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07 outubro 2010

Um instantâneo para a história

Corria o belíssimo ano de 1960. Num intervalo das filmagens de 11 homens e um segredo (Ocean's eleven), do mitológico Lewis Millestone, que dá de chicote na versão homônima de Steven Spielberg, Peter Lawford e Frank Sinatra recebem a visita de Marilyn Monroe. A mulher que está sentada de cabelos pretos curtos, e fumando um cigarro, parece ser Shirley MacLaine (que faz uma ponta no citado filme). Sinatra sempre foi um profissional da bebida, bom de copo, que fechava quase sempre uma boite em Nova York para beber com sua turma (Dean Martin, Sammy Davies Jr, Lawford, Joel Bishop...). Geralmente todos ficavam muito bêbedos e a farra era enorme. Bons tempos: cigarro e álcool à vontade. Sem esta lei fascista que proíbe o fumo nos bares e restaurantes.


P.S: Residindo em Salvador há mais de meio século, ainda que com idas bissextas ao Rio de Janeiro, sinto que a Bahia, hoje, culturalmente, é a terra do já era. Uma grande mostra como a de John Ford, por exemplo, fica restrita apenas a São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Não seria o caso de a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (ou sua dita Fundação Cultural) envidar esforços no sentido de trazê-la a Salvador? Uma mostra como essa vale mais do que dezenas de eventos culturais que estão sendo prestigiados na chamada, antigamente, Boa Terra. Se viesse, iria ficar hospedado em um hotel próximo à sala exibidora para poder ver todos os filmes com paz e tranquilidade. E vi, agora, pela Globo News, uma reportagem sobre o catálogo (na verdade um calhamaço maravilhoso) sobre Ford, primeiro e único. Bem fez o crítico Antonio Moniz Vianna que, quando da morte desse gênio da sétima arte, desse Homero do cinema, deixou de escrever sobre cinema no jornal carioca Correio da Manhã. Em 1973.

06 outubro 2010

Sobre o Oscar de melhor filme estrangeiro

O Oscar da Academia de Ciências e Artes de Hollywood sempre é dado aos filmes que ajudam a consolidar a sua indústria cultural. É uma festa destinada a consagrar os êxitos de bilheteria, que empurram a indústria para a frente. Não se pode avalizar o valor cinematográfico de um filme por causa do Oscar, pois a história mostra que muitas obras-primas foram postas a escanteio em função de uma obra de maior apelo comercial.  Existem poucas exceções (se as há).

Mas o Oscar de melhor filme estrangeiro é especial e sempre ganha aquele filme mais inventivo e original (também as honrosas exceções de praxe). Uma rápida passada de vista nos vencedores dessa categoria confirma a assertiva. O Oscar de melhor filme estrangeiro é atribuído a partir de 1957 (referente ao ano de 1956) como categoria própria, mas, antes, de 1946 e 1955, havia um prêmio honorário para os filmes oriundos de outras cinematografias.

Em 1948, por exemplo, o Oscar, ainda como prêmio honorário para estrangeiros, premiou o neorrealismo italiano com a vitória de Vítimas da tormenta (Sciuscià), de Vittorio De Sica, que, dois anos depois, receberia o mesmo prêmio por Ladrões de bicicletas (Ladri di biciclette). Em 1952, na festa, a Academia reconheceu o valor de um filme japonês, facilitando seu acesso ao panorama internacional: Rashomon, de Akira Kurosawa. Ano seguinte, o reconhecimento ao cinema francês com Brinquedo proibido (Jeux interdits), de René Clement.

Quando o Oscar de melhor filme estrangeiro adquiriu uma categoria própria, em 1957, o grande premiado foi Na estrada da vida (La strada), de Federico Fellini, e, ano seguinte, o cineasta italiano é novamente premiado com As noites de Cabíria (Le notti di Cabiria). A Academia promovia os cineastas mais arejados, e diversos do modelo narrativo hollywoodiano. A tendência se fortalece com o Oscar de melhor filme estrangeiro dado ao Meu tio (Mon oncle), de Jacques Tati, para, em seguida, passando em 1960 por Orfeu negro, de Marcel Camus, filme controverso filmado no Rio e adaptação de um pela de Vinicius De Morais, contemplar o cinema sueco de Ingmar Bergman com dois prêmios consecutivos pelos filmes A fonte da donzela (Jungfrukallan) e Através do espelho (Sasom i en sepgel).

Como se pode observar, a Academia tem um referencial muito específico para premiar o melhor filme estrangeiro, dando preferência àqueles denominados filmes de arte (embora a expressão controversa). Basta dizer, e não se pode aqui ficar citando todos os eleitos, que Oito e meio (Otto e mezzo), de Fellini, ganhou o Oscar da categoria, uma obra que, na época, surpreendeu a todos pela inovação, pela estrutura narrativa complexa fundindo os tempos espaciais num contexto de tempo psicológico.

O Oscar, portanto, para filmes oriundos de outros países, sempre foi dado a filmes de cinematografias novas, por assim dizer, a exemplo de A pequena loja da rua principal (Obchod na korze), de Jan  Kadár e Elmar Klós, e Trens estreitamente vigiados (Ostre asledovane vlaky), de Jim Menzel, bravos representantes do cinema da Checoslováquia na sua idade de ouro nos anos 60.

