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27 setembro 2005

DE WILLIAM FRIEDKIN

Há diretores que pouco são valorizados, mas que possuem um especial sentido de cinema, de ritmo, de timing. Suas qualidades podem ser vistas mais pelo elo sintático do que pelo elo semântico, embora as duas coisas se associem. É o caso de William Friedklin, assim como, também, é o caso, em menor intensidade, de John Schlesinger ou, mesmo, John Frankenheimer. Estes últimos, em final de carreira, perderam o rumo, pasteurizando-se. Mas Friedklin, embora alguns filmes não muito palatáveis, tem obras admiráveis. Uma delas passou em brancas nuvens: Jade, com Linda Fiorentino e David Caruso, filme que parece que possui um fio elétrico no seu desenvolvimento narrativo, espraiando por todo o seu desenrolar uma tensão permanente. Quem viu Operação França (The french connection, 1971) pode ter uma idéia da capacidade de mise-en-scène de Friedklin. Seus filmes podem ser considerados verdadeiras aulas de timing, e o seu senso de montagem é impressionante. A tensão que incorpora a seus melhores filmes no diapasão rítimico poderia ser comparada a uma partitura musical. Revi Viver e morrer em Los Angeles (To life e died in L.A., 1985) e o que posso dizer é que fiquei impressionado com o uso que faz do tempo e espaço cinematográficos, que, conjugados, tornam-se um tempo-espaço puraramente abstrato numa composição realmente artística com o uso, inclusive, de elementos composicionais como tinta, quadros, mulheres maquiadas, detalhes que dão uma significação extra ao material narrado. Desde muito antes de The french connection venho observando William Friedklin e, sempre, com especial admiração. O primeiro contato foi com Quando o strip-tease começou (The night they raided minsky', 1968). E o O exorcista, tenham paciência, é filme de diretor de primeira ordem. O terror da seqüência dos exames médicos, terror que emerge pelo barulho das chapas sendo tiradas, entre muitas outras seqüencias exemplares, não se pode deixar de considerar como um trabalho de artista do filme. Mas como as pessoas, mesmo aquelas ditas cultas, acham que o filme tem valor mais pelo seu elo semântico se atrapalham quando vê um filme de Friedklin. É a ignorância, óbvia e ululante.

5 comentários:

Davi disse...

French Connection é mesmo trabalho de mestre. Gosto de como ele usa a câmera tremendo para dar uma sensação frenética à imagem. Não é uma tremida na mão, como se faz hoje em dia, mas uma tremida regular conseguida através de um equipamento específico para isso.

Hoje em dia muitos filmes usam esse recurso, além de muitos outros, pra deixar as cenas mais com mais cara de "ação".

O exorcista, realmente, é um filme de mestre! Com uma noção de tempo genial, tanto no roteiro quanto na direção. Friedkin sabe trabalhar muito com a ansiedade, o ritmo um tanto frio do filme aumenta a antecipação por parte do público, e a ausência de trilha sonora em cenas importantes (como a do hospital) compõem uma atmosfera ainda mais assustadora e envolvente.

Realmente, é um diretor para ser revisto! Ele fez algo digno de nota mais recentemente?

sora disse...

Seria o elo semântico, o cinto de castidade da contemporaneidade?

abçs,

Davi disse...

Desculpem a minha ignorância, mas o que vocês querem dizer com "elo semântico"?

ary da matta disse...

Que porra e' sentido de cinema?, elo sintatico, elo semantico? Esse cara ta' querendo enganar!

André Setaro disse...

Creio que você, caro Ary da Matta, está precisando, de vez em quando, consultar um dicionário. Não saber o significado de 'sintático' e 'semântico'? Sou eu quem está querendo enganar? Faça uma exame de português e, depois, de consciência.