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25 janeiro 2008
O chicote em ação

23 janeiro 2008
O chicote dos amestradores
Chego até a ser radical: filme que tem preparador de elenco eu não vejo de jeito nenhum. É uma aberratio, sem dúvida, a aparição desse diretor de atores cuja característica mais sobressalente é o sadismo e a ânsia de psicanalizar os intérpretes, a os levar ao esgotamento físico e mental. Para que isso? Já falei nesta monstruosidade que é um modismo da contemporaneidade e que tanto tem encantado os inocentes úteis. Mas, conversando ontem com o Velho Tuna, Tuna Espinheira, cineasta baiano, ele também a julgar, isso, uma monstruosidade, me relatou, depois, em mensagem enviada:O que são, verdadeiramente, a figura da moda dos Diretores de Atores? As produções atuais, digo: aquelas que levam a parte mais polpuda da grana que o Governo renuncia para as famigeradas Lei de Incentivo, somando com os ricos subsídios do BNDS, Furnas, Petrobrás, etc, etc , formando, certamente um caixa mais adiposo que o orçamento, costumam se orgulhar e alardear a presença destes técnicos mágicos, milagrosos, que tiram leite em pedra. (Refiro-me aos atores), pouco importa o nível de qualidade de cada um. Críticos e comentaristas eunucos já começam a antepor um selo de qualidade nos filmes rodados sob o chicote destes amestradores... Vade Retro.
O importante livro, “Afinal Quem Faz Os Fimes”, de Peter Bogdanovich, traz como epígrafe o seguinte: “ Eu gostava de quase todos que me fazia perceber quem diabos estava fazendo o filme [...] Porque o diretor é quem conta a história, e deve ter o seu próprio método de conta-la”. Ass. Haward Hawks. Ora, a relação do diretor/ator é viceral para o sincronismo dramático de um para o outro na feitura de filme. A batuta tem que ser do maestro e não do afinador de instrumentos. Será que a observação, uma feliz definição do fazer cinema, está defasada!? Parafraseando o título do livro citado: afinal o que fazem os diretores quando o filme está sendo filmado? Recebem a massa pronta e põe no molde?
Aproveito para recomendar a leitura do livro ao qual me referi. Editado pela Companhia das Letras. Gostosissimo de ler e aprender."
Tuna Espinheira
22 janeiro 2008
Graça, beleza e estilo: Shirley MacLaine

20 janeiro 2008
Tuna Espinheira manda ver

A comentar o meu artigo recente no site Coisa de Cinema (http://www.coisadecinema.com.br/matArtigos.asp?mat=2220), Tuna Espinheira acha que deveria ter tocado no lobby das agências de propaganda que toma conta dos marketeiros encarregados da liberação de recursos das empresas para o financiamento dos filmes pelas chamadas leis de incentivo. Seu desabafo:
"Seu artigo “Cascalho no Dolby ou para que se produzir se não há exibição?" mostra algumas irrefutáveis verdades sobre a miséria do cinema baiano. Enfatiza, principalmente, a quase impossibilidade dos filmes, depois de prontos, adentrarem no escurinho do cinema comercial, ou seja, a finalidade precípua, o sopro de vida, o caminhar com as próprias pernas que é a vocação de toda obra cinematográfica. Repito uma frase que exemplifica: O cinema não têm nada a ver com a clandestinidade. Já teve o seu apogeu como arte destinada às massas. Fez rir, chorar, entortou cabeças, mudou costumes, transportou culturas num imenso dialogo entre os povos, os mais diversos. Hoje já não é mais aquele brioso Trio Elétrico, não mais arrasta multidões, mas entre aqueles que não morreram, ainda tem muita gente que lhe segue o rastro. O mundo precisa, o Brasil e a Bahia idem, do registro da imagem em movimento. Ante de tudo o cinema é arte, a mais universal e completa, e, no bojo de tudo isto, poderoso instrumento sócio-cultural e político. Quero referir-me, exatamente, a estes filmes a que você toca quando fala na enorme pedra no caminho para as salas de exibição. Há que se aprender a nadar contra a correnteza, nossa briga significa a resistência do cinema brasileiro de baixo orçamento, que mostra a cara do Brasil, sem sotaque, despido da “estética cosmética”, o “voyerismo” masturbatório, a vulgarização da violência, etc, etc. É a utopia que não abrimos mão, é a renovada briga: “O Petróleo é Nosso”