E mais exemplos: Investigação sobre um cidadão acima de qualquer suspeita (Indagine su un cittadino al di sopra di ogni sospetto), de Elio Petri, A noite americana (La nuit américaine), de François Truffaut, Amarcord, de Fellini, Dersu Uzala, de Akira Kurosawa, O tambor (Die blechtrommel), de Volker Schloendorff

Para se ter uma idéia, nos últimos anos, as obras cinematográficas premiadas com o Oscar do filme estrangeiro, foram também filmes com algum nível de inventividade ou de proposição temática bem resolvida, a exemplo de A vida dos outros (Das Leben der Anderen), obra surpreendente de Florian Henckel von Donnersmarck, Infância roubada (Tsotsi), filme sul africano de Gavin Hood, Os falsários (Die Fälscher), de Stefan Ruzowitzky, A partida (Okuribito), de Yojiro Takita, O segredo de seus olhos (El secreto de sus ojos), argentino de Juan José Campanella.

O Brasil, em mais de 50 anos de existência do Oscar do filme estrangeiro, ainda não ganhou a cobiçada estatueta, ainda que várias vezes indicado nos últimos anos: O pagador de promessas, de Anselmo Duarte, O que é isso, companheiro? de Bruno Barreto, O quatrilho, de Fábio Barreto, Central do Brasil, de Walter Salles. Destes, dois filmes foram produzidos pela família Barreto (o segundo e o terceiro). O beijo da mulher-aranha ganhou em 1986, mas não se trata de uma produção de capital apenas brasileiro.

O país que mais ganhou o Oscar de filme estrangeiro foi a Itália (com acachapantes 13 em  todas as décadas – não é, portanto, à toa que um dia esta cinematografia se posicionou no cenário internacional como a melhor do mundo). Em seguida vem a França, com um cinema de força (12). Muito abaixo desses dois, com 4 Oscars cada um, a Espanha e Japão.

A recente indicação de Lula, o filho do Brasil, feita por uma comissão para representar o país vem a confirmar a força de lobby que tem o seu produtor Luís Carlos Barreto, o Barretão, que, com o filme sobre Lula, consegue ser indicado pela terceira vez. Mas a indicação, que se entenda bem, não significa que o filme seja escolhido. Sobre ser um filme que trata da vida de uma personalidade forte, e um filme sobre um vencedor, como gosta, aliás, a Academia (mas para seus filmes internos), Lula, o filho do Brasil, como expressão cinematográfica, não tem predicados suficientes para elevá-lo à categoria de um bom filme. Tem uma narrativa bem concatenada, que revela, apenas, um trabalho de carpinteiro, um artesanato que o constrói graças, principalmente, aos bons recursos de produção. Como obra cinematográfica, entretanto, não tem significação nenhuma.

Logo depois de anunciado o filme para representar o Brasil na festa americana, muitos cineastas se mostraram contra a indicação. De minha parte, ainda que não o tenha visto, mas agindo sob intuição, creio que A suprema felicidade, de Arnaldo Jabor, é a obra que possui maior nível poético.

E se se for cotejar Lula, o filho do Brasil, com os vencedores do Oscar de filme estrangeiro, a constatação vai num sentido de se ter nele uma relação de inferioridade. A indicação do filme é bem sintomática: a comissão pensou mais na personalidade do retratado do que na real expressão da obra cinematográfica.

05 outubro 2010

O cisne de Tuna Espinheira

Tuna Espinheira há 28 anos, atrás (1982), quando das filmagens de O cisne também morre, abraça o grande poeta baiano Carlos Anysio Melhor. Participei, modéstia à parte, do filme como ator. Fiz um agente funerário que tinha, como hobby, e não nas horas vagas, beber formol. O cisne também morre é uma homenagem ao poeta e, mais que isso, à vida boêmia, que, se traz muitas alegrias, também é fator determinante de algumas tragédias. Tuna inspirou-se na trajetória boêmia e poética de Carlos Anysio Melhor. O elenco - e fico com receio de omissão - conta com figuras carimbadas da baianidade etílica: Solon Barreto, Fernando Rocha, Agnaldo (Siri) Azevedo, Fred Souza Castro, Angelo Roberto, entre outros.

Filmado em 16mm, O cisne também morre tem suas locações nos pontos boêmios da Bahia, quando havia um clima e uma atmosfera para a prática da boemia. Atualmente, cidade enfartada, Salvador é um celeiro de engarramentos e não permite mais o exercício do cachacismo. A garota que aparece ao lado de Anysio parece ser Lucy Bruni, jornalista atuante nos tempos contemporâneos.

