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30 julho 2007
Introdução ao Cinema (6)

Morre Bergman, gênio do cinema

Acordo, ligo e computador e tomo um susto: morre o realizador sueco Ingmar Bergman. Mas aos 89 anos. Todos temos de morrer um dia. Deixou uma grande fortuna crítica, uma das mais lúcidas e coerentes obras cinematográficas de todos os tempos. Foi um verdadeiro mestre. Não tenho tempo de falar dele, apenas de registrar o seu falecimento e transcrever notas de agência noticiosa:
"Segundo a agência de notícias TT, Eva, filha de Bergman, disse que ele morreu em paz em sua casa em Faro, sem informar nem a causa nem o momento exato do falecimento.
O local do velório e do enterro ainda não foi definido. O funeral deve ser aberto apenas a parentes e amigos.
Nascido no dia 14 de julho de 1918 em Uppsala, ao norte de Estocolmo, Bergman dirigiu mais de 40 filmes durante sua longa carreira, nos quais, sempre com uma visão trágica, retratou a complexidade das relações entre homens e mulheres.
O diretor venceu Oscars de melhor filme estrangeiro em 1960, 1961 e 1983.
Bergman cursou o ensino básico em Estocolmo, onde também se formou em Arte e Literatura. Seu pai foi um pastor protestante do qual recebeu uma educação severa e austera.
Estudou na Universidade de Estocolmo e aprendeu a dirigir com um grupo de teatro estudantil levando para a tela grande obras de Strindberg e Shakespeare.
Apaixonado pelo teatro, principalmente o clássico, já na universidade dirigiu uma companhia de estudantes. Após o fim dos estudos, concentrou sua atividade na cena, como autor e diretor.
Após ser ajudante de direção no Real Teatro da Ópera de Estocolmo, esteve à frente do Teatro Municipal de Helsinborg (1944-1946), de Goteborg (1946-1949), de Malmoe (1954-1963) e do Real Teatro Dramático de Estocolmo (1963-1966 e 1985-1995).
Em 1976, se mudou para Munique, na Alemanha, onde também desenvolveu seu talento criativo, e em 1985 voltou à Suécia como diretor do Real Teatro Dramático de Estocolmo. Nesta etapa, fez montagens como A Menina Julie e O Sonho, ambos de Strindberg; Hamlet, de Shakespeare; Longa Jornada Noite Adentro, de Eugene O'Neill; Casa de Bonecas e Peer Gynt, ambos de Ibsen; e Conto de Inverno, de Shakespeare.
No final de 1995, deixou o Teatro Dramático para ficar responsável pelos espaços cênicos da televisão pública sueca STV, onde foram transmitidas obras do diretor.
No cinema, seu começo foi com roteiros que escreveu para projetos próprios e alheios, casos dos diretores Gustaf Molander, Alf Kjellin, Lars Erik Kjellgren e Alf Sjorberg.
Ingmar Bergman, um dos fundadores da Academia Européia de Cinema em 1988, estreou na direção com o longa-metragem Crise (1945) e depois realizou Chove em Nosso Amor (1946), Um Barco para a Índia (1947), Música na Noite (1947), Porto (1948), Prisão (1948), Sede de Paixões (1949), Juventude (1951), Quando as Mulheres Esperam (1952), Mônica e o Desejo (1952), Noites de Circo (1953), Uma Lição de Amor (1954), Sonhos de Mulheres (1955), Sorrisos de uma Noite de Amor (1955) e O Sétimo Selo (1956). É considerado o mestre do cinema sueco.
Bergman começava a ser conhecido internacionalmente como um autor complexo, atormentado e obscuro. Também destacam-se em sua trajetória os filmes Morangos Silvestres (1957, prêmio de melhor direção do Festival de Cannes de 1958), A Fonte da Donzela (1959, Oscar de melhor filme estrangeiro e Prêmio Fipresci de Cannes), Através de um Espelho (1961, Oscar de melhor filme estrangeiro e agraciado no Festival de Berlim), O Silêncio (1963), Vergonha (1968), Cenas de um Casamento (1973), O Ovo da Serpente (1977) e Sonata de Outono (1978).
De volta à Suécia filmou Fanny e Alexander (1982), uma obra sobre sua infância e sobre sua paixão pelo espetáculo, que recebeu quatro Oscar.
Após Fanny e Alexander, iniciou um ciclo de filmes para a TV, como Depois do Ensaio (1984), Diário de uma Filmagem (1986) ou Na Presença de um Palhaço (1997). Em 2003 dirigiu seu último filme, um longa-metragem para a televisão sueca, Saraband.
Seus roteiros posteriores foram levados ao cinema por outros produtores. Foi o caso do dinamarquês Bille August, de seu filho Daniel Bergman e de sua atriz favorita e ex-companheira Liv Ullman. Sua última obra para televisão foi como roteirista de Bergmanova Sonata, em 2005.
Em 2004, a televisão sueca SVT transmitiu um documentário de 180 minutos, a cargo da jornalista Marie Nyreroed, sobre a vida e obra de Bergman na ilha de Faro.
Em 18 de julho, Bergman fez um último relato público, de uma hora e meia, sobre sua vida pessoal e artística em um programa ao vivo da Rádio Nacional da Suécia.
Entre outras homenagens, Bergman possui os Prêmios Erasmus (1965), Internacional de Teatro Luigi Pirandello (1971) e Goethe (1976), a Medalha de Ouro da Academia Sueca (1977), o título de comendador da Legião de Honra francesa (1985) e a Palma de Ouro por sua carreira do Festival de Cannes (1997). É autor de suas memórias, intituladas Lanterna Mágica (1987), e dos livros Imagens (1990) e Conversas privadas (1996), entre outros.
Considerava a si mesmo como um homem de teatro, "é toda minha vida", enquanto o cinema era para o diretor "um trauma e uma paixão", segundo ele.
Com nove filhos, Bergman foi casado cinco vezes. A primeira com Elsie Fischer, com quem teve uma filha. Depois com Ellen Lundstrom, que lhe deu quatro filhos (entre eles uma atriz, Anna). Sua terceira e quarta mulheres foram, respectivamente, Gun Hagberg, com quem teve um filho, e a pianista finlandesa Kabi Laretei, mãe de seu filho Daniel, também diretor de cinema. Sua quinta esposa, Ingrid von Rosen, morreu em 1995.
À margem destes casamentos, Ingmar Bergman teve relacionamentos com as atrizes Harriet Andersson e Liv Ullman, com quem teve sua filha Linn, jornalista.
Após a morte de sua última mulher, Ingrid, em 1995, Ingmar Bergman passou a viver durante grande parte do ano na ilha de Faro, ao norte de Gotlan), no mar Báltico, que serviu de cenário para várias de suas obras.
Comandante da Legião de Honra, membro da Academia de Letras da Suécia e reputado dramaturgo, Bergman revelou sua vida privada e profissional nos livros Lanterna Mágica (1987), Imagens (1993) e Crianças de Domingo (1994), adaptado para a tela grande por seu filho Daniel."
29 julho 2007
O bloguista no Faustão
http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM707847-7822-WAGNER+MOURA+SE+EMOCIONA+NO+ARQUIVO+CONFIDENCIAL,00.html
25 julho 2007
A personificação da ressaca

