atendiam celulares para conversas ligeiras, pipocas sendo mastigadas por mandíbulas animais, conversinhas assanhadas, risotas fora de hora, e o tal do Iphone no qual um débil mental via não-sei-o-quê. Não conseguia acompanhar o filme. As pessoas riam nas horas erradas. Um bando de doentes com um comportamento nitidamente selvagem. Saí. Senti que minha tensão arterial estava alta - e a mantenho abaixo do normal com ótimas medicações. Para constatá-la, fui à enfermaria do Shopping Center Iguatemi e a enfermeira, que parecia Catherine Spaak, disse que sim, que ela, a tensão, estava alta, 16 por 11. Contei-lhe então da minha aflição, da minha agonia, dentro da sala escura do cinema. Ela me aconselhou que descansasse, que fosse dar um giro pelo shopping. Segui-lhe o conselho. Sentei-me num quiosque e tomei um cafèzinho e depois comprei um jornal para ler. E fui me sentar num banco que me trouxe à memória as desaparecidas praças soteropolitanas nas quais costumava espraiecer. A minha ida ao Iguatemi já é custosa, porque longe de meu prédio, de meu bairro. Decidi ficar para a sessão noturna e, três horas depois, voltei, novamente, à enfermaria e constatei, admirado, clássicos 12 por 8. Não havia a menor dúvida: a pressão subiu por causa da selvageria dos espectadores, dos vândalos que freqüentam os complexos de salas. Calmo, retornei à bilheteria e tirei outro ingresso. A sessão noturna estava mais serena e consegui ver o filme de Joel e Ethan Coen. Fiz um esforço, esta a verdade, porque se procurasse um débil mental seria muito fácil encontrá-lo. Mas, felizmente, a sessão estava meio vazia. Pude ver o filme sem maiores contrariedades.

4 comentários:

Beny disse...

Como cinéfilo e trabalhador dum cinema de shopping, em Faro, Portugal, percebo inteiramente o seu problema e concordo consigo. Há muito dessa gente nas salas de cinema que, como apreciador de cinema, me deixa muito triste mesmo. Um abraço forte de Portugal e continue a escrever coisas deliciosas sobre cinema, para mim, dicas importantíssimas para a minha contínua aprendizagem e incremento da minha cultura fílmica. Obrigado.

Jonga Olivieri disse...

Belo o quadro de Hooper, um dos mais conhecidos do autor, de quem aliás admiro a obra em seu conjunto.
Mas é isso aí. Daí a enquete que você fez estar quase empatada entre “falta de educação” e “coisas de débeis mentais” porque é a sutil diferença entre eles...

Marcelo Miranda disse...

E o que achou do filme, meu caro?!

André Setaro disse...

O que achei do filme?
Leia o meu comentário no Terra Magazine:

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3364922-EI11347,00-Queime+depois+de+ler.html