Disso e daquilo

Frank Sinatra e Shirley MacLaine em Deus sabe quanto amei (Some came running, 1958), de Vincent Minnelli.
  1. Deus sabe quanto amei, apesar do título, dado aqui no Brasil, é uma obra-prima do grande estilista Vincent Minnelli. A sua sequência final, quando da confusão no parque de diversão, é um primor de mise-en-scène e da utilização com eficiência dramática do espaço do Cinemascope. Há filmes, neste formato que não podem ser exibidos em tela cheia (full screen), a exemplo deste e de muitos outros, mas o Telecine Cult apresentou A queda do império romano (1964), de Anthony Mann, totalmente desfigurado, porque um filme pensado em Cinemascope e exibido na abominável tela cheia. Um crime, sim, um crime praticado contra a integridade da referida obra cinematográfica, um dos últimos épicos da grande fase de Hollywood. O próprio Mann já tinha feito El Cid, que é grandioso. E, nesta fase, tivemos obras do quilate de um Spartacus, de Stanley Kubrik, Ben-Hur, de William Wyler, Os dez mandamentos, de Cecil B. DeMille etc.
  2. Um livro que saiu agora e que recomendo sem hestiação: Uma viagem pessoal pelo cinema americano, de Martin Scorsese e Michael Henry Wilson, editado pela CosacNaify. Uma verdadeira aula de cinema. A edição é muito boa, com uma fartura de ilustrações de filmes preciosos. E tradução perfeita de José Geraldo Couto. Lê-lo é uma oportunidade de compreender o que foi um dia o cinema americano do grande segredo, como costuma de chamá-lo François Truffaut. 
  3. Tony Curtis, que faleceu recentemente, não foi apenas um comediante, mas também tem pontos significativos como ator dramático, a exemplo, entre outros, de Acorrentados (The desafiant one), de Stanley Kramer, Spartacus (no papel de Antoninus), de Stanley Kubrick, A embriagues do sucesso, e, principalmente em O estrangulador de Boston, de Richard Fleischer. Seu papel em O último magnata (The last tycoon), de Elia Kazan, também é muito bom. Este filme foi o canto de cisne de Kazan, importante cineasta do cinema americano