Depois me sugere atacar o lobby, o que concordo: "Li o seu artigo. Acho que é realista, mas uma faca de dois gumes. Não resta dúvidas que produzir um filme e não conseguir exibi-lo é algo calamitoso, patético, um desperdício. Agora deixar de produzir e permitir o vagão da mediocridade correr solto, essa não! Conselho e água só se oferece a quem pede, portanto vou só sugerir: Porque você não fala, usando a coluna com milhares de leitores, sobre grande fraude das famigeradas “Leis de Incentivo”? É de amplo conhecimento que um grupelho de aquinhoadas pessoas, grilaram este terreno. Esta é a principal “saúva” que corroi o cinema brasileiro. São as grandes empresas de publicidade, com seus esgrimistas marketeiros que dão apoio a esta gente. Em cada portão, como no Castelo de Kafka, seja da empresa privada ou que restou da pública, têm um porteiro-marketeiro, cabe a eles selecionar os projetos sedentos de um lugar ao sol debaixo das asas destas, cartas marcadas, leis de incentivo. O chapéu do Governo financia todos os filmes destes amigos do Rei. No quadro atual a finada Embrafilme que, com erros e tropeços, prestou muito serviço ao nosso cinema, principalmente, no que toca a distribuição, fica na lembrança como uma época de ouro. Como faz falta um Alex Vianny, um Dr. Walter da Silveira. Os andrajos do cinema de baixo orçamento é o que resta do antigo vigor do nosso cinema.
Fui informado que já se encontra em curso uma mega produção, já com todo apoio do Estado, na surdina, mais duas estão por vir. É neste sentido que falo em faca de dois gumes. E os Editais? E a prata da casa? Vamos continuar sempre como a província doadora de sangue? Dr, Walter foi um grande defensor do filme produzido na Bahia, trabalhado por baianos. Pelo visto a boa terra vai voltar, mais uma vez, a ser a casa da mãe Joana. Vade Retro..."
Francis Vale, cineasta de Fortaleza (Ceará), comenta, em mensagem enviado ao Velho Tuna, a grande esculhambação que reina, aboluta, no reino do dinheiro e coisas públicas: Abrindo aspas:
"Velho Tuna,
Li com atenção o material que você mandou.É a legítima expressão da verdade. A situação não está nada animadora. As leis de incentivo que, em princípio,parecem democráticas, viraram privilégio de uma minoria. E os editais constituem jogo de cartas marcadas. Hoje em dia, só se fala em filmes de três, quatro, seis milhões. E o pior:aqueles que não são distribuidos pela Globo ou pelas "majors" são exibidos apenas em alguns festivais e depois ficam mofando nas prateleiras. O Poder Público está adotando uma política de total desperdício. Financiafilmes que não são nem serão vistos, por falta de uma ação mais realista,maispé no chão. Para você ver como nós retrocedemos. Depois daquela histórica reunião deOlinda, ficou estabelecido que a Embra patrocinaria dez custas portrimestre,o que dava um total de quarenta por ano. E muitos desses filmes eramexibidosno circuito exibidor antes do filme estrangeiro. Hoje, os editais do MINC e de outros entes estatais não chegam a financiar nem os quarenta por ano e aexibição fica limitada a alguns festivais. Sem contar que esses editaisrecebem milhares de projeto. Se você fizer as contas direitinho, a proporção entre os projetos apresentados e os selecionados vai ficar algo em torno de setenta pra um. Ou seja, um completo absurdo. Quando se fala no B.O. doMINC a proporção é mais de cem pra um, uma vez que são apenas cinco projetosselecionados para muito mais de quinhentos projetos inscritos. É maisdifícildo que ganhar na centena do jogo do bicho. Estou pensando uma coisa com a qual certamente você não vai concordar. Creio que com o advento da TV digital o espaço para os nossos filmes será aTV. Com a multiplicação dos canais, as emissoras terão que adquirir um número maior de programas. Certamente esses programas ainda serão filmesamericanos.No entanto, já há articulação e discussão no Governo no