Quem lê este blog já deve saber que sou apreciador de uma cervejinha. O que gosto mesmo é do chopinho carioca, mas, aqui, nesta soterópolis, é muito difícil encontrar um chopp que preste. Fica-se na cerveja. A que mais aprecio é a Heineken naquelas garrafinhas verdes long-neck, mas geralmente não são encontradas pelos bares da vida. Há também a Calsberg. Á Brahma já foi uma grande cerveja. Hoje não presta. A decadência também se reflete nas cervejas por incrível que pareça.
Mas me perguntaram outro dia o que acho da ressaca. A ressaca é suportável se você sabe dirigi-la. Mas encontrei a expressão perfeita e acabada, cuspida e escarrada, da ressaca. A personficação da própria ressaca, encontrei-a na foto de um amigo, jornalista, Mestre em Comunicação, crítico de cinema bissexto, que se chama Sandro Santana. Não sei que momento de inspiração estava a pessoa que tirou a foto de Sandro - uma moça - ao acordar depois de ter tomado todas as cervejas de um bar e ter fumado vários maços de cigarro. A foto que ilustra a postagem, uma obra-prima, mostra o momento no qual Sandro, após la notte brava, acorda para a fotógrafa, que o surpreende nesse momento de extrema e dolorosa ressaca. Está quase que totalmente verde.
23 julho 2007
"Cahiers du Cinema" on line
Sem pipoca e guaraná

BORIS FAUSTO é historiador e preside o conselho acadêmico do Gacint (Grupo de Conjuntura Internacional), da USP, e autor de "A Revolução de 1930" (Cia. das Letras). Ele escreve mensalmente na seção "Autores", do Mais!.
22 julho 2007
Introdução ao Cinema (5)