03 outubro 2010

Um Billy Wilder quase esquecido



Comédia sobre a inversão de papéis na representação da hipocrisia social, e a dialética do ser e da aparência, com uma visão ácida do american way of life, Beija-me Idiota (Kiss Me, Stupid, 1963), de Billy Wilder, ainda que tenha na sua fonte primária uma peça de teatro, L’Ora della Fantasia, de Anna Bonacci, possui, no entanto, um ritmo frenético e envolvente por causa da ourivesaria do roteiro do parceiro de Wilder, I. A.L. Diamond, composto a quatro mãos com o realizador, embora este não coloque sua firma no screenplay. Se Wilder, antes, na sua filmografia, já tinha atacado o mal estar do capitalismo (Se Meu ApartamentoFalasse/The Apartment, 1960, entre outros), é, porém, em Kiss Me, Stupid que sua crítica se faz mais visceral. O filme, quando lançado na primeira metade dos anos 60, foi atacado pelos moralistas e proibido em alguns estados da América do Norte. E, apesar de distribuído pela United Artists no mundo inteiro, não contou com verba publicitária, a passar despercebido em muitos lugares. A virulência do olhar wilderiano sobre certas idiossincrasias da sociedade americana chocou os mais conservadores e arautos do establishment. A observar, entretanto, que se, na época de sua estréia, foi motivo de restrições absolutas pelas ligas de decências, atualmente é servido pelo extinto Telecine Classic em plena noite de Natal como presente de fim de ano, em 2004. É bom de ver que o filme completa 46 anos, quase meio século desde a sua realização. E o mundo, indiscutivelmente, mudou. Mas a permanência das observações contidas em Kiss Me, Stupid continuam atuais, considerando-se que a mentalidade dos retratos é a mesma. seja em 1963, seja em 2010. O que mudou foi a instauração da apatia na recepção num mundo em desagregação que já não se importa mais pela preservação nem mesmo de sua antiga hipocrisia.
Wilder dá início a esta comédia-demolição com uma panorâmica na qual mostra um plano geral de um teatro que anuncia o cantor Dino (Dean Martin) enquanto os letreiros vão sendo retirados a denotar, com isso, a despedida do artista. E no plano a seguir, com a música envolvente de Gershwin, Dino está no palco, meio bêbado, intercalando a canção com suas piadas características. Os créditos se anunciam neste frenesi e continuam na viagem que o cantor, saindo furtivamente para fugir das mulheres, inicia em direção a Hollywood onde, diz, vai fazer um filme com Frank Sinatra e sua turma. Mas um incidente, no meio do caminho, determina-lhe um outro itinerário para chegar a seu destino, obrigando-lhe a passar por várias cidades interioranas. Numa destas, Clímax, de poucos habitantes e cheia de preconceitos – tão diferente da visão edulcorada de uma cidadezinha americana apresenta em Cine Majestic, de Frank Darabont, Dino pára num posto de gasolina para abastecer seu carro, onde é atendido pela frentista Barry (Cliff Osmond – que sempre trabalha com Wilder e em Irma, la douce faz o guarda que recebe o dinheiro ao colocar o chapéu, logo no princípio, no bar de Moustache). Em Climax, mora um compositor e professor de piano, Orville Jeremiah Spooner (Ray Walston), parceiro de Barney em muitas músicas, casado com Zelda (Felicia Farr, esposa, na época de Jack Lemmon), apaixonada, desde criança, por Dino, e que tem todos os seus discos em casa. Mas Orville e Barney sonham que um dia suas músicas sejam reconhecidas e consigam sair do anonimato. Assim, a presença de Dino no posto de gasolina acende a chama da ambição de Barney, que danifica o motor do carro de Dino a fim de que ele fique retido em Clímax e vir a conhecer as músicas da dupla.
A solução encontrada pela mente fervilhante do gordo Barney é fazer com que Dino passe a noite na casa de Orville, mas este, que morre de ciúmes infundados damulher, precisa arranjar um jeito de pô-la para fora por uma noite. Dino, insaciável quando se trata do sexo feminino, diz que não pode deixar de ter uma companhia, e, para satisfazê-lo, o plano de Barney inclui a vinda de uma prostituta, Polly, the pistol (Kim Novak, magnífica), que trabalha num bar/prostíbulo O Umbigo, cujo cartaz anuncia desde logo: “Entre e se perca”. Orville consegue brigar com a mulher e ela vai para a casa da mãe. Barney traz Polly, que representa, para Dino, ser a esposa de Orville. A troca de identidade, porém, não funciona, pois Polly, apesar de prostituta, uma profissional paga para um trabalho específico, qual seja o de dormir com Dino como se fosse a mulher de Orville, se enternece por este e não mostra o menor interesse pelo cantor. As coisas se complicam. Polly mostra que seria uma excelente dona de casa. E Zelda, saindo da casa dos pais, acaba indo tomar um porre no Umbigo.
O que interessa na verdade é que Wilder demonstra pela comédia que uma dona de casa típica americana pode ter uma mente prostituída – como, geralmente, muitas das donas de casa do mundo inteiro cujas fantasias são incontáveis, enquanto uma prostituta pode ser uma mulher pura e mais adequada ao lar. A comédia se desenvolve na base de uma ironia constante cujos atributos não se devem apenas a Wilder, mas, também, ao roteiro imaginoso de Diamond, que consegue driblar o peso teatral do argumento em função de uma transmissão deste através dos procedimentos cinematográficos. É neste particular que a direção de Wilder entra em campo ao conferir aos seus enquadramentos um sentido de equilíbrio e ritmo extraordinários. Este realizador sabe construir seu filme de tal maneira que o corte se anuncia como um atendimento à expectativa do espectador.
O imaginário de certas pessoas interioranas dos Estados Unidos, como Zelma, a mulher de Orville, que é a presidente do fã-clube de Dino, é uma representação das idiossincrasias de uma sociedade na qual o que importa mesmo é o sucesso a qualquer custo. Daí certo cinismo no final, a recusa de um happy-end, e a manutenção do status quo anterior, ainda que se possa pensar no desenlace diferente.
Entram na composição da excelência do espetáculo, além da direção de Wilder e do roteiro de Diamond, a funcional iluminação em preto e branco de Joseph La Shelle – fotógrafo preferido, em cinemascope, capaz de dar a Clímax um tom cinzento e a tela larga é sabiamente utilizada no deslocamento dos atores no espaço, facilitando o trabalho da câmera, a partitura musical de André Previn que utiliza clássicos da música como alguns dos compositores George e Ira Gershwin. E o elenco afinado, bem wilderiano, como o citado Cliff Osmand, que faz Barney, Ray Walston, Dean Martin e Felicia Farr. E inexcedível está Kim Novak num papel diferente, perfeitamente à vontade, blasé, principalmente para quem a imagina como a Madeleine de Scott na obra-prima Um Corpo Que Cai (Vertigo), de Alfred Hitchcock.

30 setembro 2010

Tony Curtis em "Quanto mais quente melhor"

Em homenagem a Tony Curtis, um momento de Quanto mais quente melhor (Some like it hot, 1959), de Billy Wilder.


IM MEMORIAM: TONY CURTIS

Com Tony Curtis (1925/2010) morre praticamente a grande comédia americana. Impossível esquecê-lo em Quanto mais quente melhor (Some like it not, 1959), de Billy Wilder, A embriaguês do sucesso (ao lado de Burt Lancaster) ou como Antoninus de Spartacus.

IN MEMORIAM: ARTHUR PENN

Arthur Penn (1922/2010), grande cineasta americano, que morreu por estes dias, teve seu apogeu nos anos 60, quando fez O milagre de Anne Sullivan, Bonnie and Clyde, Caçada humana (The chase), Mickey One, e, nos 70, a desmistificação do heroísmo americano em Pequeno grande homem (Little big man) e o thriller instigante e insólito Um lance no escuro (Night moves, 1975), que dá uma idéia da América sombria pós-Watergate.

28 setembro 2010

Ben-Hur



1.) "Ben-Hur", o maior espetáculo épico de todos os tempos, realizado em 1959, está a completar, neste ano, 51 anos. Exibido em cópias restauradas em Veneza e Berlim, para a comemoração da data, ano passado, surpreendeu pela sua espetaculosidade, pela artesania de sua construção dramática, e, principalmente, pela sequência da corrida de bigas - que tem uma montagem perfeita à altura de um Griffith. Há filmes que podem ser visto em DVD, mas "Ben-Hur" é um caso especial, é um espetáculo que somente pode ser plenamente apreciado na tela grande da sala exibidora. No esplendor do seu Super 70mm ou, mesmo, em cinemascope 35mm.