sentido de forçar asemissoras a adquirir obras da produção independente, respeitando percentuais de cada região. Aquilo que está na Constituição e até hoje não foiregulamentado. O projeto de lei foi aprovado na Cãmara mas empancou noSenado. Pois bem. Se o mercado que pode nos restar é esse, o Poder Público deveriafinanciar mais filmes ( curta, médias e longas) em digital. Aumentaria a quantidade e, em consequência, apuraria uma melhor qualidade. E teria um local de exibição até certo ponto garantido. Por outro lado, a exibição digital já está acontecendo em alguns lugares e tende a se generalizar. Basta dizer que festivais como Cannes e Veneza já estão exibindo em digital. Com relação aos curtas, eu não tenho a menor dúvida. Vou lhe citar meu caso particular. Filmei em digital. Gastei uns trinta por cento do orçamento para fazer o transfer. Resultado: a película foi exibida em três festivais. Aúltima vez foi aí na Jornada da Bahia. Em compensação, em DVD eu já fizváriasexibições e distribui algumas dezenas de cópias. Também passou na TVE daqui.Quer dizer: se eu fosse esperar pela exibição da película, teria ficado nos festivais e na prateleira. Por conta disso, eliminei qualquer veleidade de filmar em película. Passaranos para fazer um filme que não vai ser exibido não é mais comigo. E se você for ver, a Kodak e os laboratórios ficam com uma parte expressiva da grana.Eliminando negativos e serviços laboratoriais, fica menos difícil. Outra coisa: no caso dos curtas, há hoje uma rotatividade muito grande. Temgente que ganha um edital hoje(como estreante), faz seu primeiro filme em 35,fica frustrado com a pouca repercussão da obra e desiste de fazer cinema. É isso que tenho observado. Então, a essa moçada que está estreando deveria ser oferecido financiamento para trabalhos em digital. As obras em 35 deveriam ser financiadas apenas para quem já tivesse alguma estrada. Aí odesperdício seria bem menor. Mas no Brasil ninguém tá ligando pra isso. Se agente for falar nisso em público arrisca levar umas boas porradas.É isso. Falei mais que deputado baiano. Desculpa aí. Mas quero que você fale bem mais, pois sua opinião é muito importante pra mim."
Um abraço doFrancis
O rei da comédia
Será que vai ser necessária a morte de Jerry Lewis para que venha a ser considerado um dos maiores comediógrafos de todos os tempos? Jerry Lewis, para muita gente, é conhecido como um mero comediante das sessões das tardes globais dos anos 80. Poucos aqueles que sabem que foi um realizador revolucionário, desmistificador, quando começou a dirigir filmes no final da década de 50. Seu apogeu, contudo, durou pouco, e seu pique criativo se esgota ao final dos anos 60, quando entra em depressão, ainda que em 80 volte a dirigir com, pelo menos, um exemplar genial cujo título original é Smorgasbord (em português: As loucuras de Jerry Lewis, título que difama)Quando o conheceu pessoalmente, em carne e osso:
"Hollywood, sábado, 2 de novembro de 1963, por volta das 18 horas. A alguns metros de mim, Jerry Lewis em carne, osso, volteios e caretas. Dos jornalistas convidados para a estréia mundial do filme Deu a Louca no Mundo, eu era o mais jovem, quase uma criança, e, certamente, o mais ardoroso fã de Lewis na platéia de seu show de TV, naquela noite dedicado à multiestelar comédia de Stanley Kramer. O que significa que ao show compareceu quase todo o elenco do filme: de Milton Berle e Sid Caesar a Mickey Rooney e Jimmy Durante, passando por Ethel Merman, que nos brindou com um pot-pourri de Cole Porter. Não obstante, o infante aqui só tinha olhos para o mestre-de-cerimônias. Que não me decepcionou, roubando a cena com os pés nas costas - ou quase isso, literalmente. Agitado, sarcástico, inteligente (145 de Q.I., a mesma marca de Benjamin Franklin e Galileu), cheio de cacoetes, inteligente, fumando sem parar. Nenhuma decepção: era esse mesmo o Jerry Lewis que eu imaginara encontrar - o meninão espasmódico, o bagunceiro arrumadinho, o biruta absurdista. Podem ficar com Jim Carrey. Não aceito imitações."
