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12 fevereiro 2006

Mike Nichols


Mike Nichols é um realizador bem novaiorquino, citadino, que possui uma enorme inteligência como diretor de atores. Acabei de rever A difícil arte de amar (Heartburn, 1986), com Jack Nicholson e Meryll Streep, filme que vem a confirmar o talento de Nichols como orientador de seus intérpretes - o recente, e mal compreendido, Closer (2004), é exemplar nesse sentido. Tem, no entanto, uma filmografia irregular. O filme de estréia, uma proeza, a adaptação cinematográfica de Quem tem medo de Virginia Wolff, com dois monstros sagrados da época, Richard Burton e Elizabeth Taylor, em 1966, para, no ano seguinte, realizar, em outro tom, um dos filmes emblemáticos da década de 60, que foi A primeira noite de um homem (The graduate), lançando como astro Dustin Hoffman. Em 1970, entrou na linha do non sense em Ardil 22 (Catch 22), e, no ano seguinte, analisou com tintas fortes o comportamento sexual do macho americano em Ânsia de amar (Carnal knowledge), com Jack Nicholson, Arthur Garfunkel, Candice Bergen, e a esfuziante Ann-Margret. Tem muitos outros filmes que não podem deixar de ser apreciados.
Em A difícil arte de amar (Heart burn, queimadura do coração, azia?), Nichols se propõe a observar as idiossincrasias que surgem numa paixão. Muito bem dirigido, com atores carismáticos, é leve, bem humorado, fluente. É o que se poderia chamar de um filme acima da média, sem, contudo, ter pretensão a sucesso intelectual entre a crítica. Tudo em Heart burn funciona de maneira que o espectador deixa se levar, envolver, pelo filme. A penúltima seqüência, em plano-seqüência, é muito boa, quando Streep joga uma torta de limão na cara de Nicholson. Iluminado por um mestre da luz, Nestor Almendros, tem, no elenco, álém da dupla principal, Milos Forman, o tcheco que se instalou em Hollywood, e, numa ponta, como o ladrão do metrô, o iniciante Kevin Spacey, que depois se tornaria famoso, principalmente em Os suspeitos e Beleza americana - que considero um péssimo filme, assim como Sam Mendes um péssimo cineasta (vide Soldado anônimo).
Cineasta de pouca regularidade por se dedicar mais ao teatro, Nichols faz um cinema de personagens, dando a estes o palco de seus enquadramentos. Não fosse psiquiatra por formação, é um analista da sociedade americana, mas de sua parte mais culta, mais refinada, a que habita Nova York. Seus fracassos mais notórios estão em A gaiola das loucas (The birdcage, 1996), versão politicamente correta da peça de sucesso já filmada, com graça - a de Nichols é sem graça - por Edouard Molinaro, com Michel Serrault e Ugo Tognazzi; Lembranças de Hollywood (Postcards from the edge, 1990), Segredos do poder (Primary collors, 1998), tentativa frustrada de fazer um filme-investigação sobre os bastidores do poder de uma campanha eleitoral presidencial americana, entre outros.

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