2) Realizado em 1959, "Ben-Hur" somente foi lançado em Salvador dois anos depois, em 1961, no cine Tupy, cinema que apresentava as superproduções da época ("Spartacus", "Os dez mandamentos"...). Naquela época, um filme estrangeiro demorava alguns anos para ser lançado no Brasil. Primeiro no eixo Rio-São Paulo, e nas outras capitais havia um atraso de mais de um ano. Era um tempo em que se ia ao sul para ver filmes, porque em Salvador somente apareciam um ano depois. Atualmente o panorama mudou muito, pois os filmes têm lançamentos simultâneos em todo o mundo.

3) O grande William Wyler é o diretor de "Ben-Hur". O filme, não se pode negar, é magnífico. Wyler é um cineasta requintado, que realizou, ao longo de sua carreira, obras fundamentais: "Os melhores anos de nossas vidas" ("The best years of our lifes", 1946), que considero um dos maiores filmes que já vi, "Jezebel", "O morro dos ventos uivantes" ("Wuthering Heights”, 1939), que é, sem dúvida, a melhor adaptação do livro de Emily Brönte, com Laurence Olivier e Merle Oberon, "Infâmia" ("The children's hour", 1961), o western "Da terra nascem os homens" ("The big country", 1955), com Charlton Heston e Jean Simmons, entre muitos outros. E não se pode deixar de fazer uma alusão a uma obra crepuscular e de inusitada importância como "O colecionador" ("The collector", 1963), com Terence Stamp.

4) A Metro Goldwyn Mayer, apesar de ter gastado uma fortuna para os padrões da época, lucrou muito, pois o filme foi um sucesso estrondoso em todo o mundo. Ganhou 11 Oscars, e, para falar a verdade, quando adolescente, época que vi o filme em seu lançamento, como já disse, em 1961, não conhecia ninguém que não tivesse visto "Ben-Hur", que teve "première" concorridíssima no dia 18 de novembro de 1958 no New York City.

5) Baseado na novela de Lew Wallace, "uma história dos tempos de Cristo", os créditos do filme dão como roteirista Karl Tunberg, mas outros tiveram muita influencia, ainda que não creditados, como Christopher Fry e Maxwell Anderson, além do escritor Gore Vidal, que tentou dar "uma alusão homossexual" ao relacionamento entre Judah Ben-Hur (Charlton Heston) e Messala (Stephen Boyd), principalmente na sequência, logo no princípio, do efusivo reencontro entre os dois.

6) A ação de "Ben-Hur" se passa em Jerusalém, no início do século I. Judah Ben-Hur (Charlton Heston), um rico mercador judeu, vive tranquilamente. Mas, com o retorno de Messala (Stephen Boyd), um amigo da juventude, que agora é o chefe das legiões romanas na cidade, um desentendimento, devido a visões políticas divergentes, faz com que Messala condene Ben-Hur a viver como escravo em uma galera romana, mesmo sabendo da inocência do ex-amigo. Mas o destino vai dar a Ben-Hur uma oportunidade de vingança que ninguém poderia imaginar.

7) O elenco é soberbo. Charlton Heston, ator sempre recrutado para os épicos ("Os dez mandamentos", "El Cid") é Ben-Hur. O inglês Jack Hawkins faz Quintus Arrius. Para o principal papel feminino foi recrutada uma atriz israelense: Haya Harareet (Esther), que, depois de "Ben-Hur", parece que desapareceu das telas. Stephen Boyd é Messala, ator que teve morte prematura (ataque cardíaco) antes de completar cinquenta anos. Mais: Hugh Griffith, Martha Scott, Cathy O'Donnell, Sam Jaffe, entre outros. A partitura, que ficou para sempre na memória, é do maestro Miklós Rózsa. "Cinematografado" por um artista da luz: Robert Surtees.

8) Apesar do Oscar de melhor diretor, Wyler não dirigiu a melhor seqüência de “Ben-Hur”, que é a corrida das bigas. Os responsáveis são os diretores da segunda unidade Yakima Kanutt, principalmente, e Mario Soldati. Não seria exagero dizer que esta seqüência pode ser inclusa nas antologias sobre a história do cinema.

9) “Ben-Hur”, lançado em DVD em edições de colecionador e de luxo, pode ser visto no disquinho. Por melhor que o cinéfilo tenha o seu ‘home-theater’, não terá a oportunidade de ter a mesma sensação daqueles que o viram na telona das salas exibidores na espetacular bitola 70mm – hoje desaparecida. A bem de ver, via-se os filmes com muito mais intensidade e as projeções ofereciam maior impacto do que atualmente quando as versões digitais, que deformam os filmes, estão a se espraiar pelos cinemas. Ver “Ben-Hur” baixado na internet e em tela de computador? Nem pensar.

10) Apesar de toda a admiração que tenho por “Ben-Hur”, meu melhor épico no cinema continua sendo “Spartacus”, de Stanley Kubrick.
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27 setembro 2010

O jardim das folhas sagradas

Trailer de O jardim das folhas sagradas, de Pola Ribeiro, o mais recente filme genuinamente baiano que tem estréia no Festival do Rio.