E mais: "Como explicar, sem a psicanálise, as freqüentes posições fetais de seus personagens, o gosto pelas calças curtas e meias soquetes, as carências afetivas, os constantes conflitos familiares, os pesadelos, as fobias, as transferências, a fixação em heróis dos quadrinhos? Seu incontrolável narcisismo seria o único responsável por sua volúpia transformista? Lewis se desdobrava em dois em Mensageiro Trapalhão, O Professor Aloprado e O Fofoqueiro, e em sete em Uma Família Fulera. Ok, Alec Guinness encarou oito papéis em As Oito Vítimas, mas nunca encarnou, de lambujem, a própria mãe, como Lewis fez em O Terror das Mulheres."
Descoberto pelos franceses: "Desprezado pelos críticos americanos, inclusive por aqueles mais afinados com o gosto da crítica francesa, como Andrew Sarris, Lewis transformou-se na segunda maior idiossincrasia francesa aos olhos dos francófobos da direita americana. A primeira continua sendo o escargot, que talvez já tivesse perdido a supremacia se Lewis ainda fosse o que era na década de 60. O governo francês lhe deu a Légion d'Honneur, a Cinemateca Francesa dedicou-lhe uma retrospectiva em 1964 e o Festival de Cannes o convidou para jurado e para receber um prêmio especial em 1979. Saiu na França, em 1970, o primeiro ensaio monográfico a seu respeito: o volume 59 da coleção Cinéma d'Aujourd'hui, da Seghers, escrito por Gérard Recasens."
Ainda mais: "Por estas bandas, as mais simpáticas acolhidas às comédias de Lewis traziam a assinatura de Moniz Vianna, que aprendera a gostar do comediante nas melhores patuscadas (Artistas e Modelos e Ou Vai ou Racha) da dupla Jerry Lewis-Dean Martin dirigidas por Frank Tashlin, e José Lino Grünewald, para quem o Lewis cineasta, discípulo assumido, porém mais ousado, de Tashlin, até porque mais metalingüístico, "fez o cinema absorver o moderno com uma precisão avassaladora" - notadamente a partir de O Terror das Mulheres, atingindo o ápice com a mais inventiva e perturbadora adaptação de O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson: O Professor Aloprado. Claro que não foi da refilmagem de The Nutty Professor, com Eddie Murphy, que tiraram o professor John Frink da série Os Simpsons.
"A dupla Martin-Lewis (sim, por incrível que pareça, era nessa ordem) encheu de alegria a minha infância.
18 janeiro 2008
Kleber Mendonça Filho lança o longa "Crítico"

17 janeiro 2008
Se meu apartamento falasse
Afinal achei o DVD de Se meu apartamento falasse (The apartment, 1960), de Billy Wilder, comédia magistral, uma das melhores, sem dúvida, de toda a história do cinema. Nunca a maestria desse realizador se estabeleceu de modo tão completa no estabelecimento dos elementos da fabulação em função do riso e, muito mais do que isso, de uma visão crítica e ácida da sociedade americana. E, além do mais, The apartment, é um filme que proporciona uma imenso prazer de se ver. Em cinemascope e preto e branco, estava ausente das televisões por assinatura ou a cabo, e que me lembre, vi-o há muito tempo numa sessão da tarde da Globo em cópia deformada pelo full screen e pela dublagem. Nos anos 90, a Breno Rossi, quando lançou excelente coleção em VHS, com clássicos do cinema, ofereceu a oportunidade de se rever esta obra-prima, mas ainda em full screen, e a cópia um tanto escura, mas com o som original. Meu primeiro contanto com The apartment foi nos anos 60, em seus meados, quando reprisado, pois no seu lançamento tinha cordiais 10 anos e o filme era proibido para menores. Mas nunca me esqueço, nesta idade, de ter passado várias vezes pela frente do cinema Guarany e ficar, atolemado, a olhar o cartaz anunciador de sua presença nesta sala. Já gostava do filme sem vê-lo, se isso é possível e, para mim, nesta idade, o fato de uma determinada pessoa do meu conhecimento, maior de idade, ter visto The apartment para mim era motivo de júbilo. Meu conceito em relação a essa pessoa subia sobremaneira. "Ele viu Se meu apartamento falasse!!!" É como se tivesse feito um ato de grande importância.16 janeiro 2008
Entre umas, outras

15 janeiro 2008
A angústia da influência
Todos nós somos influenciados pelo que lemos, pelo que vemos, enfim, pela cultura pretérita, como bem analisou o crítico americano Harold Bloom em A angústia da influência. Assim, sem que se possa tirar o mérito de grandes cineastas, há, por exemplo, influências marcantes de vários realizadores em Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, talvez a obra-prima definitiva do cinema brasileiro. Na exploração dos grandes espaços, lembra John Ford, a matança dos beatos, Eisenstein, o rodopio e a gestualística de Corisco, Kurosawa. E em Terra em transe os touchs de Orson Welles e de Jean-Luc Godard estão claros, assim como também bebeu Rogério Sganzerla nestes dois para realizar seu monumento que é O bandido da luz vermelha,Mas quando se vê, por exemplo, A marca da maldade (Touch of evil, 1958), de Orson Welles, com Janet Leigh trancada naquele hotel isolada e acossada por gente de todo tipo, há um elo com Psicose (1960), de Hitchcock, que, sugere-se, deve tê-la visto na fita de Welles e teve a idéia de a convidar para Psycho, que, nem por isso, deixa de ser a obra-prima que é.