20 julho 2007
Ansiedade por Resnais
Atualmente poucos são os filmes que me entusiasmam. Se, antigamente, os filmes exerceram forte influência na minha formação cultural (ao lado da literatura) e, numa semana, por exemplo, havia sempre uma película a ver quase obrigatoriamente (a rigor ia ao cinema todo santo dia), nos dias que correm meses se passam sem que possa apontar uma obra cinematográfica interessante. Basta dizer da dificuldade para montar a lista dos dez melhores do ano, pois cada vez mais difícil se atingir a dezena. Ao contrário do que acontecia nos anos 60, por exemplo, quando a lista se enchia de perto de três dezenas de filmes e o comentarista ficava com pena de fazer a triagem para chegar a dez tantas eram as obras importantes. Este fato reflete a imensa decadência do cinema contemporâneo. Decididamente: não se vai mais ao cinema com o mesmo entusiasmo de antes e, para muitos, que amavam o cinema, ir a uma sala exibidora se constitui em atividade bissexta. Conheço diversas pessoas, que conhecem bem a arte do filme, que já deixaram há muito de frequentar as casas exibidoras. Para eles, o cinema acabou. Mas não deixam de tê-lo presente pelo DVD através do qual revisitam sempre seus filmes favoritos.18 julho 2007
Homenagem a Walter da Silveira


17 julho 2007
Deu no "Estadão"

"Exibições de filmes premiados brasileiros e europeus, palestras sobre técnicas de elaboração de roteiros, encontro de produtores e distribuidores, que reuniu 50 empresas de sete países. O 3º Seminário Internacional de Cinema levou à capital baiana, entre os dias 9 e 14, um pouco de diversão a um público carente de cinema de arte e de discussões sobre temas relacionados à grande tela.
De saco cheio

Mas o que queria também comentar aqui, além do excesso, é que os festivais atuais (sejam eles intitulados de seminários, mostras, retrospectivas, panoramas, etc) abusam na programação concentrada. A mostra internacional de São Paulo, por exemplo, tem perto de 500 longas, sem contar os curtas, os eventos paralelos. Quem participa dela tem ficar full time à disposição, a ver filmes de manhã, de tarde, e de noite. Creio salutar que, nas mostras do tipo, haja espaço para se tomar uma cervejinha, curtir a ressaca no dia seguinte (geralmente quem vai às mostras é pessoa de fora que fica em hotel a gozar de certas mordomias) no hotel, etc. Mas da forma que elas são programadas há a exigência de que seu participante seja um maratonista, ainda que a ficar sentado por horas seguidas a ver um filme. Para fugir ao aspecto mundano dos festivais de cinema, Guido Araújo, há trinta anos atrás, ao criar o evento que viria a ser conhecida como Jornada de Cinema da Bahia quis enfatizar com Jornada a seriedade do evento com o objetivo de não passar a imagem de festival mundano. Mas, na minha opinião, creio que um certo mundanismo é necessário para se relaxar, conhecer pessoas, beber, tomar um drink à beira da piscina.
Quando se fazia um festival de cinema em décadas passadas, geralmente as programações eram mais suaves de modo a permitir o 'relax'. E em mostras de filmes, nas quais não havia mesas redondas nem quadradas, geralmente se programava um filme por noite, dois no máximo. Finda a sessão, as pessoas se reuniam num barzinho aconchegante e tinham o dia seguinte para dar uma volta pela cidade, curtir um pouco a paisagem. É um problema meu, sei disso, mas não tenho mais saco nem paciência para acompanhar mostras, seminários, festivais. Quando muito seleciono alguns programas, embora, hora chegada, bate-me o abacate da preguiça de locomoção.
16 julho 2007
Vacas premiadas

O esporte favorito do homem


15 julho 2007
Introdução ao Cinema (4)
Ainda em torno do segundo elemento determinante da especificidade da linguagem cinematográfica: os movimentos de câmera. Ficamos na panorâmica semana passada. Existem, porém, outros exemplos desse movimento específico e de fundamental importância. Vejamos. Há também uma panorâmica chamada circular, que, sobre ser mais complexa na sua execução, não é menos eficiente do ponto de vista da significação. Neste caso, a câmera observa à sua volta num ângulo de 360 graus, normalmente com motivos mais do que válidos. A panorâmica circular é utilizada pelos cineastas para captar os diferentes estados de espírito de uma personagem sem interromper a continuidade espacial, deixando-a alegre para voltar a vê-la triste depois de ter percorrido integralmente a sala onde se encontra. Este é o procedimento que a câmera segue de bom grado nas obras de índole "comportamentista", nas quais os protagonistas nunca são perdidos de vista em todas as suas evoluções físicas e psíquicas (Acossado/A Bout de Souffle, de Jean-Luc Godard, 1959, é, nesse particular, um exemplo notável). Ou, então, a panorâmica circular é usada para fazer denotar uma situação labiríntica em que o protagonista vive, a despeito das aparências tranqüilizantes. Assim, os repetidos movimentos circulares da câmera em Mundo ao Telefone(Welt am Drht, de Rainer Fassbinder, 1973), não tem outra função que não seja a de denunciar a insuspeita condição de robots manipulados por outrem que aflige todas as personagens do filme. 