Tuna faz documentário sobre Anísio Teixeira


Da esquerda para a direita: o cineasta baiano Tuna Espinheira, o historiador Luis Henrique Dias Tavares e Nide  Nobre (representante da Secretaria de Educação da Bahia e que assessora as filmagens). Clique na foto para vê-la ampliada.

Tuna Espinheira, um dos mais profícuos documentaristas baianos, com uma filmografia que conta quase duas dezenas de títulos (a ficção, incursionou-a em apenas dois filmes: Cascalho - o primeiro longa, e O cisne também morre), está agora realizando um documentário sobre o grande educador baiano que foi Anísio Teixeira. Pela riqueza do material que está colhendo (depoimentos, filmagens in loco...), o filme talvez possa resultar num longa metragem. Tem tido a colaboração do historiador (e contista celebrado) Luis Henrique Dias Tavares. Transcrevo abaixo, tirado da Wikipédia, algumas informações importantes sobre o bravo educador, que morreu misteriosamente, caindo num poço de elevador, quando dos anos de chumbo da ditadura militar.

Anísio Spínola Teixeira (Caetité, 12 de julho de 1900 — Rio de Janeiro, 11 de marçode 1971) foi um jurista, intelectual, educador e escritor brasileiro. Personagem central na história da educação no Brasil, nas décadas de 1920 e 1930, difundiu os pressupostos do movimento da Escola Nova, que tinha como princípio a ênfase no desenvolvimento do intelecto e na capacidade de julgamento, em detrimento da memorização. Reformou o sistema educacional da Bahia e do Rio de Janeiro, exercendo vários cargos executivos. Foi um dos mais destacados signatários doManifesto dos Pioneiros da Escola Nova (ver sua íntegra em [1]), em defesa doensino público, gratuito, laico e obrigatório, divulgado em 1932. Fundou a Universidade do Distrito Federal, em 1935, depois transformada em Faculdade Nacional de Filosofiada Universidade do Brasil.

Biografia de um educador

Formação e início da vida pública

Seu pai, o médico Deocleciano Pires Teixeira, foi chefe político do município de Caetité, casara-se com três irmãs, sucessivamente, sendo sua mãe a terceira delas. A família Spínola, secular na região, tinha já vários expoentes na vida social e política nacional - a exemplo de Aristides Spínola e Joaquim Spínola, que foi presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, e fundador daRevista dos Tribunais.
Em sua cidade natal iniciou os estudos no Colégio São Luís Gonzaga, de jesuítas, continuando depois sua formação basilar em Salvador, em 1914, no Colégio Antônio Vieira, também desta Ordem Religiosa.
Sob a influência desta instituição, cogitou tornar-se um jesuíta - sonho veementemente combatido por seu pai, que projetara uma carreira política para o filho.
Ainda aos dezessete anos teve sua inteligência reconhecida por Teodoro Sampaio, que o convida para proferir uma palestra no Instituto Histórico e Geográfico da Bahia.
Formando-se em 1922 na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro (atualFaculdade de Direito da UFRJ), dois anos depois foi nomeado pelo Governador Góes Calmon Inspetor Geral de Ensino da Bahia - cargo equivalente hoje ao de Secretário da Educação.

O educador na Bahia

A fim de melhor desempenhar esta função viaja, em 1925, para a Europa, onde observa o sistema educacional de diversos países - implementando em seguida várias reformas no ensino do estado.
Anísio consegue ampliar o sistema educacional, privilegiando a formação de professores. Em sua terra natal, Caetité, reinaugura a Escola Normal, fechada em 1901 por Severino Vieira.
Em 1927 vai aos Estados Unidos, onde trava conhecimento com as ideias do filósofo e pedagogoJohn Dewey, que muito vão influenciar seu pensamento. No ano seguinte demite-se do cargo pelo fato do novo governador não concordar com suas ideias sobre mudanças no ensino.
Volta aos Estados Unidos (1928), onde faz pós-graduação. De volta ao Brasil traduz, pela primeira vez em português, dois trabalhos de Dewey.

No Rio de Janeiro

Muda-se para o Rio de Janeiro, ocupando a Diretoria da Instrução Pública do Distrito Federal, em 1931, em cujo mandato institui a integração da "Rede Municipal de Educação", do fundamental à universidade. Diversas melhorias e mudanças foram feitas, mas a que maior polêmica gerou foi a criação da Universidade do Distrito Federal, em 1935.
Em 1932 participa do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, tendo publicado neste período duas obras sobre educação que, junto a suas realizações, deram-lhe projeção nacional.