E se se vai verificar o uso funcional da cor vermelha em A tortura do medo (Peeping Tom, 1960), de Michael Powell, que, infelizmente vai sair em DVD por uma subsidiária da Continental que se caracteriza pelas cópias escuras e impiedosas na destruição das imagem de um filme, dá para pensar que Hitchcock também bebeu nas águas powellianas para fazer o vermelho ser acionado na atmosfera de Marnie (1964).
A imagem de Janet Leigh, após ser esfaqueada, a tomar sua ducha no chuveiro do hotel de Norman Bates, é um ícone do cinema do século XX. A primeira impressão que se teve de Psycho, ainda nos anos 60, foi de profundo impacto emocional e psicológico. Lembra-se, o autor deste blog, que, numa viagem ao Rio, época do lançamento de Psicose, as filas dobravam quarteirões. O filme foi, e ainda é, uma sensação. Obra para ser reverenciada. O autor deste blog considera um crime o que fez Gus Van Sant ao ter a ousadia de um remake dessa catedral (com a devida licença de Romero para uso do vocábulo). O resultado, de tão medíocre, determinou uma queda do cineasta no conceito do escrevinhador destas porcarias. Mesmo que tenha Van Sant feito, depois, uma obra como Elephant.
Seja um bom roteirista de tv!

13 janeiro 2008
A arte da narrativa e da fábula
A especificidade cinematográfica se dá através de seus elementos básicos: (1) a planificação; (2) os movimentos de câmera; (3) a angulação; a haver, ainda, um quarto elemento, a montagem, que também determina a sua especificidade. Existem, a rigor, os elementos determinantes (os citados) e os elementos componentes da linguagem fílmica. Estes, apesar de imprescindíveis, não lhe determinam o seu específico. Assim, o roteiro, ainda que fundamental para a estruturação da obra, é um texto escrito, não cinematográfico, uma pré-visualização do filme futuro; já a fotografia ajuda a compor e a melhor definir o estilo, algumas vezes com a função dramática especial (é o caso de Vittorio Storaro, iluminador de Bernardo Bertolucci, cuja fotografia assume, em películas como O céu que nos protege (The sheltering sky) e O último imperador, uma quase co-autoria); a cenografia, em raros exemplos (nas obras expressionistas e, em especial, O gabinete do Dr. Caligari), surge também como elemento componente, embora, nestes casos excepcionais, apresente-se como processo deflagrador da evolução temática; assim como a parte sonora, os ruídos, os diálogos, a partitura musical... Bela Balazs, teórico húngaro, atribui importância fundamental a três elementos da linguagem cinematográfica: o primeiro plano (close-up), a montagem, e a variedade de posições da câmera. O primeiro plano, além de ser, para ele, o fator que diferencia o cinema do teatro, cria um microcosmo desligado do espaço e da materialidade. O mundo da microfisionomia (rosto ampliado e isolado pelo close-up, como num microscópio) confunde-se mesmo com o "mundo da alma". É a dimensão de uma expressão humana isolada sobre a tela, e toda a referência ao espaço e ao tempo desaparece em vista de sua existência autônoma. Nossa consciência completa do espaço é abolida e nos encontramos em outra dimensão, a da fisionomia. O ponto de referência da Balazs é o filme O martírio de Joana D'Arc (1928), do dinamarquês Carl Theodor Dreyer.Catalisador das emoções, formador de sensibilidade, fonte de descobrimento, o cinema é a manifestação mais rica do século XX.
