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06 fevereiro 2006

Da psicose antitabagista


Tenho consciência dos males causados pelo cigarro e gostaria, inclusive, de não ter esse vício., que foi adquirido na adolescência. Mas detesto a psicose antitabagista que se instalou. Numa viagem de avião, que não fica restrita ao vôo propriamento dito, mas à espera no aeroporto, à chegada uma hora antes para o check in, o tempo que se leva na sala de embarque, não se pode fumar. Nos shoppings centers também não. Frqüentava, por exemplo, uma choparia num restaurante árabe, que fica no Shopping Barra, em Salvador, mas após a probição rigorosa do tabaco em abril de 2005, desde esta data perdi meu chopp, pois somente posso beber quilometricamente se fumo. Buñuel, em seu livro de memórias escrito por Jean-Claude Carrière, Meu último suspiro, mas ditado por ele, tem um capítulo magistral onde faz a apologia do cigarro e da bebida. Claro, quem não fuma tem todo o direito de não se contaminar com aqueles que fumam, mas que sejam reservadas áreas para fumantes nos bares e restaurantes e nas aeronaves. Há, também, o direito de fumar. Por falar nisso, e vendo, ontem, O preço da traição (Mulholland falls, 1996), de Lee Tahamori, reparei que Nick Nolte fuma em todas as tomadas, e não apenas com o cigarro na mão ou na boca, mas acendendo-o com um isqueiro. Também seus parceiros, quando ele oferece cigarro, todos aceitam-no. Nos filmes dos anos compreendidos entre 30 e 60, praticamente todos os personagens fumavam. E era chic a mulher fumar, ter uma cigarreira folheada a ouro, etc.

Estive na Nona Mostra de Tiradentes e me impressionei com a possibilidade de se fumar nas mesas dos debates. Um avanço, considerando a proibição fechada em outros estados. Um cinzeiro estava à disposição de cada debatedor nos seminários programados. Além do êxito da mostra em si, vale registrar a abertura ao cigarro, um verdadeiro alívio para os fumantes inveterados como este bloguista.
O Hollywood que aparece aí ao lado, de maço verde, não é o que fumo. Fumo o vermelho, cor de sangue, o Original Blend, authentic taste.

Um comentário:

Iris disse...

eu realmente sou sua fã.
fumar, tomar chopp, café bom, vinho, caipirinha de cachaça descente, conversas descentes sobre o ultimo filme... fica cada vez mais difícil fazer isso em salvador. as salas de arte fecham logo, os butecos e seus estacionamentos perigosos, o shopping e o inferno colorido. Chamar o povo pra casa, comprar umas cervejas, alugar dvds e bater a cinza no cinzeiro da sala é o que resta.
abraços
I!!