Política, realização e perseguição

Durante a última fase do Estado Novo, Anísio afasta-se da vida pública. Dedica-se, então, à mineração - atividade de alguns parentes. Aproxima-se mais do amigo Monteiro Lobato e publica Educação para a Democracia, além de realizar diversas traduções.
Na década de 1940 foi Conselheiro da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
Voltando o país ao regime democrático, em 1946, Anísio é convidado por Octávio Mangabeira - socialista, fundador da UDN, também exilado e então eleito para o Governo da Bahia - para ser o Secretário de Educação e Saúde. Dentre outras realizações, constrói naLiberdade - o mais populoso e pobre bairro da capital baiana - o "Centro Educacional Carneiro Ribeiro", mais conhecido por Escola Parque, lugar para educação em tempo integral e que serviria de modelo para os futuros CIACs e CIEPs.
Nos anos 50, dirigiu o Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, ou INEP, órgão do Governo Federal, que desde o governo de Fernando Henrique Cardoso se chama Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (ver seu site em [2]). Foi também o criador e primeiro dirigente da Campanha Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (atual CAPES), criada em 11 de julho de 1951, pelo Decreto nº 29.741, pelo presidente Getúlio Vargas, e que Anísio dirigiu até o golpe de 1964. A CAPES subordinava-se diretamente ao Presidente da República mas, depois de 1964, passou a integrar o organograma do Ministério da Educação (ver [3]). De todo modo, com a ditadura militar, Anísio deixou a sua direção.
Foi um dos idealizadores do projeto da Universidade de Brasília (UnB), inaugurada em 1961, da qual veio a ser reitor em 1963, para ser afastado após o golpe militar de 1964.

Uma morte misteriosa

Diversas circunstâncias obscuras cercam a morte de Anísio Teixeira. Dois meses antes da sua, ele escreveu: "Por mais que busquemos aceitar a morte, ela nos chega sempre como algo de imprevisto e terrível, talvez devido seu caráter definitivo: a vida é permanente transição, interrompida por estes sobressaltos bruscos de morte". (numa carta a Fernando de Azevedo)
Por intercessão do amigo Hermes Lima, Anísio candidata-se a uma vaga da Academia. Inicia, assim, a série de visitas protocolares aos Imortais.
Depois da última visita, ao lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Anísio desaparece. Preocupada, sua família investiga o paradeiro, sendo informada pelos militares de que ele se encontrava detido.
Uma longa procura por informações tem início - repetindo um drama vivido por centenas de famílias brasileiras durante a ditadura militar. Mas, ao contrário das desencontradas informações e pistas falsas, seu corpo é finalmente encontrado.
Anísio estava no fosso do elevador do prédio do imortal Aurélio, na Praia de Botafogo, no Rio. Dois dias haviam se passado de seu desaparecimento. Não havia sinais de queda, nem hematomas que a comprovassem. A versão oficial foi de "acidente".
Calava-se, para um Brasil mergulhado em sombras, uma voz em defesa da educação - portador da "subversiva" ideia de um país melhor. Era o dia 14 de março de 1971.

O legado

  • De sua obra em Salvador, destaca-se o Centro Educacional Carneiro Ribeiro (melhor conhecido por Escola Parque), situado no populoso e pobre bairro da Liberdade, de 1950, no qual buscou inspiração Darcy Ribeiro para, na década de 1980, criar os CIEPs. Na década de 1990 foi a vez do Governo Federal criar os CIACs e, no início do século XXI, na Bahia, os Colégios Modelo - todos fundamentados na sua ainda atual visão da educação integral e, no início do século XXI, os mais de 21 CEU's (Centros Educacionais Unificados), construídos na cidade de São Paulo, tiveram em seus projetos fortes influências da Escola Parque de Anísio.
  • Em Caetité, na sua casa natal (foto acima), mantém a Fundação Anísio Teixeira, presidida por sua filha Anna Cristina Teixeira Monteiro de Barros ("Babi"), com apoio governamental (Estado e Município) e da iniciativa privada, a Casa Anísio Teixeira', com biblioteca, museu, cine-teatro e biblioteca móvel. A instituição leva conhecimento e mantém viva a memória do grande educador brasileiro, sendo objeto de muitas reportagens em todas as mídias.
  • No Rio de Janeiro existe o Centro Educacional Anísio Teixeira, escola privada de ensino fundamental e ensino médio, com proposta pedagógica segundo as ideias do educador.

Pensamento de Anísio

Algumas de suas ideias, expressas nos vários livros e artigos, revelam sua constante preocupação com uma educação livre de privilégios, cada vez mais valorizada.
"Sou contra a educação como processo exclusivo de formação de uma elite, mantendo a grande maioria da população em estado de analfabetismo e ignorância.
Revolta-me saber que dos cinco milhões que estão na escola, apenas 450.000 conseguem chegar a 4 ª. série, todos os demais ficando frustrados mentalmente e incapacitados para se integrarem em uma civilização industrial e alcançarem um padrão de vida de simples decência humana.
Choca-me ver o desbarato dos recursos públicos para educação, dispensados em subvenções de toda natureza a atividades educacionais, sem nexo nem ordem, puramente paternalistas ou francamente eleitoreiras.
Anísio Teixeira