12 janeiro 2008
A Tortura do Medo

Mas, pensando bem...

As maiores interpretações masculinas do cinema

Christian Bale - em "The Machinist" O MAQUINISTA (Brad Anderson - 2004)Edward Norton - em "Primal Fear" AS DUAS FACES DE UM CRIME (Gregory Hoblit - 1996)
11 janeiro 2008
Do Canal Brasil

Porque tenho assinatura da Net, vejo sempre o Canal Brasil, que exibe muitos filmes brasileiros importantes. O Canal Brasil, no entanto, já foi melhor, assim como a rede Telecine, que, ao alvorecer do ano 2000 tinha, por exemplo, o Classic, que chegou a passar uma retrospectiva de Lubtisch de importância fundamental. Foi a primeira vez que vi Ladrões de alcova (Strangers on paradise), que é uma obra-prima e de um amoralismo surpreendente, porque realizado antes do surgimento do malfadado Código Hays. O Canal Brasil, nesta época, passava muitos filmes do Cinema Novo, as grandes chanchadas, entre outras raridades. Mas atualmente, em função do maldito mercado, privilegia o clipe musical o qual é apresentado por várias horas seguidas. Há, evidente, uma preocupação em relação ao mercado e, para obter mais sucesso, o canal foi buscar programas mais chamativos, a diminuir, com isso, a qualidade. Quantidade em detrimento da qualidade. O fillet mignon do canal, exceção se faça aos filmes brasileiros, é a programação que se situa no horário nobre, sempre às 21 horas e 30 minutos de segunda a sexta. Exceção destes horários, ainda que possa omitir algum outro bom programa, há Letras Brasileiras, com Roberto Menescal e Oswaldo Montenegro, É Tudo Verdade, Retratos Brasileiros, Estúdio 66, de Roberto Silveira, e o Cine-Jornal, com a simpática e cada vez mais profissional Simone (esqueci agora seu sobrenome: Ziggolato, algo assim, Espelho, de Lázaro Ramos, etc.Entre os programas da faixa nobre os destaques vão para Tarja Preta, de Selton Mello (sexta), Todos os homens do mundo, de Domingos de Oliveira (quarta), Espelho (segunda), e Sem Frescura, de Paulo César Pereio. Tarja Preta já se firmou pela tônica do humor e o seu apresentador sabe conduzir uma entrevista, a extrair dela informações importantes e dar o ar de sua graça. Além do bloco de entrevista, sempre uma conversa bem humorada, os sketchs de humor, o uso da partitura musical. Já o programa de Domingos de Oliveira (agora se assina Domingos Oliveira, mas, antes, tinha o "de") substituiu um outro dele, Todas as mulheres do mundo, título do filme que o consagrou. Neste d'agora é Priscilla Rozembaum, sua mulher, a condutora, embora o marido sempre apareça e é o narrador que descreve o entrevistado. Domingos tem muito talento, um humor constante, e o resultado sempre se encontra acima da média.
Paulo César Pereio é uma lenda do cinema brasileiro, principalmente do Cinema Novo. Já mais velho, desde alguns anos conduz Sem Frescura. Mas, apesar da figura do apresentador, displicente, com ar de quem não está interessado no que diz o entrevistado, há um descuido muito grande na sua dicção. Fala de um modo que não se entende direito o que está a dizer, e isto incomoda muito a quem se encontra vendo o programa. Quando intérprete, nos filmes, tinha boa voz, mas agora, tal a displicência, fala como se estivesse já tomado umas e outras numa mesa de bar. E seus entrevistados nem sempre são pessoas interessantes.
Há um outro programa, que me lembrei agora, que sofre também de problemas: Retalhão, que é apresentado por Zéu Britto. Como o nome já diz, é um colcha de retalhos (cantos gerais, clipes ruins, e o apresentador em cada programa num determinado lugar). Zéu Britto precisa, e urgentemente, parar de dar aquelas gargalhadas que além de não serem engraçadas sempre estão a incomodar o espectador.
No mais, vida longa ao Canal Brasil.