Depoimentos sobre o educador

Como exórdio da importância de Anísio para a intelectualidade brasileira, o trecho da seguinte carta a ele dirigida, escrita por Monteiro Lobato, reflete como suas ideias podem animar os que verdadeiramente acreditam no Brasil:
Comecei a ler o Manifesto. Comecei a não entender, e não ver ali o que desejava ver. Larguei-o. Pus-me a pensar - quem sabe está nalgum lugar do livro de Anísio o que não acho aqui - e lembrei-me de um livro sobre a educação progressiva, que me mandaste e que se extraviou no caos que é a minha mesa. Pus-me a procurá-lo, achei-o. E cá estou, Anísio, depois de lidas algumas páginas apenas, a procurar dar berros de entusiasmo, por uma coisa maravilhosa que é a sua inteligência lapidada pelos Deweys e Kilpatrics!
...Eureca! Eureca! Você é o líder, Anísio! Você há de moldar o plano educacional brasileiro. Só você tem a inteligência bastante aguda para ver dentro do cipoal de coisas engolidas e não digeridas pelos nossos pedagogos reformadores...Eles não conhecem, senão de nomes, aqueles píncaros (Dewey & Co.) por cima dos quais você andou e donde pode descortinar a verdade moderna. Só você, que aperfeiçoou a visão e teve o supremo deslumbramento, pode neste País falar de educação!" Monteiro Lobato
Aqui seguem-se algumas das opiniões acerca deste importante educador:
"... Cidadão íntegro, puro, decente. Além de inteligentíssimo, dono de cultura invulgar, mestre inconteste no que se refere à educação, Anísio Teixeira foi um brasileiro raro. Tão extraordinário a ponto de ter sido alvo durante toda a vida de restrições, suspeitas, aleivosias, perseguições, misérias de todo o tipo com que os imundos o perseguiram - sobram imundos no Brasil. Tentaram de todas as maneiras impedir Anísio Teixeira de realizar sua missão civilizadora mas ele era irredutível e invencível. O que o Brasil de hoje possui de melhor e de maior deve-se em grande parte a este humanista baiano de grandeza universal. ..." Jorge Amado
"... Anísio Teixeira é o pensador mais discutido, mais apoiado e mais combatido do Brasil. Ninguém como ele provoca a admiração de tantos. Ninguém é também tão negado e tem tantas vezes o seu pensamento deformado (...) Suas teses educacionais se identificam tanto com os interesses nacionais e com a luta pela democratização de nossa sociedade que dificilmente se admitiria pudessem provocar tamanha reação num país republicano." Darcy Ribeiro
"Suas obras e seus conceitos continuam sendo ricas fontes de conhecimento e de inspiração para os que se preocupam com a educação e com o futuro do nosso país.
Anísio deixou como herança um acervo que tem sido objeto de pesquisas, monografias e teses. Seus textos são revisitados com frequência como fonte primária para as investigações da história da educação brasileira, por estudiosos de variadas áreas do conhecimento." Nilda Teves
"A magnitude de Anísio Teixeira é própria de um pensador social dos mais profundos, que não perde em nada para Gilberto Freyre ou qualquer outro. (...) Ele precisa ser lembrado ao lado de historiadores como Sérgio Buarque de Holanda, sociólogos como Florestan Fernandes e antropólogos como Emílio Willens" (Marcos Cezar de Freitas) [1]

Bibliografia

Dentre as sua obras, destacam-se:
  • Aspectos americanos de educação. Salvador. Tip. De São Francisco, 1928, 166 p.
  • A educação e a crise brasileira. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1956, 355 p.
  • Educação é um direito. 2a. ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1996, 221 p.
  • Educação e o mundo moderno. 2* ed. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1977, 245 p.
  • Educação e universidade. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1998, 187 p.
  • Educação no Brasil. São Paulo: Cia. Editora Nacional 1969, 385 p.
  • Educação não é privilégio. 5a. ed. Rio de Janeiro.- Editora UFRJ, 1994, 250 p.
  • Educação para a democracia: introdução à administração educacional. 2a. ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1997, 263 p.
  • Educação progressiva: uma introdução à filosofia da educação. 2a. ed. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1934, 210 p.
  • Em marcha para a democracia: à margem dos Estados Unidos. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, s.d., 195 p.
  • Ensino superior no Brasil: análise e interpretação de sua evolução até 1969. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1989, 186 p.
  • Pequena introdução à filosofia da educação: a escola progressiva ou a transformação da escola. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1968, 150 p.
  • TEIXEIRA, Anísio e ROCHA E SILVA, Maurício. Diálogo sobre a lógica do conhecimento. São Paulo: Edart Editora, 116 p.

Homenagens

Depois de muito tempo relegado ao esquecimento, com o fim da ditadura militar, a memória de Anísio Teixeira foi, aos poucos, sendo resgatada. Sem dúvida, o maior passo neste processo, deu-se com o lançamento, em 1 de outubro de 1993, da cédula de mil Cruzeiros Reais, lembrando o grande educador, que ficou em vigor até julho de 1994, quando foi substituída pelo Real.
O ano de seu centenário de nascimento, 2000, foi marcado por diversas homenagens. Muitas entidades educacionais ou, mais especificamente, pedagógicas, realizaram eventos em comemoração.
O dia 12 de julho é, em sua memória, feriado municipal na sua Caetité natal.
Sob auspícios da Rede Bandeirantes, um documentário foi feito em 1999, contando a vida do educador.
Inúmeras instituições de ensino no país levam seu nome, em especial o Instituto de Educação Anísio Teixeira, na sua terra natal.
A cadeira número 3 da Academia Caetiteense de Letras, em sua cidade natal, traz como patrono o grande educador.